Médico I - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Segundo as recomendações terapêuticas propostas pela NCCN (versão 2.2024), assinale a alternativa correta quanto aos acometidos por carcinomas epidermoides supraglóticos.
AVisando-se o controle oncológico e a preservação do órgão, a radioterapia e a laringectomia supraglótica – se ausência de acometimento de pregas vocais – são opções terapêuticas para as neoplasias T1 e T2, consistindo a escolha com base na idade, comorbidades e opção do paciente.
BO esvaziamento cervical eletivo não está indicado em lesões iniciais estadiadas como T1 e T2 pelo baixo risco de metástases ocultas.
CNas neoplasias estadiadas como T3, a radioterapia definitiva é a opção terapêutica de escolha ao proporcionar melhores taxas de controle oncológico local e preservação da deglutição.
DA quimiorradioterapia definitiva proporciona melhor resposta oncológica em relação à laringectomia total em portadores de neoplasias estadiadas como T4a e sem metástases distantes.
EPreconiza-se o tratamento sistêmico neoadjuvante para casos locorregionalmente avançados com incremento da taxa de preservação do órgão e sem comprometimento da sobrevivência global.
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GabaritoA — Visando-se o controle oncológico e a preservação do órgão, a radioterapia e a laringectomia supraglótica – se ausência de acometimento de pregas vocais – são opções terapêuticas para as neoplasias T1 e T2, consistindo a escolha com base na idade, comorbidades e opção do paciente.
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Carcinoma epidermoide supraglótico: tratamento segundo a NCCN
Gabarito: letra A. Para neoplasias supraglóticas iniciais (T1 e T2), a NCCN (versão 2.2024) considera a radioterapia e a laringectomia supraglótica — desde que não haja acometimento de pregas vocais — como opções terapêuticas equivalentes, visando o controle oncológico e a preservação do órgão, sendo a escolha individualizada com base na idade, comorbidades e preferência do paciente. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre o manejo desses tumores.
O carcinoma epidermoide supraglótico é um subtipo de câncer de laringe que se origina na supraglote, região que inclui a epiglote, as pregas ariepiglóticas, a aritenoide e as bandas ventriculares. Por ser uma área com rica drenagem linfática, esses tumores apresentam alto risco de metástases cervicais ocultas, mesmo em estádios iniciais — o que justifica a indicação de esvaziamento cervical eletivo (profilático) em lesões T1 e T2, contrariando a alternativa B.
A escolha entre radioterapia e cirurgia conservadora (laringectomia supraglótica) para tumores iniciais depende de fatores como a extensão exata do tumor, a função laríngea, a idade e as comorbidades do paciente. A laringectomia supraglótica é uma cirurgia de preservação de órgão que remove a supraglote, mantendo as pregas vocais e, portanto, a voz e a deglutição (com reabilitação). A radioterapia isolada é uma alternativa equivalente, com a vantagem de evitar a morbidade cirúrgica, mas com risco de sequelas actínicas. A decisão compartilhada com o paciente é fundamental.
Para tumores mais avançados (T3 e T4), o paradigma muda. Em T3, a quimiorradioterapia é frequentemente preferida à cirurgia total, pois oferece taxas de preservação de órgão sem comprometer a sobrevida — mas não é uma recomendação absoluta, e a cirurgia (laringectomia total ou parcial) pode ser indicada em casos selecionados. Já em T4a, a laringectomia total é geralmente o tratamento de escolha, pois a quimiorradioterapia tem resultados oncológicos inferiores nesse estádio, especialmente com invasão de cartilagem ou extensão extralaríngea. A alternativa D inverte essa lógica.
O tratamento neoadjuvante (quimioterapia de indução) não é a abordagem padrão para carcinomas supraglóticos localmente avançados. Embora possa reduzir o tumor e facilitar a cirurgia ou a radioterapia, não demonstrou aumento consistente da preservação de órgão nem da sobrevida global em comparação com a quimiorradioterapia concomitante, que é a estratégia preferida. A alternativa E, portanto, está incorreta.
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca apresenta como corretas condutas que contrariam as diretrizes da NCCN, como omitir o esvaziamento cervical em lesões iniciais (B), indicar radioterapia definitiva como escolha em T3 (C), preferir quimiorradioterapia à cirurgia em T4a (D) e preconizar neoadjuvância (E). A alternativa A é a única que espelha fielmente a recomendação para tumores iniciais.
Carcinoma supraglótico (NCCN)
1T1/T2 iniciais
RT ou laringectomia supraglótica
sem acometimento de pregas vocais
escolha: idade, comorbidades, preferência
Esvaziamento cervical eletivo
alto risco de metástases ocultas
2T3
Quimiorradioterapia preferida
Cirurgia em casos selecionados
3T4a
Laringectomia total é a escolha
QT/RT tem controle inferior
4Localmente avançado
Neoadjuvância não é padrão
QT/RT concomitante preferida
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o manejo dos carcinomas supraglóticos T1 e T2 segundo a NCCN: tanto a radioterapia quanto a laringectomia supraglótica são opções válidas para controle oncológico e preservação do órgão, desde que não haja acometimento das pregas vocais (o que permitiria a cirurgia conservadora). A escolha é individualizada, considerando idade, comorbidades e preferência do paciente — exatamente o que a alternativa afirma. É a única que reflete a recomendação da diretriz.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o esvaziamento cervical eletivo não está indicado em lesões T1 e T2 pelo baixo risco de metástases ocultas. Isso é falso: a supraglote tem rica drenagem linfática, e o risco de metástases ocultas é alto mesmo em tumores iniciais (cerca de 20-30%). Por isso, a NCCN recomenda o esvaziamento cervical eletivo (geralmente níveis II-IV) em todos os tumores supraglóticos, independentemente do estádio T, para estadiamento e controle regional. A alternativa inverte a lógica da indicação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que em T3 a radioterapia definitiva é a opção de escolha por proporcionar melhores taxas de controle local e preservação da deglutição. Embora a radioterapia (ou quimiorradioterapia) seja uma opção válida em T3, não é a "opção de escolha" absoluta — a cirurgia (laringectomia parcial ou total) também é indicada em casos selecionados, e a decisão depende de fatores como extensão tumoral, função laríngea e preferência do paciente. Além disso, a radioterapia isolada não é superior à cirurgia em controle local; a quimiorradioterapia é que demonstrou taxas de preservação de órgão semelhantes à cirurgia. A alternativa simplifica demais e erra ao afirmar que a RT é a escolha.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a quimiorradioterapia definitiva proporciona melhor resposta oncológica que a laringectomia total em T4a. Isso é incorreto: em tumores T4a (invasão de cartilagem tireoide, extensão extralaríngea), a laringectomia total é o tratamento de escolha, pois a quimiorradioterapia tem taxas de controle local inferiores e maior risco de recidiva. A cirurgia oferece melhor controle oncológico nesse estádio avançado, embora sacrifique a laringe. A alternativa inverte a recomendação da NCCN.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Preconiza o tratamento sistêmico neoadjuvante para casos locorregionalmente avançados com incremento da preservação de órgão e sem comprometimento da sobrevida. Isso não é a recomendação padrão: a quimioterapia de indução (neoadjuvante) não demonstrou benefício consistente em preservação de órgão nem em sobrevida global para carcinomas supraglóticos, e não é a abordagem preferida pela NCCN. A estratégia padrão para doença localmente avançada é a quimiorradioterapia concomitante ou a cirurgia seguida de adjuvância, conforme o caso. A alternativa apresenta uma conduta sem respaldo nas diretrizes.