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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu092724
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Torácica
Paciente 60 anos submetido à lobectomia inferior direita por bronquiectasia, sem intercorrências. Retirado dreno no terceiro dia pós-operatório. No oitavo dia, apresenta febre, dor torácica direita, tosse com expectoração amarelada em moderada quantidade. Radiografia de tórax evidencia nível hidroaéreo pequeno.Diagnóstico e conduta imediatos são, respectivamente:
  1. Apneumonia bactéria; antibioticoterapia sistêmica.
  2. Bempiema pleural com fístula; drenagem pleural.
  3. Cexacerbação infecciosa da broncopatia; fisioterapia respiratória.
  4. Dhemotórax residual; toracotomia e drenagem pleural.
  5. Eatelectasia pulmonar infectada; broncoscopia/aspiração brônquica.
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GabaritoB — empiema pleural com fístula; drenagem pleural.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Complicações pós-operatórias em cirurgia torácica: empiema e fístula broncopleural

Gabarito: letra B. O quadro clínico — febre, dor torácica, tosse com expectoração purulenta e nível hidroaéreo na radiografia, após lobectomia com retirada de dreno — é clássico de empiema pleural com fístula broncopleural, e a conduta imediata é a drenagem pleural. A associação de pus no espaço pleural com ar (nível hidroaéreo) indica comunicação entre a árvore brônquica e a cavidade pleural, exatamente o que define a fístula broncopleural.

O empiema pleural é a infecção do espaço pleural com acúmulo de pus, uma complicação temida após ressecções pulmonares. A fisiopatologia começa com a contaminação bacteriana da cavidade pleural, que pode ocorrer por contiguidade (a partir do parênquima pulmonar infectado), por contaminação direta durante o ato cirúrgico ou, mais especificamente neste caso, por uma fístula broncopleural — uma comunicação anormal entre um brônquio e o espaço pleural. Quando o paciente submetido a lobectomia apresenta, dias após a retirada do dreno, febre, dor torácica e expectoração purulenta, a hipótese mais forte é a de que a linha de sutura brônquica tenha deiscido (aberto), permitindo a passagem de ar e secreções para a pleura. O ar proveniente da fístula, somado ao pus, gera o nível hidroaéreo característico na radiografia de tórax.

A conduta imediata diante dessa suspeita é a drenagem pleural fechada (tubo de tórax), que tem dupla função: evacuar o pus e o ar, controlando a sepse, e permitir a reexpansão pulmonar. A drenagem é o passo inicial e urgente; a abordagem definitiva da fístula (cirurgia, quando necessária) fica para um segundo momento, após estabilização do paciente e tratamento da infecção. Antibioticoterapia sistêmica é adjuvante, mas não substitui a drenagem — sem ela, o pus permanece loculado e o quadro não se resolve.

A distinção crucial que separa as alternativas é o reconhecimento do nível hidroaéreo como sinal de fístula broncopleural (ar + líquido no espaço pleural), e não de pneumonia, atelectasia ou hemotórax. A pneumonia pós-operatória costuma apresentar infiltrado parenquimatoso, não nível hidroaéreo. A atelectasia infectada pode cursar com febre e expectoração, mas o achado radiológico típico é de opacidade com perda de volume, sem nível hidroaéreo. O hemotórax residual ocorreria mais precocemente e com derrame de densidade hemática, não purulento. A exacerbação da broncopatia de base não explicaria o nível hidroaéreo. É exatamente a presença de ar e pus na pleura que aponta para a fístula e o empiema, tornando a drenagem a conduta imediata correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre complicações pós-operatórias que cursam com febre e expectoração. O candidato pode ser tentado a escolher "pneumonia" (alternativa A) ou "atelectasia infectada" (alternativa E), mas o nível hidroaéreo é o termo decisivo: ele indica ar e líquido no espaço pleural, o que só ocorre no empiema com fístula broncopleural. Pneumonia e atelectasia são processos parenquimatosos, sem nível hidroaéreo. Fique atento a esse sinal radiológico — ele muda completamente o diagnóstico e a conduta.

Critério

Empiema com Fístula Broncopleural (Gabarito)

Pneumonia (A)

Atelectasia Infectada (E)

Achado radiológico

Nível hidroaéreo (ar + pus na pleura)

Consolidação/opacidade parenquimatosa

Opacidade com perda de volume, sem nível hidroaéreo

Local do processo

Espaço pleural

Parênquima pulmonar

Parênquima pulmonar (colapso alveolar)

Conduta imediata

Drenagem pleural fechada

Antibioticoterapia sistêmica

Broncoscopia/aspiração brônquica

  1. 1Cirurgia + dreno
  2. 2Retirada do dreno (3º dia)
  3. 3Febre, dor, expectoração (8º dia)
  4. 4Nível hidroaéreo no RX
  5. 5Empiema + fístula broncopleural
  6. 6Drenagem pleural imediata
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A pneumonia bacteriana pós-operatória é uma complicação possível, mas o achado radiológico de nível hidroaéreo não é compatível com pneumonia, que se manifesta como consolidação/opacidade parenquimatosa. Além disso, a conduta imediata seria antibioticoterapia, mas o diagnóstico está errado — o nível hidroaéreo indica ar e pus na pleura, não infecção do parênquima. A presença de expectoração purulenta pode ocorrer na pneumonia, mas o nível hidroaéreo é o diferencial que aponta para o espaço pleural.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O quadro é de empiema pleural com fístula broncopleural: febre, dor torácica, expectoração purulenta e nível hidroaéreo na radiografia, após lobectomia com retirada de dreno. A fístula broncopleural é a comunicação entre o brônquio e o espaço pleural, permitindo a entrada de ar e secreções, gerando o nível hidroaéreo. A conduta imediata é a drenagem pleural fechada para evacuar pus e ar, controlar a sepse e promover a reexpansão pulmonar. A drenagem é o passo inicial e urgente; a abordagem definitiva da fístula fica para um segundo momento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A exacerbação infecciosa da broncopatia de base (bronquiectasia) poderia explicar febre e expectoração purulenta, mas não explica o nível hidroaéreo na radiografia. A bronquiectasia é uma doença parenquimatosa/brônquica, e sua exacerbação não gera ar e líquido no espaço pleural. A conduta proposta (fisioterapia respiratória) seria insuficiente e inadequada para um empiema com fístula, que exige drenagem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O hemotórax residual é uma complicação que ocorre mais precocemente no pós-operatório, com derrame de densidade hemática, e não cursa com expectoração purulenta. O nível hidroaéreo pode aparecer em hemotórax com fístula, mas o quadro clínico (febre, expectoração purulenta) é de infecção, não de sangramento. Além disso, a conduta de toracotomia imediata seria excessiva; a drenagem pleural é o primeiro passo, e a toracotomia fica reservada para falha da drenagem ou sangramento ativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A atelectasia pulmonar infectada pode cursar com febre e expectoração, mas o achado radiológico típico é de opacidade com perda de volume, sem nível hidroaéreo. O nível hidroaéreo indica ar e líquido no espaço pleural, não colapso alveolar. A conduta de broncoscopia/aspiração brônquica seria indicada para atelectasia por rolha de secreção, mas não trata o empiema com fístula, que exige drenagem pleural.

Gabarito: letra B — empiema pleural com fístula broncopleural, com conduta imediata de drenagem pleural.

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