Assinale a alternativa correta em relação à hipertensão renovascular.
AA forma mais comum de displasia fibromuscular como etiologia desta doença é a adventicial e frequentemente leva à insuficiência renal crônica.
BEdema agudo pulmonar antes do diagnóstico da hipertensão renovascular é uma condição clínica muito comum.
CA cintilografia com captopril apresenta resultados muito homogêneos para o diagnóstico desta doença e, por isso, é o exame padrão-ouro.
DA terapia medicamentosa em geral apresenta resultados clínicos inadequados e, por isso, em geral, deve ser empregada somente em caso de insucesso do tratamento cirúrgico.
EEm casos de revascularização bem sucedida, o sucesso quanto à melhora da função renal é bem menos frequente do que o controle das cifras tensionais.
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GabaritoE — Em casos de revascularização bem sucedida, o sucesso quanto à melhora da função renal é bem menos frequente do que o controle das cifras tensionais.
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Hipertensão renovascular: o que a banca cobra
Gabarito: letra E. Na hipertensão renovascular, mesmo quando a revascularização renal é bem-sucedida, a melhora da função renal é bem menos frequente do que o controle das cifras tensionais — ou seja, o benefício pressórico é mais previsível do que o benefício funcional renal. Essa é uma característica clínica bem documentada e que a alternativa E reproduz corretamente.
A hipertensão renovascular é a elevação da pressão arterial causada por estenose (estreitamento) de uma ou ambas as artérias renais. As duas principais etiologias são a aterosclerose, responsável por cerca de 85% dos casos, típica de idosos com doença aterosclerótica sistêmica, e a displasia fibromuscular, responsável por cerca de 15%, típica de mulheres jovens entre 15 e 50 anos. A estenose unilateral leva à subperfusão das células justaglomerulares, com hiperativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e hipertensão renina-dependente; já a estenose bilateral (ou unilateral em rim único) causa hipertensão volume-dependente e pode levar à insuficiência renal progressiva potencialmente reversível.
O diagnóstico é confirmado por métodos não invasivos, como a angiotomografia (ATC) espiral ou a ressonância magnética (RM) das artérias renais. O Doppler de artérias renais é o exame de triagem inicial. A cintilografia renal com captopril, embora tenha sido muito utilizada no passado, hoje não é recomendada como exame de screening, conforme as diretrizes atuais — o que derruba a alternativa C.
O tratamento envolve, na maioria dos casos, terapia medicamentosa intensiva com controle dos fatores de risco ateroscleróticos. A revascularização (angioplastia com ou sem stent, ou cirurgia) é indicada em situações específicas: hipertensão refratária ao tratamento medicamentoso, insuficiência renal progressiva apesar da terapia clínica, e estenose bilateral ou estenose em rim único funcionante. Na displasia fibromuscular, a angioplastia costuma curar a hipertensão; na doença aterosclerótica, o benefício é mais limitado.
Um ponto crucial, e que é exatamente o que a alternativa E explora, é a dissociação entre o efeito pressórico e o efeito renal da revascularização. Estudos clínicos mostram que, mesmo quando o procedimento é tecnicamente bem-sucedido, a melhora da função renal é menos frequente do que o controle da pressão arterial. Isso ocorre porque, na doença aterosclerótica avançada, o parênquima renal já pode estar danificado de forma irreversível, de modo que a restauração do fluxo sanguíneo não recupera a função perdida, embora possa ajudar no controle pressórico.
A banca explora, nas alternativas incorretas, erros conceituais clássicos: troca do tipo histológico da displasia fibromuscular, superestimação da frequência do edema agudo de pulmão como apresentação, valorização de um exame que caiu em desuso, e inversão do papel da terapia medicamentosa. Guarde bem a fronteira entre o que é verdadeiro e o que é distorcido em cada uma — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Hipertensão renovascular
1Etiologias
Aterosclerose (85%)
Idosos
Doença sistêmica
Displasia fibromuscular (15%)
Mulheres jovens
Tipo medial
2Diagnóstico
Triagem: Doppler
Confirmação: ATC/RM
Padrão-ouro: angiografia
Cintilografia com captopril (em desuso)
3Tratamento
Base: medicamentoso
Revascularização (casos selecionados)
Controla pressão
Melhora função renal (menos frequente)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A forma mais comum de displasia fibromuscular como etiologia da hipertensão renovascular não é a adventicial, mas sim a medial (displasia fibromuscular medial), que acomete tipicamente a camada média da artéria renal. Além disso, a displasia fibromuscular não costuma levar à insuficiência renal crônica — ela é mais frequentemente causa de hipertensão renovascular em mulheres jovens, e a angioplastia costuma curar a hipertensão. A alternativa erra tanto no tipo histológico quanto na consequência clínica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O edema agudo de pulmão (EAP) antes do diagnóstico de hipertensão renovascular não é uma condição clínica muito comum. Embora o EAP recorrente ou intermitente seja uma das pistas clínicas que aumentam a suspeita de hipertensão renovascular, ele não é uma apresentação frequente — é uma manifestação relativamente rara, que ocorre em uma minoria dos pacientes. A alternativa superestima a frequência dessa apresentação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cintilografia com captopril não apresenta resultados homogêneos e não é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de hipertensão renovascular. Pelo contrário, as diretrizes atuais não recomendam a cintilografia renal com captopril como exame de screening para estenose de artéria renal (classe III). O padrão-ouro para confirmação diagnóstica é a angiografia por subtração digital, e os exames de triagem são o Doppler de artérias renais, a angiotomografia espiral e a angiografia por ressonância magnética.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A terapia medicamentosa não apresenta resultados clínicos inadequados e não deve ser empregada somente em caso de insucesso do tratamento cirúrgico. Na verdade, o tratamento medicamentoso é a base do manejo da hipertensão renovascular, especialmente na doença aterosclerótica, com controle intensivo dos fatores de risco. A revascularização é indicada em situações específicas (hipertensão refratária, insuficiência renal progressiva, estenose bilateral ou em rim único), e não como primeira linha universal. A alternativa inverte completamente o papel da terapia medicamentosa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta: em casos de revascularização bem-sucedida, o sucesso quanto à melhora da função renal é bem menos frequente do que o controle das cifras tensionais. Isso é uma observação clínica consistente: o benefício pressórico da revascularização é mais previsível do que o benefício funcional renal, especialmente na doença aterosclerótica, onde o parênquima renal pode já estar irreversivelmente danificado. A alternativa espelha exatamente essa dissociação entre o efeito sobre a pressão arterial e o efeito sobre a função renal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o papel da terapia medicamentosa e da revascularização. Na alternativa D, ela faz parecer que o tratamento clínico é inferior e só deve ser usado após falha cirúrgica — quando, na verdade, o tratamento medicamentoso é a base do manejo, e a revascularização é reservada para casos selecionados. Fique atento: na hipertensão renovascular aterosclerótica, o tratamento clínico intensivo é a regra, e a revascularização é a exceção indicada em situações específicas.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as principais causas e características da hipertensão renovascular, lembre-se: aterosclerose (85%, idosos, doença sistêmica) vs. displasia fibromuscular (15%, mulheres jovens, tipo medial, angioplastia curativa). E para o diagnóstico, a sequência é: Doppler (triagem) → ATC/RM (confirmação) → angiografia por subtração digital (padrão-ouro). A cintilografia com captopril caiu em desuso — não a escolha como exame de screening.