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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2025

MedicinaOncologia
Código
vu092772
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Com base nas recomendações do National Comprehensive Cancer Network (NCCN, versão 2.2024), assinale a alternativa correta acerca do manejo do carcinoma epidermoide inicial de glote (cT1-2, cN0, M0)?
  1. AA laringectomia parcial supraglótica aberta é a modalidade cirúrgica de escolha para tumores T2 quanto à preservação da qualidade vocal em relação à radioterapia.
  2. BA fixação de prega vocal em neoplasias T2 não influencia a decisão terapêutica, pois tanto a radioterapia como a ressecção transoral estão associadas a taxas elevadas de preservação funcional.
  3. CPara lesões com extensão subglótica maior que 5 mm, o tratamento de escolha é cirúrgico, pois a radioterapia está associada a altas taxas de falha terapêutica.
  4. DA ressecção cirúrgica transoral e a radioterapia oferecem controles oncológicos semelhantes para neoplasias T1a.
  5. EA ressonância magnética não é um exame adequado para avaliação precoce da cartilagem tireoide, sendo mais adequada para o estudo de partes moles.
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GabaritoD — A ressecção cirúrgica transoral e a radioterapia oferecem controles oncológicos semelhantes para neoplasias T1a.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma epidermoide de glote inicial: manejo pelo NCCN

Gabarito: letra D. Para neoplasias T1a de glote, a ressecção cirúrgica transoral (como a cordectomia a laser) e a radioterapia oferecem controles oncológicos semelhantes, sendo ambas opções de primeira linha — é exatamente essa equivalência que a alternativa correta espelha, conforme as diretrizes do NCCN (versão 2.2024).

O carcinoma epidermoide de glote inicial (cT1-2, cN0, M0) é um dos cenários mais favoráveis da oncologia de cabeça e pescoço: a glote é uma região com drenagem linfática escassa, o que torna rara a metástase nodal em tumores precoces, e a apresentação sintomática (disfonia) costuma levar ao diagnóstico em estágio inicial. O objetivo central do tratamento, nesse contexto, é duplo: curar o paciente e preservar a função vocal. Por isso, as opções terapêuticas de primeira linha são a cirurgia transoral (ressecção endoscópica, geralmente com laser) e a radioterapia — ambas com taxas de controle local elevadas e resultados funcionais comparáveis, especialmente em lesões T1a (tumor limitado a uma única prega vocal, sem comprometimento da comissura anterior).

A escolha entre uma modalidade e outra depende de múltiplos fatores: disponibilidade de tecnologia e expertise, preferência do paciente, custo, tempo de tratamento e características específicas do tumor. Para T1a, a literatura e as diretrizes do NCCN reconhecem que não há superioridade oncológica de uma modalidade sobre a outra — a decisão é compartilhada, pesando aspectos funcionais e logísticos. Já para tumores T1b (ambas as pregas vocais) e T2, a cirurgia transoral continua sendo uma opção, mas a radioterapia ganha espaço, e a fixação de prega vocal (que caracteriza T2b) é um fator prognóstico importante: tumores com fixação têm pior resposta à radioterapia e pior controle local, o que pode influenciar a indicação cirúrgica. A extensão subglótica também é relevante: quando ultrapassa 5 mm, a ressecção transoral pode ser tecnicamente difícil, e a radioterapia pode ser preferida — ou a cirurgia aberta, dependendo do caso. A avaliação da cartilagem tireoide é feita preferencialmente por tomografia computadorizada (TC), que tem maior sensibilidade para detectar erosão/invasão cartilaginosa precoce; a ressonância magnética (RM) é útil para partes moles, mas não é o exame de escolha para essa avaliação específica.

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca o que é verdadeiro para T1a (equivalência entre cirurgia transoral e radioterapia) e o aplica a situações em que não se sustenta (T2 com fixação, extensão subglótica > 5 mm), ou afirma superioridade de uma modalidade onde não existe. A alternativa D é a única que reproduz fielmente a recomendação do NCCN para T1a.

