Paciente 46 anos, com tosse persistente pós-Covid-19. Relatou um episódio de desmaio há 20 dias, atribuído à hipoglicemia na época. Procura serviço médico, e é submetido à tomografia de tórax, conforme demonstrado a seguir:(Arquivo pessoal; imagens usadas com autorização)Biópsia transparietal:Hematoxilina/eosina: tecido conectivo e células fibroblásticas.Imuno-histoquímica: negativo para citoqueratina e antígeno carcino-embriônico. Positivo para vimentina, CD34 e para oncoproteina bcl-2.O diagnóstico e a conduta são, respectivamente:
Aadenocarcinoma de pulmão; toracotomia com ressecção da lesão e de arco costal adjacente.
Btumor carcinoide típico; segmentectomia pulmonar não regrada por videotoracoscopia.
Chamartoma pulmonar típico; enucleação da lesão por videotoracoscopia.
Dmesotelioma pleural benigno; ressecção por videotoracoscopia.
Etumor de Askin em fase inicial; toracotomia com ressecção da lesão e de costelas.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — mesotelioma pleural benigno; ressecção por videotoracoscopia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Mesotelioma pleural benigno: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra D. O quadro clínico-radiológico (tosse persistente pós-Covid-19, episódio de síncope) associado à biópsia com células fibroblásticas e imuno-histoquímica negativa para citoqueratina e CEA, mas positiva para vimentina, CD34 e bcl-2, é característico do mesotelioma pleural benigno (fibroso), cuja conduta é a ressecção por videotoracoscopia. O diagnóstico diferencial com tumores epiteliais (adenocarcinoma) e neuroectodérmicos (tumor de Askin) é feito justamente pelo perfil imuno-histoquímico, que é o ponto-chave da questão.
O mesotelioma pleural benigno, também chamado de mesotelioma fibroso ou fibroma pleural, é uma neoplasia rara, geralmente de comportamento indolente, que se origina das células mesoteliais da pleura. Diferentemente do mesotelioma maligno, que está fortemente associado à exposição ao amianto e tem prognóstico sombrio, o mesotelioma benigno costuma se apresentar como uma massa bem delimitada, frequentemente pediculada, e pode estar associado a sintomas como tosse, dor torácica e, em alguns casos, hipoglicemia (síndrome de Doege-Potter) — o que explica o episódio de desmaio atribuído à hipoglicemia no enunciado. A síncope, nesse contexto, é um dado clínico importante que reforça o diagnóstico, pois a hipoglicemia paraneoplásica é uma manifestação clássica dos tumores fibrosos da pleura, devido à produção de fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-II).
O diagnóstico definitivo depende da análise histopatológica e, sobretudo, da imuno-histoquímica. No mesotelioma fibroso benigno, o padrão é: negatividade para citoqueratina (marcador de linhagem epitelial) e para antígeno carcino-embriônico (CEA) (marcador de adenocarcinoma), e positividade para vimentina (marcador mesenquimal), CD34 (marcador de células progenitoras endoteliais/mesenquimais) e bcl-2 (oncoproteína antiapoptótica). Esse perfil contrasta com o adenocarcinoma de pulmão, que é citoqueratina e CEA positivo; com o tumor carcinoide, que é positivo para marcadores neuroendócrinos (cromogranina, sinaptofisina); e com o tumor de Askin (sarcoma de Ewing extraósseo), que é positivo para CD99 e FLI-1, e negativo para citoqueratina e CD34.
A conduta terapêutica para o mesotelioma pleural benigno é a ressecção cirúrgica completa, preferencialmente por videotoracoscopia (VATS), que é minimamente invasiva e permite a excisão da lesão com margens adequadas. A toracotomia com ressecção de arco costal adjacente é reservada para lesões malignas ou localmente invasivas, como o mesotelioma maligno ou tumores que invadem a parede torácica. A segmentectomia pulmonar é indicada para tumores pulmonares parenquimatosos, não para lesões pleurais. A enucleação por videotoracoscopia é uma técnica descrita para hamartomas pulmonares, mas o diagnóstico de hamartoma é afastado pela imuno-histoquímica (hamartoma é positivo para citoqueratina e negativo para CD34 e bcl-2).
A pegadinha da questão está em associar o perfil imuno-histoquímico ao diagnóstico correto. O candidato que não domina a imuno-histoquímica dos tumores pleurais pode confundir o mesotelioma benigno com adenocarcinoma (pela localização pulmonar) ou com tumor de Askin (pela localização torácica e idade). No entanto, a negatividade para citoqueratina e CEA, somada à positividade para vimentina, CD34 e bcl-2, é praticamente patognomônica do mesotelioma fibroso benigno. Além disso, a história de hipoglicemia (síndrome de Doege-Potter) é um forte indicativo clínico dessa neoplasia.
Guarde o perfil imuno-histoquímico como o critério decisivo: é ele que separa o mesotelioma benigno (vimentina+, CD34+, bcl-2+, citoqueratina−, CEA−) dos demais tumores torácicos. Vamos analisar cada alternativa à luz desse perfil.
