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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu092704
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Torácica
Paciente 56 anos, com neoplasia pulmonar pequenas células confirmada por biópsia de massa mediastinal (hematoxilina-eosina e imuno-histoquímica). Associadas ao quadro pulmonar, o paciente apresenta fraqueza muscular generalizada, mais intensa nos membros inferiores, boca seca, pálpebras caídas, diplopia e pouca sudorese. Foram detectados anticorpos contra canais de cálcio sensíveis a voltagem (anti-VGCC).O paciente apresenta manifestação da síndrome de
  1. AOpsoclonus-Mioclonus.
  2. BEaton-Lambert.
  3. CTrousseau.
  4. DCushing.
  5. EGottron.
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GabaritoB — Eaton-Lambert.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndromes paraneoplásicas associadas ao câncer de pulmão de pequenas células

Gabarito: letra B. O quadro descrito — neoplasia pulmonar de pequenas células, fraqueza muscular proximal (mais intensa em membros inferiores), boca seca, ptose, diplopia, pouca sudorese e anticorpos anti-VGCC — é a apresentação clássica da síndrome miastênica de Eaton-Lambert (SMLE), uma síndrome paraneoplásica causada por anticorpos contra canais de cálcio dependentes de voltagem (VGCC) do tipo P/Q, que reduzem a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular pré-sináptica.

A síndrome de Eaton-Lambert é uma doença autoimune da transmissão neuromuscular pré-sináptica. Diferentemente da miastenia gravis (MG), em que os anticorpos atacam os receptores de acetilcolina na membrana pós-sináptica, na SMLE os anticorpos são dirigidos contra os canais de cálcio dependentes de voltagem (VGCC) do tipo P/Q, localizados no terminal pré-sináptico. Esses anticorpos bloqueiam a entrada de cálcio no terminal nervoso, reduzindo a liberação de acetilcolina na fenda sináptica e, consequentemente, a contração muscular. A associação com neoplasias é marcante: cerca de 60% dos casos estão ligados ao carcinoma de pulmão de pequenas células, e a síndrome pode anteceder a detecção do tumor em até 3 anos.

Clinicamente, a SMLE se manifesta com a tríade clássica de fraqueza muscular, xerostomia (boca seca) e reflexos diminuídos ou ausentes. A fraqueza é flutuante, com fatigabilidade, e acomete predominantemente os músculos proximais dos membros, sendo os membros inferiores mais comprometidos que os superiores — exatamente o padrão descrito no paciente. Os sintomas oculares (ptose, diplopia) e bulbares (disfagia, disartria) são menos comuns que na MG, mas podem ocorrer. Um dado importante é que, em 75% dos pacientes, há manifestações autonômicas, como xerostomia, disfunção erétil, diminuição da sudorese, hipotensão ortostática e reflexos pupilares lentos — o que explica a "pouca sudorese" e a "boca seca" do enunciado.

O diagnóstico é confirmado pela presença de anticorpos séricos contra o VGCC P/Q, encontrados em quase todos os casos paraneoplásicos. O exame eletrodiagnóstico também auxilia, demonstrando redução das amplitudes do potencial de ação muscular composto (PAMC) nos músculos distais, com facilitação do PAMC de pelo menos 100% após contração voluntária máxima ou estimulação repetitiva de alta frequência (facilitação pós-tetânica), e decremento do PAMC de mais de 10% com estimulação de baixa frequência. A diferenciação com a MG é feita pelo eletrodiagnóstico e pela pesquisa de anticorpos: na MG, os anticorpos são contra o receptor de acetilcolina (anti-AChR) ou anti-MuSK, e o padrão eletrofisiológico é de decremento sem facilitação significativa.

A banca explora a confusão entre SMLE e miastenia gravis, que são as duas principais doenças da junção neuromuscular. A chave para diferenciá-las está no mecanismo: na MG, o defeito é pós-sináptico (anticorpos contra receptores de ACh); na SMLE, é pré-sináptico (anticorpos contra canais de cálcio). Além disso, a SMLE tem associação muito mais forte com neoplasias, especialmente o carcinoma de pulmão de pequenas células, e apresenta sintomas autonômicos (boca seca, pouca sudorese) que são menos proeminentes na MG. O anticorpo anti-VGCC é o marcador específico da SMLE, enquanto o anti-AChR é o da MG.

