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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
vu092804
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Clínica Médica
Mulher de 73 anos é vista durante uma avaliação de rotina. Ela toma amiodarona para fibrilação atrial há 1 ano com bom controle, até uma recorrência há 1 semana. Os testes de função tireoidiana eram normais antes de iniciar a amiodarona. Ela está bem e não toma medicamentos adicionais. Ao exame físico: frequência cardíaca: 110/bpm (irregular); os sinais vitais restantes são normais. Além de uma taquicardia irregular, a tireoide e o restante do exame físico são normais. Exames laboratoriais: hormônio estimulante da tireoide: menor que 0,01 μU/mL (normal: 0,4 a 4,5); tiroxina livre: 3,5 ng/dL (normal: 0,9 a 1,8). O ECG mostra fibrilação atrial.Nesse momento, a próxima conduta recomendada é solicitar
  1. Aanticorpo antiperoxidase da tireoide.
  2. Banticorpo estimulante da tireoide (Trab).
  3. Ccintilografia da tireoide com captação de iodo radioativo.
  4. Dtireoglobulina sérica.
  5. Eultrassonografia da tireoide com estudo Doppler.
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GabaritoE — ultrassonografia da tireoide com estudo Doppler.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Disfunção tireoidiana induzida por amiodarona: diagnóstico diferencial

Gabarito: letra E. Em paciente em uso de amiodarona com hipertireoidismo (TSH suprimido e T4 livre elevado), a próxima conduta diagnóstica é a ultrassonografia da tireoide com Doppler, que diferencia o tipo 1 (doença de Graves ou bócio nodular pré-existente, com vascularização aumentada) do tipo 2 (tireoidite destrutiva, com vascularização normal ou diminuída). Essa distinção é essencial porque o tratamento difere: o tipo 1 responde a tionamidas, enquanto o tipo 2 é tratado com glicocorticoides. A cintilografia com captação de iodo radioativo, embora útil, tem baixa acurácia nesse contexto, pois a captação costuma estar baixa ou ausente em ambos os tipos, especialmente após uso prolongado de amiodarona.

A amiodarona é um antiarrítmico rico em iodo, com meia-vida longa, e pode causar disfunção tireoidiana em até 20% dos pacientes. O hipertireoidismo induzido por amiodarona (HIA) é classificado em dois tipos, com mecanismos fisiopatológicos distintos. O tipo 1 ocorre em pacientes com doença tireoidiana subjacente (bócio nodular ou doença de Graves), nos quais o excesso de iodo da amiodarona estimula a síntese hormonal — é uma forma de hipertireoidismo "verdadeiro", com alta captação de iodo. O tipo 2 é uma tireoidite destrutiva, na qual a amiodarona exerce efeito citotóxico direto sobre os tireócitos, liberando hormônios pré-formados — a captação de iodo é baixa. A distinção entre os dois tipos é fundamental, pois o tratamento é oposto: o tipo 1 responde a tionamidas (metimazol ou propiltiouracil), enquanto o tipo 2 responde a glicocorticoides (prednisona). Em casos mistos ou refratários, pode ser necessário tratamento combinado.

A ultrassonografia com Doppler é o exame de escolha para diferenciar os dois tipos. No tipo 1, observa-se aumento da vascularização (padrão de fluxo aumentado), enquanto no tipo 2 a vascularização é normal ou diminuída. A cintilografia com iodo radioativo, embora classicamente utilizada, tem limitações: a captação está baixa ou ausente em ambos os tipos, especialmente após uso prolongado de amiodarona (devido ao grande pool de iodo corporal), o que reduz sua acurácia. Além disso, a cintilografia não está disponível em todos os serviços e expõe o paciente à radiação. Por isso, a ultrassonografia com Doppler é considerada o exame de imagem preferencial na avaliação inicial do HIA.

Os anticorpos (anti-TPO e TRAb) são úteis para identificar doença autoimune subjacente, mas não diferenciam os tipos de HIA. A tireoglobulina sérica pode estar elevada em ambos os tipos e não tem papel diagnóstico definido. A conduta imediata, portanto, é a ultrassonografia com Doppler, que orienta a terapia específica. É importante ressaltar que a paciente apresenta recorrência de fibrilação atrial, o que pode ser consequência do hipertireoidismo — o controle da função tireoidiana é essencial para o manejo da arritmia.

