Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
vu092795
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Clínica Médica
Homem de 55 anos apresenta quadro agudo de dor torácica e dispneia intensa. Pressão arterial: 76 x 40 mmHg; frequência cardíaca: 105/min.; frequência respiratória: 32/min.; saturação arterial de oxigênio: 88% em ar ambiente; há crepitações na metade superior de ambos os pulmões; ausculta com novo sopro holossistólico que é mais audível no ápice cardíaco e irradia para a axila esquerda. Eletrocardiograma: elevação de ST de 2,5 mm nas derivações inferiores. Radiografia de tórax: congestão pulmonar, com silhueta cardíaca de tamanho normal.A mais provável causa do sopro cardíaco é:
  1. Acomunicação interventricular aguda.
  2. Bdissecção aguda de aorta.
  3. Cinsuficiência aórtica aguda.
  4. Druptura do músculo papilar.
  5. Evalva bicúspide com estenose aórtica crítica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — ruptura do músculo papilar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infarto agudo do miocárdio complicado por ruptura de músculo papilar

Gabarito: letra D. O quadro clínico descrito — IAM com supra de ST em parede inferior, choque cardiogênico, congestão pulmonar e sopro holossistólico novo no ápice com irradiação para axila — é a apresentação clássica da ruptura do músculo papilar (mais comumente o posteromedial, na vigência de infarto inferior), que causa insuficiência mitral aguda grave. As demais alternativas não explicam o conjunto de achados: a comunicação interventricular aguda também pode ocorrer no IAM, mas o sopro é paraesternal, não apical; a dissecção de aorta e a estenose aórtica crítica têm perfis clínicos distintos; e a insuficiência aórtica aguda cursa com sopro diastólico, não holossistólico.

O infarto agudo do miocárdio (IAM) é a necrose de cardiomiócitos por isquemia prolongada, na maioria das vezes consequência da ruptura de uma placa aterosclerótica com formação de trombo oclusivo em uma artéria coronária. No caso descrito, a elevação do segmento ST nas derivações inferiores (II, III e aVF) indica o território da artéria coronária direita (ou, menos frequentemente, da artéria circunflexa), que irriga a parede inferior do ventrículo esquerdo e, crucialmente, o músculo papilar posteromedial. Esse músculo papilar é o mais vulnerável à isquemia porque recebe sangue de uma única fonte arterial (geralmente um ramo da coronária direita), ao contrário do músculo papilar anterolateral, que tem dupla irrigação (ramos das artérias descendente anterior e circunflexa). Por isso, o infarto inferior tem risco particular de complicação por ruptura do músculo papilar, que leva à perda súbita do suporte da valva mitral e à insuficiência mitral aguda grave.

A insuficiência mitral aguda é uma emergência hemodinâmica: o sangue regurgita do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo durante a sístole, elevando abruptamente a pressão no átrio esquerdo e, retrogradamente, nas veias pulmonares e capilares. Isso explica a dispneia intensa, a saturação de O₂ de 88% e as crepitações na metade superior de ambos os pulmões (edema agudo de pulmão). A queda do débito cardíaco efetivo para frente, associada à disfunção ventricular, leva ao choque cardiogênico, manifestado pela pressão arterial de 76 x 40 mmHg e taquicardia compensatória. O sopro holossistólico mais audível no ápice com irradiação para a axila esquerda é a assinatura auscultatória da regurgitação mitral: o jato regurgitante é dirigido para o átrio esquerdo, e o ápice é o foco de ausculta que melhor capta esse fluxo. A radiografia de tórax mostra congestão pulmonar com silhueta cardíaca de tamanho normal, um dado que ajuda a diferenciar a insuficiência mitral aguda da crônica: no quadro agudo, o átrio esquerdo não teve tempo de dilatar, então o coração não está aumentado.

A distinção central que a questão explora é entre as complicações mecânicas do IAM: ruptura de músculo papilar (insuficiência mitral aguda) e comunicação interventricular (CIV) aguda (ruptura do septo interventricular). Ambas ocorrem na primeira semana pós-IAM, ambas cursam com sopro sistólico novo e choque, mas os achados auscultatórios e a localização do sopro as separam:

Critério

Ruptura de músculo papilar (IM aguda)

Comunicação interventricular aguda

Sopro

Holossistólico no ápice, irradia para axila

Holossistólico em borda esternal esquerda baixa, irradia para precórdio

Território de IAM mais comum

Inferior (músculo papilar posteromedial)

Anterior (septo interventricular)

Frêmito

Raro

Frequente (frêmito sistólico paraesternal)

Mecanismo

Perda do suporte da valva mitral

Defeito septal com shunt esquerda-direita

A pegadinha da banca está em oferecer a comunicação interventricular aguda como alternativa, pois é a outra complicação mecânica clássica do IAM que também gera sopro sistólico novo e choque. O candidato que memoriza apenas "sopro novo + choque pós-IAM = complicação mecânica" pode cair na armadilha. A chave é a localização e a irradiação do sopro: apical com irradiação axilar aponta para regurgitação mitral (ruptura de papilar), enquanto paraesternal apontaria para CIV. Além disso, o território inferior do infarto favorece fortemente a ruptura do músculo papilar posteromedial.