Guarde a fronteira entre SMLE e MG: pré-sináptico (anti-VGCC) versus pós-sináptico (anti-AChR), e a forte associação da SMLE com câncer de pulmão de pequenas células. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Síndrome

Mecanismo

Anticorpo

Associação neoplásica

Manifestações típicas

Eaton-Lambert (gabarito)

Pré-sináptico (bloqueio de canais de cálcio VGCC P/Q)

Anti-VGCC

Carcinoma de pulmão de pequenas células (≈60%)

Fraqueza proximal (MMII > MMSS), xerostomia, ptose, diplopia, hipoidrose, reflexos diminuídos

Opsoclonus-Mioclonus

Autoimune contra antígenos neuronais

Anti-Ri (entre outros)

Neuroblastoma (crianças); pulmão, mama, ovário (adultos)

Opsoclonus, mioclonus, ataxia

Trousseau

Hipercoagulabilidade

Adenocarcinomas (pâncreas, pulmão)

Tromboflebite migratória recorrente

Cushing paraneoplásica

Produção ectópica de ACTH

Carcinoma de pulmão de pequenas células

Hipercortisolismo: ganho de peso, fácies de lua cheia, estrias, hipertensão, hipocalemia

Gottron (dermatomiosite)

Miopatia inflamatória

Anti-Mi-2, anti-Jo-1 (entre outros)

Pode ser paraneoplásica

Pápulas eritematovioláceas em articulações MCF e IFP

1Eaton-Lambert (anti-VGCC)
Fraqueza proximal (MMII)
Xerostomia, pouca sudorese
Ptose, diplopia
2Opsoclonus-Mioclonus (anti-Ri)
Opsoclonus, mioclonus, ataxia
3Trousseau
Tromboflebite migratória
4Cushing (ACTH ectópico)
Hipercortisolismo
5Gottron (dermatomiosite)
Pápulas em metacarpofalangianas
Síndromes paraneoplásicas (CPPC)
LEVELsoulevel.com.br
Síndromes paraneoplásicas (CPPC): Eaton-Lambert (anti-VGCC) (Fraqueza proximal (MMII), Xerostomia, pouca sudorese, Ptose, diplopia); Opsoclonus-Mioclonus (anti-Ri) (Opsoclonus, mioclonus, ataxia); Trousseau (Tromboflebite migratória); Cushing (ACTH ectópico) (Hipercortisolismo); Gottron (dermatomiosite) (Pápulas em metacarpofalangianas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A síndrome de Opsoclonus-Mioclonus é uma síndrome paraneoplásica caracterizada por opsoclonus (movimentos oculares rápidos e caóticos), mioclonus (abalos musculares involuntários) e ataxia. Está associada a neuroblastoma em crianças e a câncer de pulmão, mama e ovário em adultos. O mecanismo envolve anticorpos contra antígenos neuronais (como anti-Ri), não contra canais de cálcio. O paciente não apresenta opsoclonus nem mioclonus, e sim fraqueza muscular proximal com sintomas autonômicos, o que afasta essa alternativa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome de Eaton-Lambert (ou síndrome miastênica de Lambert-Eaton) é a manifestação paraneoplásica clássica do carcinoma de pulmão de pequenas células. O paciente apresenta todos os elementos típicos: neoplasia pulmonar de pequenas células, fraqueza muscular proximal (mais intensa em MMII), boca seca (xerostomia), ptose, diplopia, pouca sudorese (manifestação autonômica) e anticorpos anti-VGCC. O mecanismo é a redução da liberação de acetilcolina por bloqueio dos canais de cálcio pré-sinápticos, confirmando o diagnóstico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A síndrome de Trousseau refere-se à tromboflebite migratória recorrente associada a neoplasias, especialmente adenocarcinoma (como pâncreas e pulmão). É uma manifestação de hipercoagulabilidade, não uma síndrome neuromuscular. O paciente não apresenta trombose venosa, e sim fraqueza muscular com anticorpos anti-VGCC, o que descarta essa alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A síndrome de Cushing paraneoplásica é causada pela produção ectópica de ACTH pelo tumor, sendo o carcinoma de pulmão de pequenas células um dos tipos mais comuns. Manifesta-se com hipercortisolismo: ganho de peso, fácies de lua cheia, estrias, hipertensão, hiperglicemia, hipocalemia. O paciente não apresenta esses sinais, e sim fraqueza muscular com sintomas autonômicos e anticorpos anti-VGCC, característicos da SMLE.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Gottron (ou pápulas de Gottron) é uma manifestação cutânea da dermatomiosite, uma miopatia inflamatória. Caracteriza-se por pápulas eritematosas ou violáceas sobre as articulações metacarpofalangianas e interfalangianas proximais. Embora a dermatomiosite possa ser paraneoplásica, o paciente não apresenta lesões cutâneas, e sim fraqueza muscular com anticorpos anti-VGCC, que são específicos da SMLE, não da dermatomiosite.

Gabarito: letra B

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