Critério
Mesotelioma pleural benigno (gabarito)
Adenocarcinoma de pulmão (A)
Tumor carcinoide típico (B)
Hamartoma pulmonar (C)
Tumor de Askin (E)
Imuno-histoquímica (citoqueratina)
Negativo
Positivo
Positivo
Positivo
Negativo
Imuno-histoquímica (CEA)
Negativo
Positivo
Negativo
Negativo
Negativo
Imuno-histoquímica (vimentina)
Positivo
Negativo
Negativo
Positivo (variável)
Positivo
Imuno-histoquímica (CD34)
Positivo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Imuno-histoquímica (bcl-2)
Positivo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Marcador específico
—
TTF-1
Cromogranina, sinaptofisina
—
CD99, FLI-1
Localização
Pleura
Parênquima pulmonar
Parênquima pulmonar
Parênquima pulmonar
Parede torácica
Manifestação paraneoplásica (hipoglicemia)
Sim (síndrome de Doege-Potter)
Não
Não
Não
Não
Conduta
Ressecção por videotoracoscopia
Toracotomia com ressecção (se invasivo)
Segmentectomia/lobectomia
Enucleação por VATS
Toracotomia com ressecção de costelas
Mesotelioma pleural benigno: Perfil imuno-histoquímico (Citoqueratina, CEA, Vimentina, CD34, bcl-2); Manifestação paraneoplásica (Hipoglicemia (síndrome de Doege-Potter)); Conduta (Ressecção por videotoracoscopia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O adenocarcinoma de pulmão é uma neoplasia epitelial, portanto positiva para citoqueratina e CEA, exatamente o oposto do perfil apresentado (negativo para ambos). Além disso, a conduta de toracotomia com ressecção de arco costal adjacente seria indicada para lesões com invasão da parede torácica, o que não é o caso de um mesotelioma benigno bem delimitado. A hipoglicemia paraneoplásica também não é característica do adenocarcinoma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tumor carcinoide típico é uma neoplasia neuroendócrina, que expressa marcadores como cromogranina A e sinaptofisina, e é positivo para citoqueratina — não se encaixa no perfil imuno-histoquímico descrito (citoqueratina negativa). Além disso, o carcinoide é um tumor pulmonar parenquimatoso, e a conduta seria a ressecção pulmonar (segmentectomia ou lobectomia), não a ressecção de uma lesão pleural. A hipoglicemia também não é uma manifestação típica do carcinoide.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O hamartoma pulmonar é o tumor benigno mais comum do pulmão, mas sua imuno-histoquímica é positiva para citoqueratina (componente epitelial) e negativa para CD34 e bcl-2, o que o exclui. Além disso, o hamartoma é uma lesão parenquimatosa, e a conduta de enucleação por videotoracoscopia, embora seja uma técnica válida, não se aplica ao caso, pois o diagnóstico é de mesotelioma pleural, não de hamartoma. A hipoglicemia não é uma manifestação do hamartoma.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O mesotelioma pleural benigno (fibroso) apresenta exatamente o perfil imuno-histoquímico descrito: negativo para citoqueratina e CEA, positivo para vimentina, CD34 e bcl-2. A história de hipoglicemia (síndrome de Doege-Potter) é uma manifestação paraneoplásica clássica dessa neoplasia, explicando o episódio de desmaio. A conduta é a ressecção por videotoracoscopia, que é o tratamento de escolha para lesões pleurais benignas bem delimitadas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tumor de Askin é um sarcoma de Ewing extraósseo da parede torácica, que ocorre tipicamente em crianças e adultos jovens, e sua imuno-histoquímica é positiva para CD99 e FLI-1, e negativa para CD34 e bcl-2 — não se encaixa no perfil descrito. Além disso, a conduta de toracotomia com ressecção de costelas seria indicada para tumores localmente invasivos da parede torácica, o que não é o caso de um mesotelioma benigno. A hipoglicemia também não é uma manifestação típica do tumor de Askin.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os tumores torácicos com base na localização e na idade do paciente. O candidato pode ser tentado a escolher adenocarcinoma (pela tosse e localização pulmonar) ou tumor de Askin (pela localização torácica), mas o perfil imuno-histoquímico é o divisor de águas: citoqueratina negativa e CEA negativa excluem tumores epiteliais, enquanto vimentina, CD34 e bcl-2 positivos apontam para o mesotelioma fibroso benigno. Além disso, a hipoglicemia é uma pista clínica valiosa que reforça o diagnóstico. Com treino, você reconhece esses padrões de imuno-histoquímica com segurança 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de tumores torácicos, monte uma tabela mental com o perfil imuno-histoquímico dos principais diagnósticos diferenciais: adenocarcinoma (citoqueratina+, CEA+, TTF-1+), carcinoide (cromogranina+, sinaptofisina+, citoqueratina+), hamartoma (citoqueratina+, vimentina±), mesotelioma benigno (vimentina+, CD34+, bcl-2+, citoqueratina−, CEA−) e tumor de Askin (CD99+, FLI-1+). Essa tabela resolve a maioria das questões de patologia torácica.