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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2025

MedicinaOncologia
Código
vu092790
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Quanto à epidemiologia do câncer em cabeça e pescoço, no Brasil, é correto afirmar:
  1. Aa imunização contra o papilomavírus humano (HPV) tem como objetivo a redução da prevalência do câncer genital feminino, mas não deve interferir nas taxas do carcinoma epidermóide de orofaringe, pois estão associados a sorotipos distintos do vírus.
  2. Bos estados da federação brasileira contam com taxas distintas de incidência para os diferentes tipos de câncer. No estado de São Paulo, o câncer de tireoide é o terceiro mais prevalente entre as mulheres e o quarto entre os homens.
  3. Centre os homens brasileiros, as incidências dos cânceres em território de cabeça e pescoço seguem a ordem descendente: pele não melanoma, laringe, boca e orofaringe.
  4. Dentre os acometidos pelo câncer bem diferenciado da tireoide, observa-se redução da participação do carcinoma folicular em favor da papilífero, especialmente suas variantes clássica e folicular.
  5. Ehá tendência à redução progressiva da incidência e das mortes/ano por melanoma maligno.
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GabaritoD — entre os acometidos pelo câncer bem diferenciado da tireoide, observa-se redução da participação do carcinoma folicular em favor da papilífero, especialmente suas variantes clássica e folicular.

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Epidemiologia do câncer de cabeça e pescoço no Brasil

Gabarito: letra D. Entre os acometidos pelo carcinoma bem diferenciado da tireoide, observa-se redução da participação do carcinoma folicular em favor do papilífero, especialmente suas variantes clássica e folicular — tendência mundial e brasileira, ligada à maior detecção de microcarcinomas e à reclassificação histopatológica. As demais alternativas contêm erros factuais: a vacina HPV protege contra sorotipos que também causam câncer de orofaringe; o câncer de tireoide não é o terceiro/quarto mais prevalente em SP; a ordem de incidência entre homens não é a descrita; e não há tendência de redução do melanoma.

O câncer de cabeça e pescoço engloba um grupo heterogêneo de neoplasias malignas que se originam, em sua maioria, do epitélio escamoso que reveste a cavidade oral, a orofaringe, a hipofaringe e a laringe — os chamados carcinomas espinocelulares (ou epidermoides). Além desses, incluem-se tumores de glândulas salivares e da tireoide, que têm biologia, apresentação clínica, história natural e tratamento distintos. Historicamente, o tabagismo e o etilismo são os principais fatores de risco, mas, nas últimas duas décadas, o papilomavírus humano (HPV) emergiu como causa do aumento da incidência do carcinoma espinocelular de orofaringe, especialmente em pacientes mais jovens e com pouco ou nenhum uso de tabaco/álcool.

A epidemiologia desses tumores no Brasil segue padrões regionais e de gênero. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) publica estimativas bienais de incidência e mortalidade, que orientam políticas públicas. Para a tireoide, especificamente, os dados mostram aumento progressivo da incidência do carcinoma diferenciado (CDT) nas últimas décadas, tanto em homens quanto em mulheres. Esse aumento é atribuído, em grande parte, à maior detecção de nódulos incidentais por ultrassonografia e à reclassificação de lesões antes consideradas benignas. O carcinoma papilífero é o principal representante do CDT, e sua proporção tem crescido em relação ao folicular — fenômeno observado mundialmente e também no Brasil.

A pegadinha central desta questão é a mistura de dados epidemiológicos de diferentes tumores e regiões. O candidato precisa distinguir: (1) o papel do HPV na orofaringe (e não apenas no colo do útero); (2) a real posição do câncer de tireoide na incidência feminina/masculina; (3) a ordem correta de incidência dos tumores de cabeça e pescoço entre homens; (4) a tendência do carcinoma diferenciado da tireoide; e (5) a tendência do melanoma. A alternativa D é a única que descreve corretamente uma tendência epidemiológica real e bem documentada.

Câncer de cabeça e pescoço
  • 1Fatores de risco
    • Tabagismo e etilismo
    • HPV (orofaringe)
      • Sorotipos 16 e 18
      • Vacina protege orofaringe e colo do útero
  • 2Incidência (homens)
    • Pele não melanoma
    • Boca
    • Laringe
    • Orofaringe
  • 3Tireoide (CDT)
    • Papilífero em ascensão
    • Folicular em redução
    • Causas: detecção precoce e reclassificação
  • 4Melanoma
    • Incidência crescente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que a vacina HPV não interfere nas taxas de carcinoma epidermoide de orofaringe é falsa. O HPV, especialmente os sorotipos 16 e 18, está associado ao aumento da incidência do carcinoma espinocelular de orofaringe, e a vacina quadrivalente (6, 11, 16, 18) e a nonavalente (inclui 31, 33, 45, 52, 58) protegem contra os sorotipos oncogênicos que causam tanto o câncer de colo do útero quanto o de orofaringe. A vacinação, portanto, tem potencial para reduzir a incidência de ambos. O erro está em afirmar que os sorotipos são distintos — os mesmos sorotipos (16 e 18) estão implicados nos dois cânceres.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação sobre o estado de São Paulo está incorreta. O câncer de tireoide, embora seja relativamente comum entre mulheres, não é o terceiro mais prevalente entre elas nem o quarto entre os homens no estado de São Paulo. Dados do INCA mostram que, entre as mulheres, os tumores mais incidentes são o de mama, o colorretal e o de colo do útero (em algumas regiões, o de tireoide aparece em posições variáveis, mas não como terceiro lugar no estado de SP). Entre os homens, os mais incidentes são próstata, pulmão e colorretal. A alternativa inventa posições específicas sem respaldo nos dados epidemiológicos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ordem descendente de incidência entre homens brasileiros para os cânceres de cabeça e pescoço está errada. A ordem correta, segundo dados do INCA, é: pele não melanoma, boca, laringe e, por fim, orofaringe (ou hipofaringe). A alternativa coloca a laringe antes da boca, invertendo a ordem real. O câncer de boca é mais incidente que o de laringe entre homens brasileiros, e a orofaringe tem incidência menor que ambos. A pele não melanoma é, de fato, o mais comum, mas a sequência subsequente está trocada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente a tendência epidemiológica do carcinoma bem diferenciado da tireoide (CDT). Estudos mostram aumento progressivo da incidência do CDT, com crescimento da proporção do carcinoma papilífero em relação ao folicular. Isso se deve, principalmente, à maior detecção de microcarcinomas papilíferos (variantes clássica e folicular) por métodos de imagem, além de mudanças na classificação histopatológica. O carcinoma papilífero é o principal representante do CDT, e sua variante folicular é uma das mais comuns. A redução relativa do carcinoma folicular é um fenômeno documentado na literatura e nos registros de câncer.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação de que há tendência à redução progressiva da incidência e das mortes por melanoma maligno é falsa. O melanoma é um dos cânceres com incidência crescente em todo o mundo, incluindo o Brasil, principalmente em populações de pele clara e com exposição solar intensa. A mortalidade, embora tenha estabilizado em alguns países desenvolvidos, não apresenta tendência de redução progressiva no Brasil. A alternativa inverte a realidade epidemiológica: o melanoma está aumentando, não diminuindo.

Gabarito: letra D — a única alternativa que descreve corretamente uma tendência epidemiológica real do câncer de cabeça e pescoço no Brasil.

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