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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
vu092814
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Clínica Médica
Em relação à infecção pelo vírus da hepatite C, é correto afirmar:
  1. Aa eliminação espontânea do vírus ocorre em 90% daqueles que desenvolvem a forma aguda da infecção.
  2. Bhá elevação de alanina aminotransferase acima de 10 vezes o limite superior do normal na forma aguda da infecção.
  3. Cpacientes apresentam sintomas semelhantes aos da gripe (monolike) na infecção aguda.
  4. Dpacientes com infecção aguda devem sempre ser tratados com medicamentos antivirais.
  5. Epacientes que eliminam espontaneamente a infecção não estão protegidos de infecções futuras.
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GabaritoE — pacientes que eliminam espontaneamente a infecção não estão protegidos de infecções futuras.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hepatite C: história natural e imunidade

Gabarito: letra E. A infecção aguda pelo vírus da hepatite C (HCV) é eliminada espontaneamente em apenas 15–25% dos casos, e mesmo esses pacientes não desenvolvem imunidade protetora duradoura, podendo ser reinfectados — exatamente o que afirma a alternativa E. As demais alternativas distorcem a história natural da doença: a eliminação espontânea não ocorre em 90%, a elevação de ALT costuma ser variável (não necessariamente >10x o LSN), os sintomas gripais (monolike) são típicos de outras hepatites virais, e o tratamento da infecção aguda, embora recomendado, não é obrigatório em todos os casos.

A hepatite C é uma infecção viral de transmissão predominantemente parenteral, causada pelo HCV, um vírus de RNA de fita simples da família Flaviviridae. Sua principal característica é a alta taxa de cronificação: cerca de 75–85% dos infectados evoluem para infecção crônica, enquanto apenas 15–25% eliminam o vírus espontaneamente. Essa eliminação espontânea, no entanto, não confere imunidade esterilizante — ou seja, o paciente curado pode ser reinfectado se reexposto ao vírus, pois a resposta imune gerada não é suficientemente protetora contra novas cepas ou mesmo contra a mesma cepa. Esse é o ponto central da alternativa E e um dos conceitos mais cobrados em provas de clínica médica.

Na fase aguda, a maioria dos pacientes é assintomática ou oligossintomática. Quando presentes, os sintomas são inespecíficos: fadiga, mal-estar, náuseas, anorexia e, menos frequentemente, icterícia. Diferentemente da hepatite B, a hepatite C aguda raramente apresenta o quadro "monolike" (síndrome gripal com febre, adenopatia e faringite), que é mais característico da hepatite B e da mononucleose infecciosa. As aminotransferases podem estar elevadas, mas a elevação é variável — frequentemente entre 2 e 10 vezes o limite superior da normalidade, podendo até ser normal em alguns casos. Elevações acima de 10 vezes são possíveis, mas não são a regra, e não há correlação direta entre o nível de ALT e a gravidade da doença.

O tratamento da hepatite C aguda com antivirais de ação direta (AAD) é recomendado, pois reduz a cronificação, mas não é obrigatório em todos os casos — há situações em que se pode aguardar a resolução espontânea (que ocorre em até 12 semanas), especialmente em pacientes com baixa carga viral e sem fatores de risco. A decisão de tratar deve ser individualizada, considerando o risco de progressão e a disponibilidade dos medicamentos. Portanto, a alternativa D, ao afirmar que "devem sempre ser tratados", é incorreta por ser absoluta demais.

A pegadinha central desta questão é a inversão de proporções: a banca troca a taxa real de eliminação espontânea (15–25%) por 90%, que é a taxa de cronificação invertida. Além disso, explora a confusão entre os sintomas da hepatite C e os da hepatite B/mononucleose. Guarde bem estes números: 15–25% eliminam espontaneamente; 75–85% cronificam; e a cura não protege contra reinfecção.

Hepatite C aguda
  • 1História natural
    • Eliminação espontânea (15–25%)
      • Não confere imunidade protetora
      • Risco de reinfecção
    • Cronificação (75–85%)
  • 2Quadro clínico
    • Maioria assintomática
    • Sintomas inespecíficos (fadiga, mal-estar)
    • ALT: elevação variável (2–10x LSN)
  • 3Tratamento
    • AAD recomendado
    • Não obrigatório em todos
    • Aguardar resolução espontânea (até 12 semanas)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a eliminação espontânea ocorre em 90% dos casos agudos. O correto é o oposto: apenas 15–25% dos pacientes eliminam o vírus espontaneamente; a maioria (75–85%) evolui para cronificação. O valor de 90% é um distrator clássico, pois se aproxima da taxa de cronificação invertida ou de outras hepatites (como a A, que é autolimitada em quase todos os casos).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que há elevação de ALT acima de 10 vezes o LSN na forma aguda. Embora as aminotransferases possam estar elevadas, a elevação é variável e frequentemente menor, entre 2 e 10 vezes o LSN, podendo até ser normal. Elevações acima de 10 vezes são possíveis, mas não são a regra, e não há correlação com a gravidade. A banca explora a confusão com outras hepatites virais agudas, onde a elevação pode ser mais acentuada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que os pacientes apresentam sintomas semelhantes aos da gripe (monolike) na infecção aguda. O quadro "monolike" (febre, adenopatia, faringite) é mais característico da hepatite B aguda e da mononucleose infecciosa. Na hepatite C aguda, os sintomas são inespecíficos e geralmente leves: fadiga, mal-estar, náuseas. A maioria dos pacientes é assintomática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes com infecção aguda devem sempre ser tratados com antivirais. Embora o tratamento com AAD seja recomendado para reduzir a cronificação, não é obrigatório em todos os casos — pode-se aguardar a resolução espontânea (até 12 semanas) em pacientes selecionados. A palavra "sempre" torna a afirmação incorreta, pois a conduta é individualizada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que pacientes que eliminam espontaneamente a infecção não estão protegidos de infecções futuras. Isso é correto: a eliminação espontânea do HCV não confere imunidade protetora duradoura, e o paciente pode ser reinfectado se reexposto ao vírus. Esse é um conceito fundamental da história natural da hepatite C e um dos mais cobrados em provas.

Gabarito: letra E — a única afirmação correta sobre a infecção pelo vírus da hepatite C.

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