Paciente 67 anos, com osteoporose severa após a menopausa. Fratura/achatamento de corpo vertebral de T5 (há 4 anos) e L1 (há dois anos), sem lesão neurológica, com cifose moderada. Fratura de colo de fêmur com tratamento cirúrgico há 7 anos. Família refere que a paciente perdeu cerca de oito centímetros nos últimos anos, segundo os médicos em virtude das fraturas. Há um ano apresenta crises de tosse intensa, após IOT (4 dias) por pneumonia bacteriana. As crises estão se acentuando, principalmente durante a noite, acompanhadas de dispneia moderada. Broncoscopia mostra colabamento anteroposterior da subglote e de toda a traqueia, durante expiração, com obstrução completa.O diagnóstico e a conduta são, respectivamente:
Aestenose de traqueia; implantação de tubo T de Montgomery longo.
Bdoença pulmonar obstrutiva crônica; tratamento conservador da doença de base.
Claringotraqueomalácia; ressecção de 3 a 5 anéis traqueais por cervicotomia.
Dbronquiectasias em virtude da pneumonia e IOT pregressas; tratamento clínico com antibioticoterapia inalatória.
Edisfunção de cordas vocais em função da cifose; indicação de ventilação compressão positiva em vias aéreas (CPAP).
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — laringotraqueomalácia; ressecção de 3 a 5 anéis traqueais por cervicotomia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Laringotraqueomalácia: diagnóstico e conduta cirúrgica
Gabarito: letra C. O quadro clínico — tosse intensa, dispneia, colabamento anteroposterior da subglote e de toda a traqueia durante a expiração, com obstrução completa à broncoscopia — é característico de laringotraqueomalácia, e a conduta cirúrgica indicada é a ressecção de 3 a 5 anéis traqueais por cervicotomia. As demais alternativas apresentam diagnósticos ou condutas incompatíveis com o caso.
A laringotraqueomalácia é uma condição caracterizada pela fragilidade da cartilagem da laringe e da traqueia, que colapsa durante a inspiração ou expiração, causando obstrução das vias aéreas. No adulto, geralmente é adquirida, podendo ser consequência de intubação orotraqueal prolongada, trauma, ou, como no caso, de alterações estruturais associadas à cifose torácica. O colapso dinâmico das vias aéreas durante a expiração é o achado broncoscópico clássico, diferenciando-a de estenoses fixas, onde o lúmen permanece reduzido em todas as fases do ciclo respiratório.
O tratamento da laringotraqueomalácia depende da gravidade dos sintomas. Em casos leves, o manejo conservador pode ser suficiente. Porém, em pacientes com obstrução significativa, como o descrito, a intervenção cirúrgica é necessária. A ressecção traqueal com anastomose término-terminal, removendo de 3 a 5 anéis traqueais, é o procedimento de escolha para lesões localizadas na traqueia cervical, sendo realizada por cervicotomia. Essa técnica permite a remoção do segmento colapsado e a restauração da perviedade das vias aéreas.
A distinção entre laringotraqueomalácia e estenose traqueal é crucial. Na estenose, há um estreitamento fixo do lúmen, geralmente por tecido cicatricial, que não colapsa dinamicamente. Na malácia, a cartilagem é flácida e colapsa durante a respiração. A broncoscopia é o exame que diferencia essas condições: na malácia, observa-se o colabamento durante a expiração, enquanto na estenose, o lúmen permanece reduzido de forma constante. Essa distinção é fundamental para a escolha da conduta, pois a estenose pode ser tratada com dilatação, stent ou ressecção, enquanto a malácia, quando sintomática, geralmente requer ressecção do segmento acometido.
A banca explora a confusão entre laringotraqueomalácia e estenose traqueal, além de apresentar condutas inadequadas para o caso. É essencial reconhecer o padrão broncoscópico de colabamento dinâmico para diferenciar essas entidades e indicar o tratamento cirúrgico correto.
Laringotraqueomalácia
1Definição
Fragilidade da cartilagem
Colapso dinâmico (inspiração/expiração)
2Causas no adulto
IOT prolongada
Trauma
Alterações estruturais (cifose)
3Diagnóstico
Broncoscopia: colabamento na expiração
Diferencial: estenose fixa (lúmen constante)
4Tratamento
Casos leves: conservador
Obstrução significativa: ressecção de 3–5 anéis
Anastomose término-terminal
Acesso por cervicotomia
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao diagnosticar estenose de traqueia. A broncoscopia mostra colabamento dinâmico durante a expiração, característico de malácia, e não um estreitamento fixo. O tubo T de Montgomery é utilizado para estenoses traqueais extensas, não para malácia, onde a ressecção do segmento colapsado é a conduta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao diagnosticar DPOC. A paciente não apresenta história de tabagismo ou obstrução crônica ao fluxo aéreo; o quadro é agudo, com tosse e dispneia, e a broncoscopia evidencia colabamento traqueal, não compatível com DPOC. O tratamento conservador da doença de base não abordaria a obstrução mecânica das vias aéreas.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao diagnosticar laringotraqueomalácia e indicar a ressecção de 3 a 5 anéis traqueais por cervicotomia. O colabamento anteroposterior da subglote e da traqueia durante a expiração, visto na broncoscopia, é o achado típico da malácia. A ressecção do segmento colapsado com anastomose término-terminal é o tratamento cirúrgico de escolha para lesões localizadas na traqueia cervical.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao diagnosticar bronquiectasias. A broncoscopia não mostra dilatação brônquica, mas sim colabamento traqueal. A pneumonia e a IOT prévias são fatores de risco para estenose ou malácia, mas não justificam o quadro atual. O tratamento clínico com antibioticoterapia inalatória não é indicado para bronquiectasias sem evidência de infecção ativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao diagnosticar disfunção de cordas vocais. A broncoscopia mostra colabamento da subglote e da traqueia, não das cordas vocais. A cifose pode contribuir para alterações posturais, mas não causa diretamente disfunção de cordas vocais. O CPAP não é o tratamento de escolha para malácia traqueal, sendo a ressecção cirúrgica a conduta adequada.