Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu092729
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Torácica
Para avaliação de risco cardiovascular/cardíaco, em pacientes candidatos a ressecção pulmonar, e considerando o ThRCI (Thoracic revised Cardiac Risk Index), são parâmetros que devem ser considerados na sua determinação:
Adoença cardíaca nova, possibilidade de pneumonectomia, AVC ou AIT prévios e creatinina sérica maior que 2 mg/dL.
Bdoença cardíaca que necessite medicação, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica e possibilidade de lobectomia.
Csíndrome inflamatória sistêmica por doença autoimune, radioterapia pulmonar prévia, quimioterapia neoadjuvante e doença arterial coronariana.
Didade do paciente, via de acesso, experiência da equipe e do centro especializado e imunoterapia concomitante.
Edoença cardíaca nova, imunoterapia, quimioterapia e radioterapia neoadjuvante.
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GabaritoA — doença cardíaca nova, possibilidade de pneumonectomia, AVC ou AIT prévios e creatinina sérica maior que 2 mg/dL.
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ThRCI (Thoracic revised Cardiac Risk Index) na avaliação pré-operatória de ressecção pulmonar
Gabarito: letra A. O ThRCI é um escore específico para cirurgia torácica que incorpora, além de fatores do RCRI, a possibilidade de pneumonectomia como preditor de risco. Os parâmetros que o compõem são: doença cardíaca nova, possibilidade de pneumonectomia, AVC ou AIT prévios e creatinina sérica > 2 mg/dL — exatamente o que a alternativa A descreve.
O ThRCI (Thoracic revised Cardiac Risk Index) é uma adaptação do RCRI (Revised Cardiac Risk Index) para o contexto específico da cirurgia torácica, especialmente a ressecção pulmonar. O RCRI original, descrito por Lee e colaboradores em 1999, é um modelo de estratificação de risco cardíaco perioperatório para cirurgias não cardíacas de grande porte, baseado em seis preditores independentes: tipo de cirurgia de alto risco (vascular suprainguinal, intratorácica ou intraperitoneal), cardiopatia isquêmica, insuficiência cardíaca congestiva, doença cerebrovascular, diabetes mellitus insulinodependente e insuficiência renal (creatinina > 2,0 mg/dL). Cada preditor presente soma 1 ponto, e o risco de eventos cardíacos maiores (IAM, edema pulmonar, fibrilação ventricular ou parada cardíaca primária e bloqueio cardíaco completo) aumenta progressivamente com o escore.
O ThRCI, por sua vez, foi desenvolvido especificamente para pacientes candidatos a ressecção pulmonar, substituindo o critério genérico de "cirurgia de alto risco" do RCRI por um fator mais específico: a possibilidade de pneumonectomia. Isso porque a pneumonectomia é o procedimento de maior porte e maior risco cardiovascular entre as ressecções pulmonares, comparada à lobectomia ou segmentectomia. Os demais componentes do ThRCI são mantidos do RCRI: doença cardíaca isquêmica (aqui expressa como "doença cardíaca nova", ou seja, doença coronariana ou ICC de início recente ou descompensada), história de AVC ou AIT, e creatinina sérica > 2 mg/dL.
Na prática, o ThRCI é utilizado para estimar o risco de complicações cardíacas maiores (IAM, edema pulmonar, fibrilação ventricular, parada cardíaca primária e bloqueio cardíaco completo) no perioperatório de ressecções pulmonares. Um escore mais alto indica maior risco e pode orientar a necessidade de avaliação cardiológica adicional, otimização do tratamento clínico ou até mesmo a reconsideração da abordagem cirúrgica (por exemplo, preferir uma lobectomia a uma pneumonectomia, se oncologicamente viável).
A distinção crucial que esta questão explora é entre o ThRCI e outros escores ou fatores de risco que não fazem parte dele. A banca mistura elementos de outros modelos de risco (como o NSQIP, que inclui idade e capacidade funcional), fatores de risco cardiovascular tradicionais (como HAS e diabetes), e até tratamentos oncológicos (quimioterapia, radioterapia, imunoterapia) que não integram o ThRCI. O candidato que decora o RCRI pode até reconhecer alguns componentes, mas precisa saber que o ThRCI substitui o critério de "cirurgia de alto risco" pela pneumonectomia e não inclui diabetes, HAS, idade ou terapias oncológicas.