Modalidade

Controle oncológico em T1a

Indicação principal

Observação

Ressecção cirúrgica transoral

Semelhante à radioterapia

T1a (uma prega vocal)

Opção de primeira linha; decisão compartilhada

Radioterapia

Semelhante à ressecção transoral

T1a, T1b e T2 (sem fixação)

Qualidade vocal geralmente boa; contraindicação relativa em extensão subglótica > 5 mm

Cirurgia aberta (ex.: laringectomia parcial vertical)

Inferior em qualidade vocal; reservada para casos selecionados

T2 com fixação ou falha de outros tratamentos

Não é primeira linha para T1a

Fixação de prega vocal (T2b)

Pior controle com radioterapia isolada

Influencia decisão para cirurgia

Fator prognóstico adverso

TC para avaliação da cartilagem tireoide

Exame de escolha para erosão/invasão precoce

RM é inferior para essa avaliação

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a laringectomia parcial supraglótica aberta é a modalidade cirúrgica de escolha para tumores T2 quanto à preservação da qualidade vocal em relação à radioterapia. Há dois erros: (1) a laringectomia parcial supraglótica é indicada para tumores da supraglote, não da glote — para tumores glóticos T2, a cirurgia de escolha, quando indicada, é a transoral (endoscópica) ou a laringectomia parcial vertical (cordectomia ampliada), não a supraglótica; (2) para T2, a radioterapia e a cirurgia transoral são opções, mas a qualidade vocal tende a ser melhor com a radioterapia ou com ressecções transorais limitadas — a cirurgia aberta, em geral, está associada a pior resultado vocal. A alternativa inverte a lógica e o tipo de cirurgia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a fixação de prega vocal em neoplasias T2 não influencia a decisão terapêutica. Isso é falso: a fixação de prega vocal é um fator prognóstico adverso — tumores T2 com fixação (T2b) têm pior controle local com radioterapia isolada, e a decisão entre radioterapia e cirurgia (transoral ou aberta) é diretamente influenciada por esse achado. A fixação indica maior profundidade de invasão e pior resposta ao tratamento conservador, podendo levar à indicação de cirurgia mais extensa ou de abordagens combinadas. A alternativa tenta generalizar a equivalência de T1a para T2, o que não se sustenta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que, para lesões com extensão subglótica maior que 5 mm, o tratamento de escolha é cirúrgico, pois a radioterapia está associada a altas taxas de falha terapêutica. A premissa está parcialmente correta (extensão subglótica > 5 mm é um fator de risco para falha com radioterapia), mas a conclusão é exagerada e não reflete a recomendação do NCCN: a radioterapia não é contraindicada nesses casos, e a decisão é individualizada — a cirurgia transoral pode ser tecnicamente difícil, mas a radioterapia (ou a cirurgia aberta, como a laringectomia parcial) continua sendo uma opção válida. Não há uma regra absoluta de "tratamento de escolha cirúrgico" para essa situação; a alternativa simplifica demais e afirma uma contraindicação que não existe.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. Para neoplasias T1a de glote (tumor limitado a uma prega vocal, sem comprometimento da comissura anterior), a ressecção cirúrgica transoral (cordectomia a laser, por exemplo) e a radioterapia oferecem controles oncológicos semelhantes — ambas com taxas de controle local em torno de 90% ou mais. A escolha entre elas é baseada em fatores como disponibilidade, preferência do paciente, custo e resultados funcionais (qualidade vocal), mas não há superioridade oncológica de uma sobre a outra. Essa é a recomendação central do NCCN para T1a, e a alternativa a reproduz fielmente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a ressonância magnética não é um exame adequado para avaliação precoce da cartilagem tireoide, sendo mais adequada para o estudo de partes moles. A primeira parte está correta (a RM não é o exame de escolha para avaliar erosão/invasão precoce da cartilagem tireoide — a TC é superior para isso), mas a segunda parte é incompleta e enganosa: a RM é, de fato, excelente para partes moles, mas isso não a torna "inadequada" para a cartilagem — ela simplesmente não é a primeira escolha. A alternativa mistura uma verdade (RM não é ideal para cartilagem) com uma justificativa que não explica o porquê (a RM é boa para partes moles, mas a TC é melhor para osso/cartilagem). O erro está em apresentar a RM como "não adequada" de forma absoluta, quando na prática ela pode ser usada em contextos específicos, mas a TC é o padrão para essa avaliação.

Gabarito: letra D — a única alternativa que reflete corretamente a recomendação do NCCN para carcinoma epidermoide de glote T1a: equivalência oncológica entre ressecção transoral e radioterapia.

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