Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
vu092808
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Clínica Médica
Mulher de 20 anos, previamente saudável, apresenta quadro de febre, cefaleia e erupção cutânea há 3 dias. Ela trabalha em creche de crianças pequenas. Ao exame físico: temperatura: 38 °C; consciente e orientada; discreta rigidez de nuca; fundo de olho normal; há uma erupção macular no tronco e nas costas que desaparece temporariamente quando pressionada, bem como nas mãos. A punção do líquor mostra: células: 150/mm³ (predomínio de linfócitos); hemácias: 3/mm³ ; proteína: 40 mg/dL; glicose normal; coloração de Gram: ausência de bactérias.Nessa paciente, a etiologia mais provável é:
Aadenovírus.
Bcitomegalovírus.
Centerovírus.
Dherpes vírus.
Evírus varicela zoster.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — enterovírus.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Meningite viral: diagnóstico etiológico pelo líquor
Gabarito: letra C. O quadro de febre, cefaleia, rigidez de nuca e exantema maculopapular, com líquor de predomínio linfocitário, glicose normal e Gram negativo, em adulta jovem que trabalha em creche, aponta para enterovírus — a causa mais comum de meningite asséptica, especialmente no verão e em surtos em creches. O exantema que some à digitopressão (mácula) e o líquor viral são as pistas centrais.
A meningite é a inflamação das leptomeninges, e sua apresentação clássica inclui febre, cefaleia e rigidez de nuca. Quando o Gram do líquor é negativo e há predomínio de linfócitos com glicose normal, o diagnóstico diferencial se estreita para as meningites virais (assépticas). O enterovírus é o agente mais frequente nesse cenário, responsável por cerca de 85% dos casos de meningite viral em que se identifica o agente. A transmissão é fecal-oral, o que explica a associação com creches — locais de alta circulação do vírus entre crianças pequenas, que podem transmiti-lo a adultos suscetíveis.
O exantema maculopapular que desaparece à pressão (mácula) é uma manifestação típica das infecções por enterovírus, especialmente o echovírus, que cursa com o clássico "exantema de Boston". O líquor com pleocitose linfocitária discreta (150 células/mm³), proteína normal ou levemente elevada, glicose normal e Gram negativo é o padrão-ouro da meningite viral. A paciente está consciente e orientada, sem sinais de gravidade, o que reforça a benignidade do quadro.
Os demais vírus listados são causas possíveis de meningite, mas com características que os afastam neste caso: o adenovírus costuma cursar com sintomas respiratórios e conjuntivite; o citomegalovírus é oportunista, raro em imunocompetentes; o herpes simples causa encefalite com alteração do sensório e líquor com hemácias; e o varicela-zóster cursa com o exantoma vesicular característico, ausente aqui. A combinação de contexto epidemiológico (creche), exantema macular e líquor viral é o que decide a questão.
Guarde o par exantema macular + líquor linfocitário com glicose normal + contexto de creche = enterovírus: é exatamente essa tríade que separa a alternativa correta das demais.
O adenovírus causa infecções respiratórias, conjuntivite e, raramente, meningite. O quadro típico inclui coriza, tosse, faringite e febre, sem o exantema macular característico e sem a associação epidemiológica com creches que o enterovírus apresenta. A ausência de sintomas respiratórios e o exantema afastam essa hipótese.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O citomegalovírus (CMV) é causa de meningite/encefalite principalmente em imunocomprometidos (transplantados, HIV/aids). Em imunocompetentes, a infecção costuma ser assintomática ou cursar com síndrome mononucleose-símile (febre, linfadenopatia, faringite). A paciente é previamente saudável, o que torna o CMV improvável.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O enterovírus é a causa mais comum de meningite viral, especialmente em surtos no verão e em creches. O exantema maculopapular que desaparece à pressão (mácula) é típico, e o líquor com pleocitose linfocitária, glicose normal e Gram negativo confirma o padrão viral. A transmissão fecal-oral e o trabalho em creche fecham o diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O herpes vírus (HSV) causa encefalite, não meningite isolada. O quadro inclui alteração do sensório, convulsões, déficits focais e febre. O líquor costuma mostrar hemácias (por necrose hemorrágica) e glicose baixa. A paciente está consciente e orientada, com líquor sem hemácias, o que afasta o HSV.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O vírus varicela-zóster (VZV) causa varicela (catapora) com exantema vesicular pruriginoso em diferentes estágios, e não exantema macular. A meningite por VZV é rara e geralmente ocorre em imunocomprometidos ou como complicação de herpes-zóster. A ausência de vesículas e o contexto de creche apontam para outra etiologia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os exantemas virais. O candidato pode lembrar do VZV pela associação com creches, mas o exantema vesicular é o oposto do macular descrito. Da mesma forma, o HSV é lembrado pela gravidade, mas o líquor com hemácias e a alteração do sensório não estão presentes. A chave é correlacionar o tipo de exantema e o padrão do líquor com o agente mais provável.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, monte um fluxo rápido: líquor com linfócitos + glicose normal + Gram negativo = viral. Depois, pergunte-se: qual vírus é o mais comum nesse contexto? Enterovírus, especialmente em surtos de verão e creches. Se houver exantema, correlacione o tipo: macular = enterovírus; vesicular = VZV; petequial = meningococo.
Gabarito: letra C — enterovírus, pela tríade exantema macular, líquor viral e contexto de creche.