Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu092792
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Homem, hígido, 40 anos, é admitido em serviço de emergência em vigência de sinais de choque hipovolêmico, saturação de O2 em 97%, mas redução do nível de consciência. Há algumas horas havia sido submetido a procedimento estético ambulatorial, contanto, com aumento submandibular difuso e hematoma cutâneo. Há uma incisão pontual em mento.Nesse caso, qual a melhor conduta?
ACervicotomia exploradora imediata.
BCompressas de gelo locais, transfusão de concentrado de hemácias e observação.
CRadioterapia hemostática.
DEstudo angiográfico cervical para embolização de estrutura vascular acometida.
EExploração do local afetado através da ferida operatória, em sala de emergência.
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GabaritoA — Cervicotomia exploradora imediata.
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Choque hipovolêmico hemorrágico: conduta na hemorragia cervical pós-procedimento estético
Gabarito: letra A. O paciente apresenta choque hipovolêmico com rebaixamento do nível de consciência, aumento submandibular difuso e hematoma cutâneo após procedimento estético ambulatorial — quadro compatível com hemorragia cervical ativa e compressão de vias aéreas. A conduta imediata é a cervicotomia exploradora para controle do sangramento e descompressão, pois a demora pode levar a óbito por asfixia ou exsanguinação. As demais alternativas são inadequadas por não tratar a causa do choque ou por serem medidas paliativas ou tardias.
O choque hipovolêmico é a forma mais comum de choque e resulta da redução do volume intravascular, que leva à diminuição da pré-carga, do débito cardíaco e, consequentemente, da perfusão tecidual. No caso apresentado, a causa é hemorrágica: o paciente foi submetido a procedimento estético na região do mento e agora apresenta aumento submandibular difuso e hematoma cutâneo, sugerindo sangramento ativo em região cervical. A presença de rebaixamento do nível de consciência indica hipoperfusão cerebral, e a saturação de O2 em 97% não exclui a gravidade, pois a hipóxia tecidual pode ocorrer mesmo com SpO2 normal em choque hemorrágico.
A prioridade no choque hemorrágico é o controle da fonte de sangramento e a reposição volêmica. No trauma cervical, a presença de hematoma expansivo, sangramento ativo ou comprometimento de vias aéreas são indicações de exploração cirúrgica imediata. A cervicotomia exploradora permite identificar e controlar a lesão vascular, além de realizar a descompressão das vias aéreas se necessário. Medidas como compressas de gelo, transfusão ou observação são insuficientes e retardam o tratamento definitivo. A radioterapia hemostática não é indicada para hemorragia aguda. A angiografia com embolização pode ser útil em casos selecionados, mas não é a primeira escolha em paciente instável com hematoma expansivo. A exploração através da ferida operatória é inadequada, pois não permite uma abordagem ampla e segura da região cervical.
A banca explora a confusão entre condutas conservadoras e a necessidade de intervenção cirúrgica imediata em situações de risco iminente de vida. O aluno deve reconhecer que, diante de choque hipovolêmico com hematoma cervical expansivo, a cervicotomia exploradora é a conduta que salva vidas, mesmo que o procedimento estético tenha sido de pequeno porte. A gravidade do quadro clínico sobrepõe-se à natureza do procedimento inicial.
A cervicotomia exploradora imediata é a conduta correta. O paciente apresenta choque hipovolêmico com hematoma cervical expansivo e rebaixamento do nível de consciência, indicando sangramento ativo e possível compressão de vias aéreas. A exploração cirúrgica permite o controle do sangramento e a descompressão, sendo a única medida capaz de reverter o quadro de forma definitiva.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Compressas de gelo, transfusão e observação são medidas paliativas que não tratam a causa do choque. Em paciente instável com hematoma expansivo, a conduta expectante é inadequada e pode levar a óbito. A transfusão de hemácias é parte do tratamento, mas não substitui o controle cirúrgico do sangramento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A radioterapia hemostática não é indicada para hemorragia aguda. Seu uso é restrito a situações específicas, como sangramentos por neoplasias, e não tem papel no manejo de hemorragia cervical pós-traumática ou pós-procedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O estudo angiográfico com embolização pode ser uma opção em casos selecionados de sangramento cervical, mas não é a primeira escolha em paciente com choque e hematoma expansivo. A demora para realização do exame pode agravar o quadro, e a embolização não resolve a compressão de vias aéreas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A exploração do local afetado através da ferida operatória é inadequada, pois não permite uma abordagem ampla da região cervical. A ferida pontual no mento não dá acesso adequado aos vasos cervicais, e a exploração limitada pode não identificar a fonte do sangramento. A cervicotomia exploradora é a via de acesso correta.