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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2025

MedicinaOncologia
Código
vu092731
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Torácica
Paciente 48 anos, com neoplasia de mama (carcinoma ductal invasivo, positivo para marcadores hormonais). Estadiamento da doença mamária demonstra nódulo pulmonar, padrão de vidro fosco, em lobo superior de pulmão esquerdo (tomografia de tórax), com 1,8 cm no maior eixo, alongado, distante 1,0 cm da parece torácica lateral. Paciente tem tomografia de tórax realizada 5 anos atrás, evidenciando o nódulo, com as mesmas características. No momento, assintomática do ponto de vista infeccioso e pulmonar.Dados: PET = pósitron emission tomography; CT = computet tomography; SUV = standardized uptake value; BAAR = bacilo álcool ácido resistente.A conduta momentânea, quanto ao nódulo pulmonar, será submeter a paciente a
  1. Abiópsia dirigida por tomografia.
  2. Bbroncofibroscopia e criobiópsia.
  3. Cnova tomografia em prazo não superior a seis meses.
  4. DPET/CT e biópsia transparietal, se SUVmax ≤ 2,5.
  5. Epesquisa por citologia oncótica no escarro e/ou por lavado broncoalveolar.
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GabaritoC — nova tomografia em prazo não superior a seis meses.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nódulo pulmonar em paciente com câncer de mama: conduta expectante

Gabarito: letra C. O nódulo pulmonar em vidro fosco, estável há 5 anos, em paciente assintomática, tem altíssima probabilidade de ser benigno (padrão de estabilidade radiológica), o que torna desnecessária a investigação invasiva imediata. A conduta correta é o seguimento com nova tomografia em prazo não superior a seis meses, conforme recomendam as diretrizes de rastreamento e acompanhamento de nódulos pulmonares (Fleischner Society).

O nódulo pulmonar em vidro fosco (ground-glass opacity) é um achado tomográfico caracterizado por opacidade pulmonar que não obscurece as estruturas broncovasculares subjacentes. Pode representar desde processos inflamatórios benignos até neoplasias, incluindo adenocarcinoma de pulmão minimamente invasivo ou carcinoma in situ. A conduta diante de um nódulo pulmonar depende fundamentalmente de dois fatores: o risco do paciente (idade, tabagismo, história de câncer) e a estabilidade radiológica do nódulo ao longo do tempo.

A estabilidade do nódulo por um período prolongado é o critério mais forte de benignidade. As diretrizes da Fleischner Society, amplamente adotadas na prática clínica, estabelecem que nódulos sólidos estáveis por 2 anos ou nódulos subsólidos (incluindo vidro fosco) estáveis por 3 a 5 anos podem ser considerados benignos, dispensando seguimento adicional. No caso apresentado, o nódulo permaneceu inalterado por 5 anos, o que praticamente exclui malignidade. Além disso, a paciente é assintomática, sem sinais de infecção ou comprometimento pulmonar, e o nódulo tem características morfológicas favoráveis (alongado, distante da parede torácica), reforçando a hipótese benigna.

A presença de câncer de mama com receptores hormonais positivos não muda essa lógica. Embora o pulmão seja um sítio comum de metástase do câncer de mama, a estabilidade radiológica por 5 anos é incompatível com doença metastática ativa. Metástases pulmonares tipicamente crescem ou aparecem em intervalos mais curtos. Portanto, a probabilidade de este nódulo ser uma metástase é extremamente baixa, e a realização de procedimentos invasivos (biópsia, broncoscopia) não se justifica, expondo a paciente a riscos desnecessários.

A conduta expectante com nova tomografia em 6 meses é a mais adequada, pois permite confirmar a estabilidade e tranquilizar a paciente, sem custos ou riscos adicionais. As alternativas que propõem biópsia ou broncoscopia imediatas são excessivamente agressivas para um nódulo estável há 5 anos. A alternativa que sugere PET/CT com biópsia se SUVmax ≤ 2,5 é equivocada, pois o PET/CT não é indicado para nódulos em vidro fosco puro (baixa captação de FDG mesmo em lesões malignas) e a estabilidade radiológica já é suficiente para afastar malignidade. A citologia de escarro ou lavado broncoalveolar tem baixa sensibilidade para nódulos periféricos pequenos e não é o método de escolha nesse cenário.

Guarde o critério decisivo: estabilidade radiológica prolongada (≥ 2 anos para nódulo sólido, ≥ 3-5 anos para subsólido) é o principal indicador de benignidade e contraindica a investigação invasiva imediata. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.

  1. 1Avaliar risco do paciente
  2. 2Analisar características do nódulo
  3. 3Verificar estabilidade radiológica
  4. 4Estável ≥ 2-5 anos → seguimento
  5. 5Instável/suspeito → investigação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A biópsia dirigida por tomografia é um procedimento invasivo com riscos (pneumotórax, sangramento) e só se justifica quando há suspeita de malignidade. No caso, o nódulo estável há 5 anos tem probabilidade ínfima de malignidade, tornando a biópsia desnecessária e potencialmente prejudicial. A estabilidade radiológica é o critério que afasta a necessidade de confirmação histológica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A broncofibroscopia com criobiópsia é um método diagnóstico invasivo, indicado para lesões centrais ou quando há forte suspeita de neoplasia. Para um nódulo periférico em vidro fosco, estável há 5 anos, o procedimento não é indicado, pois o risco-benefício é desfavorável. Além disso, a estabilidade radiológica já exclui a necessidade de diagnóstico invasivo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta é o seguimento com nova tomografia em prazo não superior a seis meses. A estabilidade do nódulo por 5 anos é o critério mais forte de benignidade, conforme as diretrizes da Fleischner Society, que recomendam seguimento para nódulos subsólidos estáveis. A paciente assintomática, sem fatores de risco adicionais, pode ser acompanhada clinicamente, repetindo a tomografia em 6 meses para confirmar a estabilidade e garantir segurança.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A realização de PET/CT com biópsia transparietal se SUVmax ≤ 2,5 é equivocada por dois motivos. Primeiro, o PET/CT não é indicado para nódulos em vidro fosco puro, pois a captação de FDG é frequentemente baixa mesmo em lesões malignas, gerando resultados falso-negativos. Segundo, a estabilidade radiológica por 5 anos já é suficiente para afastar malignidade, tornando a biópsia desnecessária. O SUVmax não é critério para decidir biópsia nesse contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A pesquisa de citologia oncótica no escarro ou lavado broncoalveolar tem baixa sensibilidade para nódulos periféricos pequenos, como o descrito (1,8 cm). Além disso, a estabilidade radiológica por 5 anos já exclui a necessidade de investigação citológica. Esse método é mais útil para lesões centrais ou quando há suspeita de doença avançada, o que não é o caso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre nódulo pulmonar em paciente oncológico e a necessidade imediata de biópsia. O candidato pode pensar que, por ser portadora de câncer de mama, o nódulo deve ser metastático e exigir investigação invasiva. No entanto, a estabilidade radiológica por 5 anos é o critério que define a conduta expectante, independentemente do histórico oncológico. Lembre-se: estabilidade prolongada = benignidade, e a conduta é seguimento, não biópsia.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de nódulo pulmonar, sempre avalie: (1) risco do paciente (tabagismo, idade, história de câncer), (2) características do nódulo (tamanho, densidade, bordas), e (3) estabilidade radiológica. Se o nódulo é estável por ≥ 2 anos (sólido) ou ≥ 3-5 anos (subsólido), a probabilidade de malignidade é mínima e a conduta é seguimento. Essa lógica resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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