Paciente com 65 anos apresenta neoplasia em lobo inferior de pulmão direito. Tabagista 40 anos/maço. Hipertenso. Avaliação pré-operatória identificou prova de função pulmonar, sem utilização de broncodilatador, com VEF1 = 60% do previsto.De acordo com a ATS/ERS e baseado apenas nesse resultado, é possível inferir inicialmente que o paciente apresenta distúrbio pulmonar ventilatório
Arestritivo moderado, devendo ser contraindicada a operação.
Bobstrutivo moderado, sem contraindicação ao procedimento.
Cobstrutivo muito grave, contraindicado procedimento.
Drestritivo leve, podendo ser submetido à resseção.
Eobstrutivo leve, sem contraindicação ao procedimento.
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GabaritoB — obstrutivo moderado, sem contraindicação ao procedimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Distúrbio ventilatório obstrutivo: classificação pela espirometria
Gabarito: letra B. Com VEF1 = 60% do previsto, o paciente apresenta distúrbio ventilatório obstrutivo moderado, conforme a classificação de gravidade da DPOC (GOLD), e esse valor isolado não contraindica a cirurgia de ressecção pulmonar — a contraindicação exige avaliação funcional mais ampla (VEF1, DLCO, VO2 máx). A questão testa exatamente a interpretação do percentual do VEF1 e a distinção entre distúrbio obstrutivo e restritivo.
O distúrbio ventilatório é classificado pela espirometria em dois grandes grupos: obstrutivo e restritivo. No obstrutivo, há dificuldade de expirar o ar, com redução da relação VEF1/CVF (menor que 0,7 pós-broncodilatador); no restritivo, há dificuldade de expandir o pulmão, com capacidade pulmonar total (CPT) reduzida e relação VEF1/CVF normal ou aumentada. O paciente do enunciado é tabagista de longa data (40 anos/maço), o que fortemente sugere DPOC — um distúrbio obstrutivo. A neoplasia em lobo inferior não altera essa interpretação inicial, pois o dado fornecido é apenas o VEF1.
A gravidade da obstrução é graduada pelo percentual do VEF1 em relação ao previsto, conforme a classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), adotada pela ATS/ERS:
Gravidade
VEF1 (% do previsto)
Leve (GOLD 1)
≥ 80%
Moderada (GOLD 2)
50–79%
Grave (GOLD 3)
30–49%
Muito grave (GOLD 4)
< 30%
Com VEF1 = 60%, o paciente se enquadra em GOLD 2 — obstrução moderada. Esse valor, isoladamente, não contraindica a cirurgia. A avaliação pré-operatória para ressecção pulmonar considera o VEF1, mas também a DLCO (capacidade de difusão) e o VO2 máx (consumo máximo de oxigênio). Valores de VEF1 ou DLCO < 40% do previsto, ou VO2 máx < 10 mL/kg/min, indicam alto risco cirúrgico. Um VEF1 de 60% está acima desse limiar, portanto não contraindica o procedimento por si só.
A pegadinha da banca está em dois pontos: (1) classificar o distúrbio como restritivo, quando o contexto (tabagismo, DPOC) e o valor de VEF1 apontam para obstrutivo; e (2) afirmar que há contraindicação ao procedimento, quando o VEF1 de 60% não a justifica. O candidato que confunde a classificação de gravidade (leve/moderado/grave) ou que associa erroneamente VEF1 baixo a distúrbio restritivo cai nas alternativas incorretas.
Guarde a fronteira decisiva: VEF1 baixo = obstrução (DPOC/asma); CPT baixa = restrição (fibrose, derrame). E, na avaliação cirúrgica, o VEF1 isolado não decide contraindicação — é preciso o conjunto funcional completo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao classificar o distúrbio como restritivo. O paciente tabagista com VEF1 = 60% tem padrão obstrutivo (DPOC), não restritivo. Além disso, afirma contraindicação ao procedimento, o que não se sustenta com esse valor isolado.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Classifica corretamente como obstrutivo moderado (VEF1 50–79% do previsto) e afirma que não há contraindicação ao procedimento com base apenas nesse resultado. É a interpretação fiel da classificação GOLD e da avaliação pré-operatória.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao classificar como muito grave. Obstrução muito grave (GOLD 4) exige VEF1 < 30% do previsto. Com 60%, o paciente é moderado (GOLD 2). A contraindicação também não procede.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao classificar como restritivo leve. O padrão é obstrutivo, não restritivo. Além disso, VEF1 = 60% não é leve (leve seria ≥ 80%).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao classificar como obstrutivo leve. Obstrução leve (GOLD 1) exige VEF1 ≥ 80% do previsto. Com 60%, o paciente é moderado (GOLD 2).
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o padrão ventilatório (obstrutivo × restritivo) e a gravidade (leve × moderado × grave). O tabagismo de longa data é a pista clínica para obstrução, e o valor de 60% encaixa exatamente em moderado (50–79%). Não confunda: VEF1 baixo indica obstrução; restrição é diagnosticada por CPT baixa.
PEGA ESSA DICA!
Decore a tabela GOLD: leve ≥ 80%, moderado 50–79%, grave 30–49%, muito grave < 30%. Na avaliação pré-operatória de ressecção pulmonar, lembre-se: VEF1 ou DLCO < 40% ou VO2 máx < 10 mL/kg/min indicam alto risco — 60% está longe disso.