Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu092722
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Torácica
Paciente, vítima de trauma cranioencefálico (TCE) e politrauma, submetido à laparotomia por lesão hepática e gástrica graves. Sondagem nasogástrica (sete dias), drenagem torácica esquerda (oito dias), drenagem abdominal com dreno tubulolaminar à direita (15 dias). Permaneceu com intubação orotraqueal por nove dias e, posteriormente, foi submetido à traqueostomia, mantido com cânula plástica com balonete por mais vinte dias. Evoluindo com melhora do nível de consciência, trocou-se a cânula de traqueostomia plástica por metálica, realimentou-se por via oral o paciente, porém ele apresentou aumento do volume de secreção pulmonar e expectoração abundante.O diagnóstico e a conduta são, respectivamente:
Adisfunção de cordas vocais pela IOT prolongada; laringonasofibroscopia diagnóstica.
Bestenose de traqueia pós-IOT prolongada; recolocação de cânula plástica de traqueostomia.
Cfístula traqueoesofágica pós-IOT prolongada; broncofibroscopia para diagnóstico e aspiração traqueal.
Dpneumonia bacteriana; broncoscopia pela traqueostomia metálica para coleta de material para cultura.
Elaceração esofagotraqueal devido a IOT no atendimento inicial; inserção de endoprótese esofágica.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — fístula traqueoesofágica pós-IOT prolongada; broncofibroscopia para diagnóstico e aspiração traqueal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Fístula traqueoesofágica pós-intubação prolongada
Gabarito: letra C. O quadro clínico — paciente com intubação orotraqueal prolongada (9 dias) e traqueostomia com balonete (20 dias), que evolui com aumento de secreção pulmonar e expectoração abundante após realimentação oral — é clássico de fístula traqueoesofágica (FTE), e a conduta diagnóstica inicial é a broncofibroscopia, que permite visualizar a comunicação e aspirar a traqueia. O contexto de apoio confirma a importância da via aérea no TCE grave, mas o diagnóstico aqui é eminentemente clínico e endoscópico.
A fístula traqueoesofágica é uma comunicação anormal entre a traqueia e o esôfago. No paciente crítico, a causa mais comum é a lesão por pressão/isquemia da parede posterior da traqueia e da parede anterior do esôfago, provocada pelo balonete do tubo orotraqueal ou da cânula de traqueostomia. O balonete, quando hiperinsuflado ou mantido por tempo prolongado, comprime a mucosa e reduz a perfusão sanguínea local, levando à necrose e, eventualmente, à formação de um trajeto fistuloso entre as duas estruturas. O risco aumenta com a duração da intubação, com o uso de corticosteroides e com a presença de sonda nasogástrica (que serve de "bigorna" contra a qual a parede traqueal é comprimida).
O quadro clínico é característico: o paciente, ao ser realimentado por via oral, apresenta acesso de tosse, engasgo e aumento da secreção pulmonar, pois o alimento e a saliva passam pelo orifício fistuloso e caem na árvore traqueobrônquica. A expectoração abundante e o aumento do volume de secreção pulmonar são a tradução clínica da aspiração recorrente. Em pacientes com traqueostomia, a suspeita é ainda maior quando há saída de ar pelo nariz/boca durante a ventilação ou quando o volume corrente ventilado é menor que o esperado.
O diagnóstico é confirmado por broncofibroscopia, que permite visualizar diretamente o orifício fistuloso na parede posterior da traqueia. A broncoscopia também serve para aspirar secreções e avaliar a extensão da lesão. Em alguns casos, a videolaringoscopia ou a deglutição de contraste podem auxiliar, mas a broncoscopia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico e para o planejamento terapêutico. A conduta inicial, além do diagnóstico, inclui a aspiração traqueal para limpar a via aérea e reduzir o risco de pneumonia aspirativa.
A alternativa C é a única que associa corretamente o diagnóstico (fístula traqueoesofágica pós-IOT prolongada) à conduta (broncofibroscopia para diagnóstico e aspiração traqueal). As demais alternativas apresentam diagnósticos que não se encaixam no quadro clínico descrito, como veremos a seguir.
1Balonete hiperinsuflado/prolongado
2Compressão e isquemia da parede
3Necrose e formação do trajeto
4Comunicação traqueia-esôfago
5Aspiração ao realimentar
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A disfunção de cordas vocais pela IOT prolongada é uma complicação real, mas o quadro clínico descrito — aumento de secreção pulmonar e expectoração abundante após realimentação oral — não é compatível. A disfunção de cordas vocais cursaria com disfonia, estridor ou dificuldade de deglutição, mas não com o quadro de aspiração maciça e secreção pulmonar aumentada. Além disso, a laringonasofibroscopia é um exame para avaliar a laringe e as cordas vocais, não a via aérea distal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A estenose traqueal pós-IOT prolongada é outra complicação possível, mas o quadro clínico seria de dispneia, estridor e dificuldade ventilatória progressiva, não de aumento de secreção pulmonar após realimentação. A recolocação de cânula plástica de traqueostomia não trata a estenose e não explica o sintoma desencadeado pela alimentação oral.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A fístula traqueoesofágica pós-IOT prolongada é o diagnóstico que melhor explica o quadro: o paciente, após realimentação oral, apresenta aumento de secreção pulmonar e expectoração abundante, pois o alimento passa pela fístula e cai na traqueia. A broncofibroscopia é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e permite a aspiração traqueal das secreções. A alternativa está correta em ambos os aspectos: diagnóstico e conduta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A pneumonia bacteriana é um diagnóstico diferencial importante, mas o gatilho do quadro — a realimentação oral — aponta fortemente para aspiração por fístula, não para uma pneumonia primária. Além disso, a broncoscopia pela traqueostomia metálica para coleta de material para cultura é uma conduta possível, mas não é o primeiro passo diagnóstico diante da suspeita de fístula. A broncoscopia diagnóstica para visualizar a fístula é mais específica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A laceração esofagotraqueal devido à IOT no atendimento inicial é uma complicação aguda, que ocorreria no momento da intubação, não após 29 dias de ventilação. O quadro clínico descrito é de uma complicação tardia, não de uma lesão imediata. A inserção de endoprótese esofágica é um tratamento para fístulas, mas não é a conduta diagnóstica inicial, e o diagnóstico de laceração aguda não se aplica ao caso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as complicações da IOT prolongada. O candidato pode ser tentado a escolher a pneumonia bacteriana (alternativa D), pois o aumento de secreção pulmonar é um sintoma comum. No entanto, o gatilho do quadro — a realimentação oral — é a chave: ele aponta para aspiração por fístula traqueoesofágica, não para uma pneumonia primária. Fique atento a esse detalhe: a relação temporal entre o sintoma e o evento (alimentação) é o que diferencia o diagnóstico.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de complicações de IOT/traqueostomia, monte um quadro mental com as principais complicações e seus sintomas-chave: fístula traqueoesofágica (aspiração após alimentação, tosse, secreção aumentada), estenose traqueal (dispneia, estridor), disfunção de cordas vocais (disfonia, estridor), pneumonia (febre, secreção purulenta, sem relação com alimentação). O gatilho temporal é o seu melhor aliado.