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Questão de Medicina — Dermatologia — VUNESP 2025

MedicinaDermatologia
Código
vu092746
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Vascular
Complicação da insuficiência venosa crônica que surge em região de intensa congestão em torno de úlceras e cicatrizes no membro inferior. Há a hipótese de que poderia constituir-se em uma reação autoimune contra proteína extravasadas e degradadas no subcutâneo ou contra bactérias infectantes, mas frequentemente é desencadeada por alergia local a pomadas.Assinale a alternativa que apresenta corretamente essa complicação.
  1. ACelulite.
  2. BLipodermatoesclerose.
  3. CEczema.
  4. DDermatite ocre.
  5. EAtrofia branca.
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GabaritoC — Eczema.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Eczema de estase na insuficiência venosa crônica

Gabarito: letra C. O quadro descrito — complicação da insuficiência venosa crônica que surge em região de intensa congestão ao redor de úlceras e cicatrizes, com possível mecanismo autoimune contra proteínas extravasadas e degradadas no subcutâneo ou contra bactérias, frequentemente desencadeada por alergia local a pomadas — corresponde ao eczema de estase (também chamado eczema gravitacional, varicoso ou de congestão). A chave diagnóstica está na associação entre a dermatite eczematosa e a alergia de contato a terapias tópicas, além da localização em áreas de congestão venosa.

O eczema de estase é uma manifestação cutânea que surge como componente evolutivo da insuficiência venosa crônica (IVC) dos membros inferiores. A hipertensão venosa prolongada distende os capilares e aumenta a permeabilidade vascular, favorecendo o extravasamento de plasma e hemácias para o interstício. Esse extravasamento desencadeia uma reação inflamatória local que, clinicamente, se manifesta como uma dermatite eczematosa — com eritema, descamação, prurido e, frequentemente, exsudação. A região mais acometida é o terço distal da perna, especialmente próximo ao maléolo interno, onde a pressão hidrostática é maior.

A fisiopatologia é multifatorial. Além do componente hemodinâmico (a estase venosa em si), há um componente imunológico: acredita-se que proteínas plasmáticas extravasadas e degradadas no subcutâneo possam ser reconhecidas como antígenos, gerando uma reação autoimune local. Soma-se a isso a frequente sensibilização a medicamentos tópicos — pomadas, cremes e curativos — que o paciente aplica na tentativa de tratar a úlcera ou a própria dermatite. Essa alergia de contato é um agravante clássico e, muitas vezes, o fator que leva o paciente a procurar atendimento. Infecções bacterianas secundárias também são comuns, contribuindo para a cronificação do quadro.

O diagnóstico é essencialmente clínico. O eczema de estase pode se assemelhar ao eczema de contato, mas tende a ser mais delimitado e localizado nas áreas de congestão venosa. A presença de edema depressível no terço inferior da perna, que piora ao final do dia, associado a prurido e lesões eczematosas, é altamente sugestiva. A cronificação leva a hiperpigmentação (dermatite ocre), endurecimento do edema (lipodermatoesclerose) e, eventualmente, ulceração.

A distinção entre as complicações da IVC é fundamental para a prática clínica e para a prova. Cada uma tem características próprias:

Complicação

Característica principal

Eczema de estase

Dermatite eczematosa (eritema, descamação, prurido) em áreas de congestão; frequentemente agravado por alergia a pomadas

Dermatite ocre

Hiperpigmentação acastanhada por depósito de hemossiderina (extravasamento de hemácias)

Lipodermatoesclerose

Fibrose e endurecimento do subcutâneo e da pele; perna em "garrafa invertida"

Atrofia branca

Áreas brancas, atróficas e cicatriciais, com telangiectasias, em região de úlceras prévias

Celulite

Infecção bacteriana aguda da derme e subcutâneo, com eritema, calor, dor e febre

A pegadinha da questão está em diferenciar o eczema de estase das outras complicações da IVC. O enunciado descreve uma dermatite eczematosa (não uma simples pigmentação, fibrose ou atrofia) e menciona explicitamente o desencadeamento por alergia local a pomadas — um forte indicativo de eczema de contato sobreposto ao eczema de estase. As demais alternativas representam outras manifestações da doença venosa crônica, mas não se encaixam na descrição completa.

