Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2025

MedicinaOncologia
Código
vu092788
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
São conceitos verdadeiros acerca da radioterapia:
  1. Aalgumas síndromes genéticas e doenças do colágeno, como o lúpus eritematoso sistêmico e a esclerodermia, reduzem a sensibilidade à radiação ionizante.
  2. Bseu efeito direto ocorre por interação com o meio de suspensão dos componentes celulares, levando à produção de radicais livres, mas representando uma menor fração de seu efeito biológico.
  3. Ctecidos pobres em oxigênio contam com maior radiossensibilidade.
  4. Dtrata-se de tratamento localizado, com possibilidade de efeitos colaterais graves, precoces e tardios, mas sem repercussões sistêmicas.
  5. Ea radiossensibilidade é diferente entre os tecidos, a depender da capacidade de reparo tecidual, de tal forma que tecidos hematopoiéticos e germinativos são os mais susceptíveis.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — a radiossensibilidade é diferente entre os tecidos, a depender da capacidade de reparo tecidual, de tal forma que tecidos hematopoiéticos e germinativos são os mais susceptíveis.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Radiossensibilidade e princípios da radioterapia

Gabarito: letra E. A radiossensibilidade varia entre os tecidos conforme sua capacidade de reparo e proliferação celular, sendo os tecidos hematopoiéticos e germinativos os mais susceptíveis à radiação ionizante — exatamente o que afirma a alternativa E. Esse conceito é central na radiobiologia e fundamenta o planejamento da radioterapia, que busca maximizar a dose no tumor e minimizar o dano aos tecidos normais.

A radioterapia é uma modalidade de tratamento locorregional do câncer que utiliza radiação ionizante para danificar o DNA das células tumorais. O dano pode ocorrer de duas formas: direta, quando a radiação atinge diretamente a molécula de DNA, ou indireta, quando a radiação interage com a água e outras moléculas do meio, gerando radicais livres que, por sua vez, danificam o DNA. O efeito indireto é o predominante, representando a maior fração do efeito biológico da radiação, pois a célula é composta majoritariamente por água.

A radiossensibilidade de um tecido está diretamente relacionada à sua atividade proliferativa e à sua capacidade de reparo. Tecidos com alta taxa de divisão celular, como a medula óssea (hematopoiético), as gônadas (germinativo), o epitélio intestinal e a pele, são mais radiossensíveis. Por outro lado, tecidos com baixa atividade proliferativa, como neurônios e células musculares, são mais radiossensíveis. Essa diferença é explorada no fracionamento da dose: ao dividir a dose total em pequenas frações diárias, o tecido normal, com maior capacidade de reparo, se recupera entre as frações, enquanto o tecido tumoral, com menor capacidade de reparo, acumula o dano.

O oxigênio é um fator crítico na radiossensibilidade. O chamado efeito oxigênio estabelece que células bem oxigenadas são mais radiossensíveis do que células hipóxicas. Isso ocorre porque o oxigênio reage com os radicais livres gerados pela radiação, formando espécies reativas de oxigênio que "fixam" o dano ao DNA, tornando-o permanente. Em contrapartida, em ambientes pobres em oxigênio, o dano pode ser reparado com mais facilidade. Por isso, tumores com áreas hipóxicas (centrais, mal vascularizadas) tendem a ser mais radiorresistentes.

A radioterapia, embora seja um tratamento localizado, pode causar efeitos colaterais sistêmicos. Além dos efeitos locais (como radiodermite, mucosite e fibrose), a radiação pode levar a sintomas sistêmicos como fadiga, náuseas e alterações hematológicas, especialmente quando grandes volumes de medula óssea são irradiados. Portanto, a afirmação de que não há repercussões sistêmicas é incorreta.

Algumas condições clínicas podem alterar a radiossensibilidade. Doenças do colágeno, como lúpus eritematoso sistêmico e esclerodermia, estão associadas a um aumento da sensibilidade à radiação, não a uma redução. Isso se deve à fibrose e à vasculopatia crônica presentes nessas doenças, que comprometem a capacidade de reparo tecidual e aumentam o risco de complicações tardias, como fibrose e necrose. Da mesma forma, síndromes genéticas com defeitos no reparo do DNA, como ataxia-telangiectasia e síndrome de Li-Fraumeni, conferem hipersensibilidade à radiação.

