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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025

MedicinaNefrologia
Código
vu092748
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Vascular
Assinale a alternativa correta em relação à hipertensão renovascular.
  1. AA forma mais comum de displasia fibromuscular como etiologia desta doença é a adventicial e frequentemente leva à insuficiência renal crônica.
  2. BEdema agudo pulmonar antes do diagnóstico da hipertensão renovascular é uma condição clínica muito comum.
  3. CA cintilografia com captopril apresenta resultados muito homogêneos para o diagnóstico desta doença e, por isso, é o exame padrão-ouro.
  4. DA terapia medicamentosa em geral apresenta resultados clínicos inadequados e, por isso, em geral, deve ser empregada somente em caso de insucesso do tratamento cirúrgico.
  5. EEm casos de revascularização bem sucedida, o sucesso quanto à melhora da função renal é bem menos frequente do que o controle das cifras tensionais.
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GabaritoE — Em casos de revascularização bem sucedida, o sucesso quanto à melhora da função renal é bem menos frequente do que o controle das cifras tensionais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão renovascular: o que a banca cobra

Gabarito: letra E. Na hipertensão renovascular, mesmo quando a revascularização renal é bem-sucedida, a melhora da função renal é bem menos frequente do que o controle das cifras tensionais — ou seja, o benefício pressórico é mais previsível do que o benefício funcional renal. Essa é uma característica clínica bem documentada e que a alternativa E reproduz corretamente.

A hipertensão renovascular é a elevação da pressão arterial causada por estenose (estreitamento) de uma ou ambas as artérias renais. As duas principais etiologias são a aterosclerose, responsável por cerca de 85% dos casos, típica de idosos com doença aterosclerótica sistêmica, e a displasia fibromuscular, responsável por cerca de 15%, típica de mulheres jovens entre 15 e 50 anos. A estenose unilateral leva à subperfusão das células justaglomerulares, com hiperativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e hipertensão renina-dependente; já a estenose bilateral (ou unilateral em rim único) causa hipertensão volume-dependente e pode levar à insuficiência renal progressiva potencialmente reversível.

O diagnóstico é confirmado por métodos não invasivos, como a angiotomografia (ATC) espiral ou a ressonância magnética (RM) das artérias renais. O Doppler de artérias renais é o exame de triagem inicial. A cintilografia renal com captopril, embora tenha sido muito utilizada no passado, hoje não é recomendada como exame de screening, conforme as diretrizes atuais — o que derruba a alternativa C.

O tratamento envolve, na maioria dos casos, terapia medicamentosa intensiva com controle dos fatores de risco ateroscleróticos. A revascularização (angioplastia com ou sem stent, ou cirurgia) é indicada em situações específicas: hipertensão refratária ao tratamento medicamentoso, insuficiência renal progressiva apesar da terapia clínica, e estenose bilateral ou estenose em rim único funcionante. Na displasia fibromuscular, a angioplastia costuma curar a hipertensão; na doença aterosclerótica, o benefício é mais limitado.

Um ponto crucial, e que é exatamente o que a alternativa E explora, é a dissociação entre o efeito pressórico e o efeito renal da revascularização. Estudos clínicos mostram que, mesmo quando o procedimento é tecnicamente bem-sucedido, a melhora da função renal é menos frequente do que o controle da pressão arterial. Isso ocorre porque, na doença aterosclerótica avançada, o parênquima renal já pode estar danificado de forma irreversível, de modo que a restauração do fluxo sanguíneo não recupera a função perdida, embora possa ajudar no controle pressórico.

A banca explora, nas alternativas incorretas, erros conceituais clássicos: troca do tipo histológico da displasia fibromuscular, superestimação da frequência do edema agudo de pulmão como apresentação, valorização de um exame que caiu em desuso, e inversão do papel da terapia medicamentosa. Guarde bem a fronteira entre o que é verdadeiro e o que é distorcido em cada uma — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Hipertensão renovascular
  • 1Etiologias
    • Aterosclerose (85%)
      • Idosos
      • Doença sistêmica
    • Displasia fibromuscular (15%)
      • Mulheres jovens
      • Tipo medial
  • 2Diagnóstico
    • Triagem: Doppler
    • Confirmação: ATC/RM
    • Padrão-ouro: angiografia
    • Cintilografia com captopril (em desuso)
  • 3Tratamento
    • Base: medicamentoso
    • Revascularização (casos selecionados)
      • Controla pressão
      • Melhora função renal (menos frequente)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A forma mais comum de displasia fibromuscular como etiologia da hipertensão renovascular não é a adventicial, mas sim a medial (displasia fibromuscular medial), que acomete tipicamente a camada média da artéria renal. Além disso, a displasia fibromuscular não costuma levar à insuficiência renal crônica — ela é mais frequentemente causa de hipertensão renovascular em mulheres jovens, e a angioplastia costuma curar a hipertensão. A alternativa erra tanto no tipo histológico quanto na consequência clínica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O edema agudo de pulmão (EAP) antes do diagnóstico de hipertensão renovascular não é uma condição clínica muito comum. Embora o EAP recorrente ou intermitente seja uma das pistas clínicas que aumentam a suspeita de hipertensão renovascular, ele não é uma apresentação frequente — é uma manifestação relativamente rara, que ocorre em uma minoria dos pacientes. A alternativa superestima a frequência dessa apresentação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A cintilografia com captopril não apresenta resultados homogêneos e não é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de hipertensão renovascular. Pelo contrário, as diretrizes atuais não recomendam a cintilografia renal com captopril como exame de screening para estenose de artéria renal (classe III). O padrão-ouro para confirmação diagnóstica é a angiografia por subtração digital, e os exames de triagem são o Doppler de artérias renais, a angiotomografia espiral e a angiografia por ressonância magnética.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A terapia medicamentosa não apresenta resultados clínicos inadequados e não deve ser empregada somente em caso de insucesso do tratamento cirúrgico. Na verdade, o tratamento medicamentoso é a base do manejo da hipertensão renovascular, especialmente na doença aterosclerótica, com controle intensivo dos fatores de risco. A revascularização é indicada em situações específicas (hipertensão refratária, insuficiência renal progressiva, estenose bilateral ou em rim único), e não como primeira linha universal. A alternativa inverte completamente o papel da terapia medicamentosa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta: em casos de revascularização bem-sucedida, o sucesso quanto à melhora da função renal é bem menos frequente do que o controle das cifras tensionais. Isso é uma observação clínica consistente: o benefício pressórico da revascularização é mais previsível do que o benefício funcional renal, especialmente na doença aterosclerótica, onde o parênquima renal pode já estar irreversivelmente danificado. A alternativa espelha exatamente essa dissociação entre o efeito sobre a pressão arterial e o efeito sobre a função renal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter o papel da terapia medicamentosa e da revascularização. Na alternativa D, ela faz parecer que o tratamento clínico é inferior e só deve ser usado após falha cirúrgica — quando, na verdade, o tratamento medicamentoso é a base do manejo, e a revascularização é reservada para casos selecionados. Fique atento: na hipertensão renovascular aterosclerótica, o tratamento clínico intensivo é a regra, e a revascularização é a exceção indicada em situações específicas.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as principais causas e características da hipertensão renovascular, lembre-se: aterosclerose (85%, idosos, doença sistêmica) vs. displasia fibromuscular (15%, mulheres jovens, tipo medial, angioplastia curativa). E para o diagnóstico, a sequência é: Doppler (triagem) → ATC/RM (confirmação) → angiografia por subtração digital (padrão-ouro). A cintilografia com captopril caiu em desuso — não a escolha como exame de screening.

Gabarito: letra E

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