Guarde o par sopro apical + IAM inferior = ruptura de músculo papilar versus sopro paraesternal + IAM anterior = CIV aguda: é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Complicações mecânicas do IAM
  • 1Ruptura de músculo papilar
    • Sopro apical, irradia para axila
    • IAM inferior (coronária direita)
    • Insuficiência mitral aguda
  • 2Comunicação interventricular aguda
    • Sopro paraesternal, com frêmito
    • IAM anterior (descendente anterior)
    • Shunt esquerda-direita
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A comunicação interventricular aguda é uma complicação mecânica do IAM, mas o sopro característico é holossistólico em borda esternal esquerda baixa, frequentemente acompanhado de frêmito, e não no ápice com irradiação para a axila. Além disso, a CIV aguda é mais comum após infarto anterior (ruptura do septo interventricular), enquanto o caso apresenta infarto inferior. O sopro apical com irradiação axilar é a marca da regurgitação mitral, não do shunt ventricular.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A dissecção aguda de aorta pode causar dor torácica intensa e súbita, frequentemente descrita como dilacerante e com irradiação para o dorso, além de poder cursar com sopro de insuficiência aórtica (diastólico) e assimetria de pulsos. No entanto, não explica o sopro holossistólico apical, a congestão pulmonar com silhueta cardíaca normal, nem a elevação de ST em derivações inferiores (que indica IAM). O quadro descrito é de síndrome coronariana aguda complicada, não de dissecção aórtica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A insuficiência aórtica aguda (por exemplo, por endocardite ou dissecção) produz um sopro diastólico decrescente, audível em foco aórtico acessório (borda esternal esquerda), e não um sopro holossistólico apical. Além disso, o ECG com supra de ST inferior e o sopro com irradiação axilar não se encaixam no diagnóstico de insuficiência aórtica aguda. A congestão pulmonar e o choque podem ocorrer, mas a causa do sopro seria outra.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ruptura do músculo papilar (mais frequentemente o posteromedial) é uma complicação mecânica do IAM inferior que leva à insuficiência mitral aguda grave. O sopro holossistólico no ápice com irradiação para a axila esquerda é a manifestação auscultatória clássica da regurgitação mitral. O quadro de choque cardiogênico (PA 76 x 40 mmHg), edema agudo de pulmão (crepitações, SpO₂ 88%, congestão na radiografia) e silhueta cardíaca normal (porque o átrio esquerdo não teve tempo de dilatar) completa o diagnóstico. O ECG com supra de ST inferior aponta para o território da coronária direita, que irriga o músculo papilar posteromedial, tornando-o vulnerável à ruptura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A estenose aórtica crítica produz um sopro sistólico de ejeção (mesossistólico, em diamante) no foco aórtico, com irradiação para as carótidas, e não um sopro holossistólico apical com irradiação axilar. Além disso, a estenose aórtica é uma doença crônica e degenerativa, não uma complicação aguda de IAM. O quadro de choque e congestão pulmonar com ECG de supra de ST inferior é típico de IAM complicado, não de estenose aórtica crítica isolada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as duas complicações mecânicas mais temidas do IAM: ruptura de músculo papilar (sopro apical, irradia para axila, IAM inferior) e comunicação interventricular aguda (sopro paraesternal, com frêmito, IAM anterior). O candidato que decora apenas "sopro novo + choque pós-IAM" sem fixar a localização do sopro cai na letra A. Na prova, pergunte-se sempre: onde está o sopro e para onde irradia? Isso separa as duas entidades.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a associação, pense: o músculo papilar posteromedial é irrigado pela coronária direita (território inferior) e tem irrigação única — por isso rompe com mais facilidade. Já o septo interventricular é irrigado pela descendente anterior (território anterior). Então: inferior + sopro apical = papilar; anterior + sopro paraesternal = CIV. Essa dupla associação resolve a questão em segundos.

Gabarito: letra D — ruptura do músculo papilar, causando insuficiência mitral aguda grave em paciente com IAM inferior complicado por choque cardiogênico e edema agudo de pulmão.

Link permanente: /questoes/vu092795