A distinção entre os tipos de HIA é o ponto central da questão. A banca explora a confusão entre os exames diagnósticos, oferecendo alternativas que avaliam autoimunidade (anticorpos) ou que têm baixa acurácia no contexto (cintilografia). O candidato deve reconhecer que, diante de um HIA, o próximo passo é a ultrassonografia com Doppler, que define a etiologia e guia o tratamento.

Hipertireoidismo induzido por amiodarona (HIA)
  • 1Tipo 1
    • Doença tireoidiana subjacente (Graves/bócio)
    • Vascularização aumentada no Doppler
    • Tratamento: tionamidas
  • 2Tipo 2
    • Tireoidite destrutiva
    • Vascularização normal/diminuída no Doppler
    • Tratamento: glicocorticoides
  • 3Diagnóstico diferencial
    • Ultrassonografia com Doppler (exame de escolha)
    • Cintilografia
      • baixa acurácia (captação baixa nos dois tipos)
    • Anticorpos (anti-TPO/TRAb): não diferenciam os tipos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O anticorpo antiperoxidase (anti-TPO) é um marcador de tireoidite autoimune (Hashimoto), mas não diferencia os tipos de hipertireoidismo induzido por amiodarona. Sua positividade pode sugerir doença autoimune subjacente (tipo 1), mas não é o exame decisivo para a conduta. A ultrassonografia com Doppler é superior para essa distinção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O anticorpo estimulante da tireoide (TRAb) é específico da doença de Graves, mas sua presença não é obrigatória no HIA tipo 1, que pode ocorrer em pacientes com bócio nodular sem autoimunidade. Além disso, o TRAb não diferencia os tipos de HIA e não orienta diretamente o tratamento. A ultrassonografia com Doppler é o exame de escolha.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A cintilografia com captação de iodo radioativo é classicamente usada para diferenciar hipertireoidismo por alta captação (Graves, bócio nodular) de baixa captação (tireoidite). No entanto, no HIA, a captação está frequentemente baixa ou ausente em ambos os tipos, devido ao grande pool de iodo corporal da amiodarona, o que reduz sua acurácia. Além disso, a cintilografia não está disponível em todos os serviços e expõe o paciente à radiação. A ultrassonografia com Doppler é preferível.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A tireoglobulina sérica é um marcador de tireoidite destrutiva, mas não é específica do HIA tipo 2 e não diferencia os tipos. Sua dosagem não é recomendada na avaliação inicial do HIA. A ultrassonografia com Doppler é o exame que define a conduta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ultrassonografia da tireoide com estudo Doppler é o exame de escolha para diferenciar o HIA tipo 1 (vascularização aumentada) do tipo 2 (vascularização normal ou diminuída). Essa distinção é essencial para o tratamento: tionamidas no tipo 1 e glicocorticoides no tipo 2. A ultrassonografia é amplamente disponível, não invasiva e não expõe o paciente à radiação, sendo superior à cintilografia nesse contexto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os exames diagnósticos do hipertireoidismo induzido por amiodarona. O candidato pode ser tentado a escolher a cintilografia (alternativa C), por ser o exame clássico para diferenciar hipertireoidismo, mas ela tem baixa acurácia no HIA. A ultrassonografia com Doppler (alternativa E) é o exame de escolha, pois diferencia os tipos 1 e 2 com base na vascularização, orientando o tratamento específico. Lembre-se: no HIA, a captação de iodo é baixa em ambos os tipos, tornando a cintilografia pouco útil.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os tipos de hipertireoidismo induzido por amiodarona, use a ultrassonografia com Doppler: tipo 1 tem vascularização aumentada (tratar com tionamidas), tipo 2 tem vascularização normal ou diminuída (tratar com glicocorticoides). A cintilografia tem baixa acurácia nesse contexto.

Gabarito: letra E

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