Questão de Medicina — Angiologia — VUNESP 2025
- Código
- vu092757
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I - Especialidade: Cirurgia Vascular
- AIopamiron®.
- BOmnipaque®.
- CHenetix®.
- DVisipaque®.
- EUltravist®.
GabaritoD — Visipaque®.
Gabarito: letra D. O Visipaque® (iodixanol) é o único dímero não iônico entre as opções, e por isso apresenta a menor osmolaridade — os dímeros não iônicos são os contrastes de menor osmolaridade disponíveis, pois cada molécula carrega dois anéis de iodo sem se dissociar em íons. Essa é a base da classificação dos meios de contraste iodados, que se dividem em iônicos e não iônicos, monômeros e dímeros.
Os meios de contraste iodados são substâncias que contêm iodo em sua molécula, responsável por absorver raios X e, assim, permitir a visualização de vasos e estruturas internas. A classificação mais importante para a prática clínica é a que considera a ionização e a estrutura molecular: os contrastes podem ser iônicos (que se dissociam em solução, liberando partículas carregadas) ou não iônicos (que não se dissociam), e podem ser monômeros (uma única molécula com um anel benzênico contendo iodo) ou dímeros (duas moléculas unidas, com dois anéis benzênicos). Essa estrutura determina a osmolaridade do contraste, ou seja, a concentração de partículas na solução, que influencia diretamente a tolerância e os efeitos adversos.
A osmolaridade é um conceito central: quanto maior o número de partículas em solução, maior a osmolaridade. Os contrastes iônicos monoméricos, como o diatrizoato, dissociam-se em dois íons por molécula, resultando em alta osmolaridade (cerca de 1500-2000 mOsm/kg). Os não iônicos monoméricos, como o iohexol (Omnipaque®) e o iopamidol (Iopamiron®), não se dissociam, mas ainda têm uma molécula por partícula, resultando em osmolaridade menor (cerca de 600-800 mOsm/kg). Já os dímeros não iônicos, como o iodixanol (Visipaque®), têm duas moléculas unidas, mas não se dissociam, o que reduz ainda mais o número de partículas por átomo de iodo, resultando em osmolaridade muito baixa (cerca de 290 mOsm/kg, próxima à do plasma). Por isso, os dímeros não iônicos são considerados iso-osmolares e são os mais bem tolerados, especialmente em pacientes com risco de nefrotoxicidade ou reações adversas.
Na prática, a escolha do contraste em angiografias e outros exames leva em conta essa classificação: para pacientes com função renal comprometida, por exemplo, prefere-se os dímeros não iônicos, como o iodixanol, por sua menor osmolaridade e menor toxicidade. Os monômeros não iônicos, como iohexol e iopamidol, são amplamente usados, mas têm osmolaridade maior que os dímeros. Já os contrastes iônicos, como o diatrizoato, são mais antigos e raramente usados em angiografia devido à alta osmolaridade e maior risco de reações.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que nem todo contraste não iônico é dímero: a maioria dos não iônicos são monômeros. A banca oferece vários monômeros não iônicos (Iopamiron®, Omnipaque®, Ultravist®) e um dímero não iônico (Visipaque®), além de um monômero iônico (Henetix®). O aluno que sabe que o Visipaque® é o iodixanol, um dímero não iônico, acerta; quem confunde os nomes comerciais pode marcar um monômero não iônico, que tem osmolaridade maior.
Guarde a hierarquia: iônico monômero > não iônico monômero > não iônico dímero em termos de osmolaridade. É exatamente essa ordem que as alternativas exploram.
Contraste | Nome genérico | Classificação | Osmolaridade |
|---|---|---|---|
Iopamiron® | Iopamidol | Monômero não iônico | Intermediária (600–800 mOsm/kg) |
Omnipaque® | Iohexol | Monômero não iônico | Intermediária (600–800 mOsm/kg) |
Henetix® | Ioversol | Monômero não iônico | Intermediária (600–800 mOsm/kg) |
Visipaque® | Iodixanol | Dímero não iônico | Baixa/iso-osmolar (~290 mOsm/kg) |
Ultravist® | Iopromida | Monômero não iônico | Intermediária (600–800 mOsm/kg) |
O Iopamiron® (iopamidol) é um monômero não iônico, não um dímero. Embora tenha osmolaridade menor que os contrastes iônicos, sua osmolaridade é maior que a dos dímeros não iônicos, pois cada molécula carrega apenas um anel de iodo. A alternativa erra ao classificá-lo como dímero.
O Omnipaque® (iohexol) também é um monômero não iônico. Assim como o iopamidol, tem osmolaridade intermediária, mas não é dímero. A banca incluiu essa opção para testar se o aluno sabe diferenciar monômeros de dímeros entre os não iônicos.
O Henetix® (ioversol) é um monômero não iônico (na verdade, ioversol é um monômero não iônico; o nome comercial Henetix® corresponde ao ioversol). Não é dímero, e sua osmolaridade é maior que a do iodixanol. A alternativa está incorreta por classificar um monômero como dímero.
O Visipaque® é o nome comercial do iodixanol, um dímero não iônico. Sua estrutura molecular com dois anéis de iodo e ausência de dissociação iônica resulta na menor osmolaridade entre os contrastes iodados, sendo considerado iso-osmolar em relação ao plasma. É a alternativa correta.
O Ultravist® (iopromida) é um monômero não iônico, assim como os demais não iônicos listados. Não é dímero, e sua osmolaridade é maior que a do Visipaque®. A alternativa erra ao classificá-lo como dímero.
A banca explora a confusão entre monômero não iônico e dímero não iônico. Todos os não iônicos têm osmolaridade menor que os iônicos, mas apenas os dímeros têm a menor osmolaridade. O aluno que memoriza apenas "não iônico = menor osmolaridade" pode marcar qualquer um dos monômeros, mas o correto é o dímero. Lembre-se: dímero não iônico = menor osmolaridade.
Para decorar os contrastes, associe os nomes comerciais: Visipaque® = iodixanol = dímero não iônico (o único da lista). Os demais (Iopamiron®, Omnipaque®, Ultravist®, Henetix®) são monômeros não iônicos. Se a questão pedir "menor osmolaridade", procure o dímero não iônico.
Gabarito: letra D
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