Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu092736
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Vascular
Assinale a alternativa correta em relação às amputações de membros inferiores.
AA amputação transmetatarsiana demanda retalho extenso de dorso do pé, por ser pele de maior qualidade para suporte de deambulação em relação à pele plantar.
BA desarticulação dos metatarsianos deve ser evitada em pacientes diabéticos, pelo risco de osteomielite proximal do retrope.
CSão consideradas amputações maiores dos membros inferiores as que são praticadas em nível proximal às articulações metatarso-falangeanas.
DComplicação frequente, que o ocorre após a desarticulação entre calcâneo e tálus dos demais ossos do tarso, é a deformidade do retropé em posição equinovara.
ENas amputações transtibiais, a técnica que utiliza retalho anterior longo, revestindo a tíbia sem músculo gastrocnêmio, é a que produz melhores resultados de cicatrização.
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GabaritoD — Complicação frequente, que o ocorre após a desarticulação entre calcâneo e tálus dos demais ossos do tarso, é a deformidade do retropé em posição equinovara.
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Amputações de membros inferiores: níveis, técnicas e complicações
Gabarito: letra D. A complicação clássica da amputação de Syme (desarticulação entre calcâneo e tálus, com remoção dos demais ossos do tarso) é a deformidade do retropé em posição equinovara, decorrente da migração posterior do coxim do calcâneo. As demais alternativas contêm erros técnicos: a pele plantar é superior à dorsal para suporte, a desarticulação dos metatarsianos é justamente indicada em diabéticos, amputações maiores são as proximais ao tornozelo (não às articulações metatarsofalangeanas) e o retalho longo anterior sem gastrocnêmio não é a técnica de melhor cicatrização.
As amputações de membros inferiores são procedimentos cirúrgicos que removem parte ou todo o membro, classificadas em menores (distais ao tornozelo, como amputações de dedos, transmetatarsianas e desarticulações do médio-pé) e maiores (proximais ao tornozelo, como transtibiais, desarticulações do joelho, transfemorais e desarticulações do quadril). A escolha do nível é um equilíbrio entre a necessidade de remover todo o tecido inviável/infectado e a preservação máxima de comprimento para melhor reabilitação funcional — quanto mais proximal a amputação, maior o gasto energético para deambular.
A irrigação e a qualidade da pele são determinantes na escolha da técnica. Na amputação transmetatarsiana, o retalho plantar é o de melhor qualidade para suporte de peso, pois a pele plantar é espessa, queratinizada e ricamente inervada — o retalho dorsal é fino e não suporta bem a deambulação. Já na amputação transtibial, a técnica clássica de Burgess utiliza retalho posterior longo com músculo gastrocnêmio/sóleo, que proporciona boa cobertura e cicatrização; o retalho anterior longo, sem o gastrocnêmio, deixa a tíbia com cobertura inadequada e maior risco de deiscência.
A amputação de Syme é uma desarticulação do tornozelo que preserva o coxim do calcâneo, permitindo deambulação com apoio na extremidade distal. A complicação mais temida é justamente a migração posterior do coxim, resultando em posição equinovara do retropé — o paciente apoia sobre a região posterior do coto, com dor e instabilidade. Essa deformidade ocorre porque o coxim não é fixado adequadamente ao osso, deslizando para trás.
Nos pacientes diabéticos, as amputações menores são preferidas sempre que possível, pois preservam o comprimento do membro e a função. A desarticulação dos metatarsianos (amputação de Lisfranc) e a transmetatarsiana são indicadas em infecções/necroses limitadas ao antepé, com bom suprimento sanguíneo no retropé. O risco de osteomielite proximal existe, mas não contraindica o procedimento — o que se evita é amputar em nível de tecido comprometido.
A pegadinha central desta questão é a classificação de amputações maiores: muitos candidatos confundem "proximal às articulações metatarsofalangeanas" com o limite correto, que é o tornozelo. Amputações do médio-pé (Lisfranc, Chopart) são consideradas menores, apesar de serem proximais às metatarsofalangeanas. Guarde: o marco divisório é a articulação do tornozelo (tibiotársica).
