Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu092741
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Vascular
Assinale a alternativa correta em relação aos traumatismos vasculares.
AA lesão de artéria poplítea está associada a baixa taxa de amputação, em virtude da circulação colateral ao nível do joelho.
BA maioria das lesões da aorta abdominal é proveniente de traumas fechados e causa hematomas laterais no retroperitônio.
CA lesão isolada de uma das três artérias da perna, em geral, causa isquemia grave segmentar, por serem essas artérias terminais.
DEm lesão de veia cava, o reparo com sutura primária geralmente é adequado, sendo aceita estenose residual de até 50%.
EArtéria carótida com lesão penetrante, que possui um fluxo anterógrado, deve ser ligada sempre que possível, pelo risco relacionado à restauração vascular.
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GabaritoD — Em lesão de veia cava, o reparo com sutura primária geralmente é adequado, sendo aceita estenose residual de até 50%.
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Traumatismos vasculares: princípios de manejo
Gabarito: letra D. Em lesões de veia cava, o reparo com sutura primária é geralmente adequado, sendo aceita estenose residual de até 50%, conforme a prática cirúrgica em trauma vascular. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a circulação colateral, a epidemiologia das lesões e as indicações de ligadura vascular.
Os traumatismos vasculares representam emergências cirúrgicas que exigem conhecimento preciso da anatomia vascular e dos princípios de reparo. A abordagem correta depende do vaso acometido, do mecanismo de trauma (penetrante ou fechado) e da presença de circulação colateral. Vamos analisar cada afirmação à luz desses princípios.
A lesão da artéria poplítea é uma das mais temidas no trauma vascular, pois está associada a altas taxas de amputação, contrariando a alternativa A. Isso ocorre porque a circulação colateral ao nível do joelho é escassa e insuficiente para manter a viabilidade do membro quando a artéria é lesada. A alternativa B erra ao afirmar que a maioria das lesões da aorta abdominal é proveniente de traumas fechados; na verdade, a maioria é decorrente de ferimentos penetrantes, e os hematomas laterais no retroperitônio são mais característicos de lesões venosas ou de pequenos vasos, não da aorta. A alternativa C também está incorreta, pois as três artérias da perna (tibial anterior, tibial posterior e fibular) não são terminais; a lesão isolada de uma delas geralmente não causa isquemia grave segmentar, pois há circulação colateral entre elas. A alternativa E está errada ao afirmar que a artéria carótida com lesão penetrante e fluxo anterógrado deve ser ligada; na verdade, a restauração vascular é preferível sempre que possível, devido ao risco de déficit neurológico com a ligadura.
A alternativa D está correta porque, em lesões de veia cava, o reparo com sutura primária é geralmente adequado, sendo aceita estenose residual de até 50%. Isso se deve à grande capacidade de acomodação do sistema venoso e à baixa pressão nesse segmento, o que permite que uma estenose moderada não comprometa o retorno venoso de forma significativa.
Traumatismos vasculares: Artéria poplítea (Alta taxa de amputação, Circulação colateral escassa); Aorta abdominal (Maioria por trauma penetrante, Hematoma central, não lateral); Artérias da perna (Não são terminais, Lesão isolada não causa isquemia grave); Veia cava (Sutura primária adequada, Estenose residual até 50% aceita); Artéria carótida (Não deve ser ligada, Restauração vascular preferível)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A lesão de artéria poplítea está associada a alta taxa de amputação, não baixa. A circulação colateral ao nível do joelho é escassa, e a artéria poplítea é uma artéria terminal funcional, o que torna a lesão particularmente grave. A taxa de amputação pode chegar a 20-30% mesmo com reparo adequado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A maioria das lesões da aorta abdominal é proveniente de traumas penetrantes, não fechados. Além disso, os hematomas laterais no retroperitônio são mais característicos de lesões venosas ou de pequenos vasos, não da aorta, que geralmente causa hematoma central ou hemorragia maciça.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As três artérias da perna (tibial anterior, tibial posterior e fibular) não são terminais; há circulação colateral entre elas através do arco plantar e das anastomoses ao redor do joelho. A lesão isolada de uma delas geralmente não causa isquemia grave segmentar, pois as outras duas podem manter a perfusão distal.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Em lesões de veia cava, o reparo com sutura primária é geralmente adequado, sendo aceita estenose residual de até 50%. Isso se deve à grande capacidade de acomodação do sistema venoso e à baixa pressão nesse segmento, o que permite que uma estenose moderada não comprometa o retorno venoso de forma significativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A artéria carótida com lesão penetrante e fluxo anterógrado não deve ser ligada; a restauração vascular é preferível sempre que possível, devido ao risco de déficit neurológico com a ligadura. A ligadura só é considerada em situações extremas, quando o reparo é impossível ou o paciente está em estado crítico.