Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu092750
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia Vascular
Em relação à isquemia intestinal crônica, assinale a alternativa correta.
AA causa mais frequente de obstrução do tronco celíaco e da artéria mesentérica superior é a compressão extrínseca por ligamentos e bridas.
BO sintoma mais comum desta doença é a diarreia pós-prandial, com consequente má absorção intestinal.
CApenas cerca de 3% dos pacientes que morrem de infarto intestinal apresentam quadro prévio característico de isquemia crônica.
DO exame padrão-ouro para diagnóstico funcional desta doença é a tonometria da mucosa intestinal.
EOs exames laboratoriais não trazem subsídios importantes para o diagnóstico da isquemia intestinal.
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GabaritoE — Os exames laboratoriais não trazem subsídios importantes para o diagnóstico da isquemia intestinal.
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Isquemia intestinal crônica: diagnóstico e quadro clínico
Gabarito: letra E. Na isquemia intestinal crônica, os exames laboratoriais de fato não trazem subsídios importantes para o diagnóstico, que é essencialmente clínico e angiográfico. A alternativa correta é a que reconhece essa limitação dos exames de sangue, enquanto as demais apresentam erros conceituais sobre etiologia, sintomas, epidemiologia e método diagnóstico.
A isquemia intestinal crônica, também chamada de angina mesentérica ou angina abdominal, é uma condição causada pela insuficiência do fluxo sanguíneo para o intestino, geralmente por doença aterosclerótica oclusiva de pelo menos dois dos três principais vasos esplâncnicos: tronco celíaco, artéria mesentérica superior e artéria mesentérica inferior. O quadro clássico é a dor abdominal em queimação ou cólica, que surge cerca de 15 a 30 minutos após as refeições (dor pós-prandial), quando há aumento da demanda metabólica intestinal que não pode ser suprida pelo fluxo comprometido. Essa dor é o sintoma mais característico e costuma levar o paciente a evitar alimentos, resultando em perda de peso progressiva — um dado clínico de grande valor.
O diagnóstico é fundamentalmente clínico, apoiado por exames de imagem. A angiografia (ou angiotomografia) é o exame que confirma a obstrução dos vasos, sendo o padrão-ouro para o diagnóstico anatômico. Exames funcionais, como a tonometria da mucosa intestinal, são utilizados em centros especializados, mas não são o padrão-ouro. Quanto aos exames laboratoriais, eles são inespecíficos: não há marcador sérico que confirme ou exclua a isquemia crônica, diferentemente da isquemia aguda, em que o lactato e a leucocitose podem estar elevados. Por isso, a afirmativa de que os exames laboratoriais não trazem subsídios importantes para o diagnóstico está correta.
A banca explora aqui um tema de cirurgia vascular e gastroenterologia, cobrando do candidato o conhecimento dos aspectos clínicos e diagnósticos da doença. A pegadinha central está em atribuir à isquemia crônica características que pertencem a outras condições — como a diarreia como sintoma principal (que é mais típica de outras causas de diarreia crônica) ou a compressão extrínseca como causa mais frequente (quando, na verdade, a aterosclerose é a causa predominante).
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a epidemiologia e o quadro clínico da isquemia intestinal crônica. O candidato pode confundir com a isquemia aguda (onde há dor súbita e leucocitose) ou com outras causas de diarreia crônica. Lembre-se: na forma crônica, o sintoma cardinal é a dor pós-prandial com perda de peso, e a causa mais comum é a aterosclerose, não compressão extrínseca.
Isquemia intestinal crônica: Etiologia (Aterosclerose (causa mais comum), Compressão extrínseca (menos frequente)); Quadro clínico (Dor pós-prandial (sintoma cardinal), Perda de peso); Diagnóstico (Clínico, Angiografia (padrão-ouro), Laboratório não traz subsídios)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a causa mais frequente de obstrução do tronco celíaco e da artéria mesentérica superior é a compressão extrínseca por ligamentos e bridas. Isso está errado: a causa mais comum é a aterosclerose, que leva à oclusão progressiva dos vasos. A compressão extrínseca, como a síndrome do ligamento arqueado mediano (que comprime o tronco celíaco), é uma causa menos frequente e geralmente envolve apenas o tronco celíaco, não a artéria mesentérica superior.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o sintoma mais comum é a diarreia pós-prandial com má absorção. O sintoma mais comum é a dor abdominal pós-prandial (angina mesentérica), não a diarreia. Embora a má absorção possa ocorrer em fases avançadas, a dor é o sintoma cardinal e costuma levar à restrição alimentar voluntária e perda de peso. A diarreia crônica tem outras causas mais frequentes, como doenças inflamatórias intestinais, intolerância à lactose e síndromes de má absorção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que apenas cerca de 3% dos pacientes que morrem de infarto intestinal apresentam quadro prévio característico de isquemia crônica. Esse número está incorreto. Na verdade, uma proporção significativa de pacientes com infarto intestinal (isquemia aguda) já apresentava sintomas de isquemia crônica prévia — estima-se que cerca de 20% a 50% dos pacientes com isquemia mesentérica aguda tenham história de angina mesentérica. O valor de 3% é um distrator sem fundamento na literatura.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o exame padrão-ouro para diagnóstico funcional é a tonometria da mucosa intestinal. A tonometria é um exame funcional utilizado em alguns centros, mas não é o padrão-ouro. O padrão-ouro para o diagnóstico da isquemia intestinal crônica é a angiografia (ou angiotomografia), que demonstra a oclusão dos vasos esplâncnicos. A tonometria pode ser um exame complementar, mas não é o exame de referência.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que os exames laboratoriais não trazem subsídios importantes para o diagnóstico da isquemia intestinal. Isso está correto: na isquemia crônica, não há marcador laboratorial específico. Os exames de sangue podem mostrar anemia, leucocitose leve ou alterações inespecíficas, mas não confirmam nem excluem o diagnóstico. O diagnóstico é clínico (dor pós-prandial, perda de peso, fatores de risco cardiovascular) e confirmado por imagem (angiografia). Diferentemente da isquemia aguda, em que o lactato elevado e a leucocitose podem sugerir o quadro, na forma crônica os exames laboratoriais são pouco úteis.
Gabarito: letra E — a única alternativa correta é a que reconhece a limitação dos exames laboratoriais no diagnóstico da isquemia intestinal crônica.