Guarde a composição exata do ThRCI: são quatro parâmetros — doença cardíaca nova, possibilidade de pneumonectomia, AVC/AIT prévios e creatinina > 2 mg/dL. É exatamente nessa lista fechada que as alternativas se dividem: as incorretas incluem fatores que não pertencem ao escore.
Diabetes mellitus; HAS; idade; via de acesso; experiência da equipe; quimio/radio/imunoterapia
Origem dos fatores
Adaptação do RCRI para cirurgia torácica (substitui "cirurgia de alto risco" por pneumonectomia)
Fatores de outros modelos (NSQIP) ou tratamentos oncológicos, que não integram o escore
Número de parâmetros
Lista fechada com 4 itens
Itens extras ou substituições que descaracterizam o escore
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reproduz fielmente os quatro componentes do ThRCI: doença cardíaca nova (que engloba cardiopatia isquêmica ou ICC de início recente), possibilidade de pneumonectomia (o fator específico que substitui o critério genérico de cirurgia de alto risco do RCRI), AVC ou AIT prévios (doença cerebrovascular) e creatinina sérica > 2 mg/dL (insuficiência renal). Todos são preditores independentes de complicações cardíacas no perioperatório de ressecção pulmonar, conforme o modelo ThRCI.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B inclui diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica, que não fazem parte do ThRCI. O diabetes só entra no RCRI quando é insulinodependente (e mesmo assim não é componente do ThRCI), e a HAS não é preditor em nenhum dos dois escores. Além disso, troca "pneumonectomia" por "lobectomia", que é uma cirurgia de menor porte e não é o fator de risco específico do ThRCI. O erro aqui é duplo: incluir fatores que não pertencem ao escore e substituir o procedimento de maior risco por um de menor risco.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C traz síndrome inflamatória sistêmica por doença autoimune, radioterapia pulmonar prévia, quimioterapia neoadjuvante e doença arterial coronariana. Embora a doença arterial coronariana seja um componente do ThRCI (como parte da "doença cardíaca nova"), os demais itens — síndrome inflamatória, radioterapia e quimioterapia — são fatores relacionados ao tratamento oncológico e à comorbidade, mas não são preditores do ThRCI. A banca mistura elementos que podem influenciar o risco cirúrgico global, mas que não integram este escore específico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D menciona idade do paciente, via de acesso, experiência da equipe e do centro especializado e imunoterapia concomitante. Nenhum desses fatores faz parte do ThRCI. A idade é um preditor do modelo NSQIP, não do ThRCI; a via de acesso e a experiência da equipe são considerações clínicas gerais, mas não são componentes de escore; e a imunoterapia é um tratamento oncológico moderno que não integra o ThRCI. Esta alternativa é a mais distante da composição real do escore.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E repete doença cardíaca nova (correto), mas acrescenta imunoterapia, quimioterapia e radioterapia neoadjuvante, que são tratamentos oncológicos e não fazem parte do ThRCI. A banca usa um componente verdadeiro para "ancorar" a alternativa e depois insere itens que parecem plausíveis no contexto de ressecção pulmonar, mas que não são preditores do escore. O candidato que reconhece "doença cardíaca nova" pode ser tentado a marcar esta opção, mas os demais itens a tornam incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o ThRCI e outros modelos de risco ou fatores gerais. O candidato pode lembrar do RCRI e achar que diabetes e HAS entram no escore, ou pode achar que tratamentos oncológicos (quimio, radio, imunoterapia) fazem parte por serem comuns no contexto de câncer de pulmão. Mas o ThRCI é uma lista fechada de quatro itens: doença cardíaca nova, pneumonectomia, AVC/AIT e creatinina > 2 mg/dL. Decore essa lista e você elimina as quatro alternativas incorretas na hora.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar o ThRCI, compare com o RCRI: o ThRCI substitui o critério "cirurgia de alto risco" do RCRI por "pneumonectomia" e remove diabetes e ICC como itens separados (a ICC entra em "doença cardíaca nova"). Na prova, desconfie de qualquer alternativa que traga HAS, diabetes, idade, ou terapias oncológicas — nenhum desses é componente do ThRCI.