1Eczema de estase
dermatite eczematosa (eritema, prurido)
alergia a pomadas
2Dermatite ocre
hiperpigmentação por hemossiderina
3Lipodermatoesclerose
fibrose do subcutâneo
perna em "garrafa invertida"
4Atrofia branca
áreas brancas cicatriciais
telangiectasias
5Celulite
infecção bacteriana aguda
febre e calor local
Complicações da IVC
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Complicações da IVC: Eczema de estase (dermatite eczematosa (eritema, prurido), alergia a pomadas); Dermatite ocre (hiperpigmentação por hemossiderina); Lipodermatoesclerose (fibrose do subcutâneo, perna em "garrafa invertida"); Atrofia branca (áreas brancas cicatriciais, telangiectasias); Celulite (infecção bacteriana aguda, febre e calor local)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A celulite é uma infecção bacteriana aguda da derme e do tecido subcutâneo, geralmente causada por Streptococcus ou Staphylococcus. Apresenta-se com eritema, calor, dor e edema, frequentemente acompanhada de febre e mal-estar. Embora possa ocorrer como complicação de úlceras venosas, não é uma reação eczematosa crônica nem está relacionada a alergia a pomadas. O enunciado descreve um processo inflamatório crônico e pruriginoso, não uma infecção aguda.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A lipodermatoesclerose é a fibrose e atrofia do tecido subcutâneo e da pele, resultante da hipertensão venosa crônica. Clinicamente, observa-se endurecimento da pele, que se torna aderida aos planos profundos, podendo assumir aspecto de "garrafa invertida". É uma complicação tardia e não se manifesta como dermatite eczematosa pruriginosa. A descrição do enunciado — reação inflamatória com possível componente autoimune e alergia a pomadas — não corresponde à lipodermatoesclerose.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O eczema de estase (ou eczema gravitacional, varicoso, de congestão) é exatamente o que o enunciado descreve: uma manifestação eczematosa que surge em áreas de congestão venosa, ao redor de úlceras e cicatrizes, com possível mecanismo autoimune contra proteínas extravasadas e degradadas no subcutâneo ou contra bactérias, e que é frequentemente agravada ou desencadeada por alergia de contato a pomadas e outros tratamentos tópicos. A localização típica é o terço distal da perna, próximo ao maléolo interno.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A dermatite ocre é a hiperpigmentação acastanhada da pele, decorrente do depósito de hemossiderina após o extravasamento de hemácias na derme. É um sinal clínico de insuficiência venosa crônica, mas não é uma dermatite eczematosa, não apresenta prurido intenso nem está relacionada a alergia a pomadas. O enunciado descreve uma reação inflamatória ativa, não apenas uma alteração de pigmentação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A atrofia branca (atrophie blanche) é caracterizada por áreas brancas, atróficas e cicatriciais, frequentemente com telangiectasias, que surgem em regiões de úlceras prévias ou de intensa congestão venosa. Representa uma sequela de microinfartos cutâneos e não é uma dermatite eczematosa. Não há relação com alergia a pomadas nem com o quadro inflamatório descrito no enunciado.

A regra de ouro para diferenciar as complicações da insuficiência venosa crônica é identificar o tipo de lesão elementar predominante: eczema (inflamação e prurido), pigmentação (hemossiderina), fibrose (endurecimento), atrofia (cicatriz) ou infecção aguda (calor e febre). O eczema de estase é a única que se apresenta como dermatite eczematosa e que tem a alergia de contato como agravante frequente.

Gabarito: letra C

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