Nível de amputação
Classificação
Retalho ideal
Complicação típica
Transmetatarsiana
Menor
Plantar longo
Deiscência/úlcera (se usar retalho dorsal)
Desarticulação dos metatarsianos (Lisfranc)
Menor
Plantar
Osteomielite proximal (risco manejável)
Desarticulação do tornozelo (Syme)
Menor
Coxim do calcâneo
Deformidade em equinovaro (migração posterior do coxim)
Transtibial
Maior
Posterior longo (gastrocnêmio)
Deiscência (se usar retalho anterior longo)
Transfemoral
Maior
—
—
Amputações de membros inferiores
1Menores (distais ao tornozelo)
Dedos
Transmetatarsiana (retalho plantar)
Lisfranc (desarticulação metatarsiana)
Chopart (médio-pé)
Syme (desarticulação do tornozelo)
Complicação: equinovaro
2Maiores (proximais ao tornozelo)
Transtibial (retalho posterior longo)
Desarticulação do joelho
Transfemoral
Desarticulação do quadril
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A amputação transmetatarsiana demanda retalho plantar longo, não dorsal. A pele plantar é a de melhor qualidade para suporte de deambulação por ser espessa, queratinizada e com tecido subcutâneo fibroso que resiste à pressão. O retalho dorsal é fino, com pouca resistência, e sua utilização como retalho principal levaria a úlceras de pressão e deiscência. A alternativa inverte a qualidade dos retalhos — erro clássico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A desarticulação dos metatarsianos (amputação de Lisfranc) deve ser considerada em diabéticos com necrose/infecção limitada ao antepé, desde que o retropé esteja bem perfundido. Não há contraindicação absoluta pelo risco de osteomielite proximal — esse risco existe em qualquer amputação, mas é manejado com avaliação pré-operatória (pulsos, índice tornozelo-braquial, ressonância se necessário) e antibioticoterapia. A alternativa erra ao afirmar que deve ser evitada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O conceito de amputação maior está incorreto. Amputações maiores são as realizadas proximais à articulação do tornozelo (transtibial, transfemoral, desarticulações do joelho e do quadril). As amputações do médio-pé (Lisfranc, Chopart) e transmetatarsianas, embora proximais às metatarsofalangeanas, são classificadas como menores. A alternativa usa o limite errado.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A amputação de Syme (desarticulação entre calcâneo e tálus, removendo os demais ossos do tarso) tem como complicação frequente a deformidade do retropé em posição equinovara. Isso ocorre pela migração posterior do coxim do calcâneo, que deixa de ficar sob a extremidade distal da tíbia e desliza para trás, fazendo o paciente apoiar sobre a região posterior — posição de equino (flexão plantar) com varo do retropé. A alternativa descreve corretamente essa complicação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A técnica de retalho posterior longo, com músculo gastrocnêmio, é a que produz melhores resultados de cicatrização na amputação transtibial (técnica de Burgess). O retalho anterior longo, sem o gastrocnêmio, deixa a tíbia com cobertura inadequada — apenas pele e subcutâneo fino sobre a crista tibial —, com alto risco de deiscência, necrose e necessidade de revisão. A alternativa inverte a técnica recomendada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os níveis de amputação e a qualidade dos retalhos. O candidato que decora "amputação maior = proximal" sem fixar o marco (tornozelo) cai na letra C; o que não sabe que a pele plantar é superior à dorsal cai na letra A. Memorize: maior = proximal ao tornozelo; retalho plantar/posterior = melhor qualidade.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões de amputação, monte um mapa mental: nível (dedos → transmetatarsiana → Lisfranc → Chopart → Syme → transtibial → transfemoral) × retalho ideal (plantar no pé, posterior na perna) × complicação típica (equinovaro na Syme, deiscência no retalho anterior). Isso cobre a maioria das pegadinhas da VUNESP.