A radiossensibilidade é, portanto, um conceito multifatorial, influenciado pela fase do ciclo celular (células em M e G2 são mais sensíveis), pela taxa de proliferação, pela oxigenação tecidual e pela capacidade de reparo do DNA. A alternativa E captura corretamente a essência desse conceito ao afirmar que a radiossensibilidade varia entre os tecidos e que os hematopoiéticos e germinativos são os mais susceptíveis.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o efeito direto e indireto da radiação e entre radiossensibilidade e radiorresistência. Na alternativa B, o efeito direto é descrito como aquele que ocorre por interação com o meio de suspensão (o que é o efeito indireto), e o efeito indireto é dito como menor fração (quando é o maior). Na alternativa C, a relação com o oxigênio é invertida: tecidos pobres em oxigênio são mais radiorresistentes, não mais radiossensíveis. Fique atento a essas inversões clássicas.

Característica

Efeito Direto

Efeito Indireto

Mecanismo

Radiação atinge diretamente a molécula de DNA

Radiação interage com a água/meio, gerando radicais livres que danificam o DNA

Fração do efeito biológico

Menor

Maior (predominante)

Fator

Influência na radiossensibilidade

:--

:--

Oxigenação tecidual

Tecidos bem oxigenados são mais radiossensíveis; tecidos hipóxicos são mais radiorresistentes

Atividade proliferativa

Tecidos com alta taxa de divisão (hematopoiéticos, germinativos) são mais radiossensíveis

Capacidade de reparo

Tecidos com maior capacidade de reparo são mais radiorresistentes

Doenças do colágeno (lúpus, esclerodermia)

Aumentam a radiossensibilidade (comprometem o reparo tecidual)

1Fatores que aumentam
Alta proliferação celular
Boa oxigenação (efeito oxigênio)
Fase M e G2 do ciclo
2Tecidos mais sensíveis
Hematopoiéticos (medula)
Germinativos (gônadas)
Epitélio intestinal
3Tecidos mais resistentes
Neurônios
Músculos
4Condições que aumentam sensibilidade
Lúpus e esclerodermia
Síndromes de reparo do DNA
Radiossensibilidade
LEVELsoulevel.com.br
Radiossensibilidade: Fatores que aumentam (Alta proliferação celular, Boa oxigenação (efeito oxigênio), Fase M e G2 do ciclo); Tecidos mais sensíveis (Hematopoiéticos (medula), Germinativos (gônadas), Epitélio intestinal); Tecidos mais resistentes (Neurônios, Músculos); Condições que aumentam sensibilidade (Lúpus e esclerodermia, Síndromes de reparo do DNA)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que doenças do colágeno, como lúpus e esclerodermia, reduzem a sensibilidade à radiação. Na verdade, essas condições aumentam a radiossensibilidade, pois cursam com fibrose e vasculopatia que comprometem o reparo tecidual, elevando o risco de complicações agudas e tardias. O erro está na inversão do sentido: a banca trocou "aumentam" por "reduzem".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Descreve o efeito direto como aquele que ocorre por interação com o meio de suspensão, gerando radicais livres, e afirma que ele representa uma menor fração do efeito biológico. Há uma dupla inversão: o efeito que ocorre por interação com o meio (água) e gera radicais livres é o efeito indireto, e é ele que representa a maior fração do efeito biológico. O efeito direto é aquele em que a radiação atinge diretamente o DNA, e corresponde a uma fração menor.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que tecidos pobres em oxigênio contam com maior radiossensibilidade. É o oposto: o efeito oxigênio estabelece que a presença de oxigênio aumenta a radiossensibilidade, pois o O₂ reage com os radicais livres e "fixa" o dano ao DNA. Tecidos hipóxicos são mais radiorresistentes, o que é um desafio clínico no tratamento de tumores com áreas mal oxigenadas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Diz que a radioterapia é um tratamento localizado, com possibilidade de efeitos colaterais graves, precoces e tardios, mas sem repercussões sistêmicas. A última parte está errada: embora seja um tratamento locorregional, a radioterapia pode causar efeitos sistêmicos, como fadiga, náuseas e mielossupressão, especialmente quando grandes volumes de medula óssea ou órgãos críticos são irradiados.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma corretamente que a radiossensibilidade é diferente entre os tecidos, dependendo da capacidade de reparo tecidual, e que tecidos hematopoiéticos e germinativos são os mais susceptíveis. Isso está alinhado com a lei de Bergonié e Tribondeau, que estabelece que a radiossensibilidade é diretamente proporcional à atividade proliferativa e inversamente proporcional ao grau de diferenciação celular. Medula óssea e gônadas, com alta taxa de divisão, são os mais radiossensíveis.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/vu092788