Médico I - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Assinale a alternativa correta acerca do tratamento e prognóstico dos tumores malignos de partes moles em território de cabeça e pescoço.
AEm função de suas localizações superficiais, os sarcomas são normalmente diagnosticados em estágios iniciais, permitindo, com frequência, ressecções cirúrgicas curativas.
BO emprego de terapia antiangiogênica com inibidores de VEGF em regime neoadjuvante é a conduta padronizada e associada à redução da extensão da ressecção cirúrgica, com incremento da sobrevivência global, em portadores de angiossarcomas.
CPara os sarcomas, normalmente opta-se pela ressecção cirúrgica com margens amplas e radioterapia adjuvante, a depender do grau da neoplasia, suas dimensões, extensão e qualidade das margens de ressecção.
DO rabdomiossarcoma tem como primeira via de disseminação o sistema linfático, de tal forma que o esvaziamento cervical eletivo das estações linfonodais, responsáveis pela drenagem linfática da região acometida, deve ser realizado se houver lesões a partir de 2 cm no maior diâmetro.
EApesar da agressividade local, os angiossarcomas contam com baixa probabilidade de desenvolvimento de metástases distantes por via hematogênica.
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GabaritoC — Para os sarcomas, normalmente opta-se pela ressecção cirúrgica com margens amplas e radioterapia adjuvante, a depender do grau da neoplasia, suas dimensões, extensão e qualidade das margens de ressecção.
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Sarcomas de Partes Moles em Cabeça e Pescoço: Tratamento e Prognóstico
Gabarito: letra C. O tratamento padrão dos sarcomas de partes moles, incluindo os de cabeça e pescoço, baseia-se na ressecção cirúrgica com margens amplas, frequentemente complementada por radioterapia adjuvante, cuja indicação depende de fatores prognósticos como grau tumoral, dimensões, extensão e qualidade das margens. Essa abordagem está alinhada com os princípios gerais de tratamento dos sarcomas, que priorizam o controle local da doença, e é a alternativa que reflete corretamente a prática clínica.
Os sarcomas de partes moles são um grupo heterogêneo de tumores malignos de origem mesenquimal, com mais de 70 subtipos clinicopatológicos. Na cabeça e pescoço, eles se manifestam tipicamente como uma massa de crescimento progressivo e indolor. O diagnóstico é estabelecido por biópsia, sendo essencial a distinção de outras neoplasias malignas mais comuns, como linfomas, melanomas e carcinomas pouco diferenciados. O estadiamento e o prognóstico dependem de fatores como tamanho tumoral, profundidade, grau histológico e presença de metástases.
A cirurgia é a pedra angular do tratamento dos sarcomas localizados. O objetivo é a ressecção completa com margens cirúrgicas negativas (margens amplas), pois a presença de margens comprometidas está associada a maior risco de recorrência local. A radioterapia adjuvante é frequentemente indicada para melhorar o controle local, especialmente em tumores de alto grau, grandes dimensões, localização profunda ou quando as margens cirúrgicas são estreitas ou positivas. A decisão de adicionar radioterapia é individualizada, considerando o risco-benefício para cada paciente.
A quimioterapia sistêmica tem papel limitado no tratamento inicial dos sarcomas de partes moles, sendo mais utilizada em doença metastática ou em contextos específicos, como o rabdomiossarcoma. Terapias-alvo e imunoterapia têm indicações restritas a subtipos específicos. A disseminação metastática dos sarcomas ocorre predominantemente por via hematogênica, sendo os pulmões e os ossos os locais mais comuns de metástases à distância. A disseminação linfática é menos frequente, exceto em alguns subtipos como o sarcoma sinovial e o rabdomiossarcoma.
A alternativa C está correta porque descreve com precisão a conduta terapêutica padrão para sarcomas de partes moles: ressecção cirúrgica com margens amplas, seguida de radioterapia adjuvante, cuja indicação é baseada em fatores prognósticos como grau, dimensões, extensão e qualidade das margens. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou informações incorretas sobre o comportamento biológico e o tratamento desses tumores.
Sarcomas de partes moles (cabeça e pescoço)
1Tratamento padrão
Ressecção cirúrgica com margens amplas
Radioterapia adjuvante (individualizada)
Grau da neoplasia
Dimensões
Extensão
Qualidade das margens
2Disseminação
Hematogênica (predominante)
Pulmões
Ossos
Linfática (menos frequente)
Sarcoma sinovial
Rabdomiossarcoma
3Rabdomiossarcoma
Disseminação linfática e hematogênica
Esvaziamento cervical: avaliação individualizada
4Angiossarcoma
Alta agressividade local
Elevado potencial metastático hematogênico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que os sarcomas são "normalmente diagnosticados em estágios iniciais" devido a localizações superficiais é incorreta. Embora possam se apresentar como massa palpável, muitos sarcomas de cabeça e pescoço são diagnosticados em estágios localmente avançados, pois podem crescer silenciosamente em regiões profundas ou serem confundidos com lesões benignas. O diagnóstico precoce não é a regra, e a ressecção cirúrgica curativa nem sempre é possível no momento do diagnóstico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A terapia antiangiogênica com inibidores de VEGF em regime neoadjuvante não é conduta padronizada para angiossarcomas. Embora os angiossarcomas sejam tumores altamente vascularizados e haja investigação de terapias antiangiogênicas, essa abordagem não é o padrão de tratamento estabelecido e não há evidências robustas de que reduza a extensão da ressecção cirúrgica ou aumente a sobrevida global nesse contexto. O tratamento padrão dos angiossarcomas localizados é a ressecção cirúrgica com margens amplas, frequentemente associada à radioterapia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve corretamente a conduta padrão para sarcomas de partes moles: ressecção cirúrgica com margens amplas, que é o tratamento primário, e radioterapia adjuvante, indicada a depender de fatores prognósticos como grau da neoplasia, dimensões, extensão e qualidade das margens de ressecção. Essa abordagem visa maximizar o controle local da doença, reduzindo o risco de recorrência, e é amplamente aceita na prática oncológica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmação de que o rabdomiossarcoma tem como primeira via de disseminação o sistema linfático e que o esvaziamento cervical eletivo deve ser realizado para lesões a partir de 2 cm é incorreta. Embora o rabdomiossarcoma possa metastatizar para linfonodos, a disseminação hematogênica é também significativa. A indicação de esvaziamento cervical eletivo não é baseada apenas no tamanho do tumor (2 cm), mas sim em uma avaliação individualizada que considera o subtipo histológico, a localização e o risco de envolvimento linfonodal. A conduta não é padronizada dessa forma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmação de que os angiossarcomas têm baixa probabilidade de metástases distantes por via hematogênica é incorreta. Os angiossarcomas são tumores altamente agressivos, com elevado potencial de metastatização hematogênica, sendo os pulmões, fígado e ossos os locais mais comuns de metástases à distância. A agressividade local é acompanhada por um risco significativo de doença metastática, o que confere um prognóstico reservado.