Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
vu092815
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Clínica Médica
Mulher de 55 anos com artrite reumatoide se apresenta em seu consultório com poliartrite envolvendo suas mãos, pulsos e pés. Ela está atualmente tomando metotrexato 25 mg, uma vez por semana e 7,5 mg de prednisona diariamente. Ao exame físico, ela tem oito articulações sensíveis e inchadas. Uma nova medicação será iniciada nessa paciente, e ela diz que está interessada em receber a vacina pneumocócica 23 valente.Nesse sentido, qual a droga que tem maior probabilidade de interferir e prejudicar a resposta da paciente à vacina?
AAdalimumabe 40 mg, a cada duas semanas.
BAzatioprina 25 mg, uma vez ao dia.
CEtanercepte 50 mg, uma vez por semana.
DMetotrexato 25 mg, uma vez por semana.
EPrednisona 7,5 mg, uma vez ao dia.
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GabaritoD — Metotrexato 25 mg, uma vez por semana.
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Vacinação em pacientes com artrite reumatoide: interferência de imunossupressores
Gabarito: letra D. O metotrexato, na dose de 25 mg/semana, é a droga com maior probabilidade de interferir e prejudicar a resposta à vacina pneumocócica 23-valente (PPSV23) em paciente com artrite reumatoide. Embora todos os imunossupressores possam reduzir a resposta vacinal, o metotrexato é o que tem evidência mais consistente de comprometimento da resposta a vacinas polissacarídicas, como a PPSV23, especialmente em doses ≥ 15 mg/semana. A prednisona em dose baixa (≤ 10 mg/dia) e os inibidores de TNF (adalimumabe, etanercepte) têm impacto menor na resposta à PPSV23, enquanto a azatioprina, apesar de imunossupressora, não tem o mesmo grau de evidência de interferência específica com essa vacina.
A vacinação é um pilar fundamental no manejo de pacientes com doenças reumáticas imunomediadas, como a artrite reumatoide (AR). Esses pacientes apresentam risco aumentado de infecções, incluindo pneumonia pneumocócica, tanto pela própria doença quanto pelo uso de imunossupressores. A vacina pneumocócica 23-valente (PPSV23) é uma vacina de polissacarídeos capsulares, que induz resposta imune predominantemente T-independente, ou seja, não depende da ativação de linfócitos T auxiliares para gerar anticorpos. Essa característica é crucial para entender a interferência de medicamentos: drogas que afetam a ativação de linfócitos T, como os inibidores de TNF, tendem a ter menor impacto na resposta a vacinas polissacarídicas, enquanto drogas que afetam a proliferação celular e a função de linfócitos B, como o metotrexato, podem comprometer mais essa resposta.
O metotrexato é o fármaco modificador do curso da doença (DMARD) mais utilizado na AR e atua como antagonista do ácido fólico, inibindo a diidrofolato redutase e, consequentemente, a síntese de purinas e pirimidinas, o que leva à inibição da proliferação de células T e B. Estudos demonstram que o metotrexato, em doses ≥ 15 mg/semana, reduz significativamente a resposta sorológica a vacinas, incluindo a PPSV23. A dose de 25 mg/semana, como a da paciente, está claramente acima desse limiar. Por outro lado, a prednisona em dose baixa (≤ 10 mg/dia) tem impacto mínimo na resposta vacinal, e os inibidores de TNF (adalimumabe, etanercepte) têm efeito variável, mas geralmente menor que o metotrexato na resposta a vacinas polissacarídicas. A azatioprina, embora imunossupressora, tem evidências menos robustas de interferência específica com a PPSV23.
Na prática clínica, as diretrizes de vacinação em pacientes com doenças reumáticas recomendam que, se possível, a vacinação seja realizada antes do início da terapia imunossupressora, ou durante um período de menor imunossupressão. No caso de vacinas inativadas, como a PPSV23, não há contraindicação de administrá-las durante o uso de imunossupressores, mas a resposta pode ser subótima. A estratégia de suspender temporariamente o metotrexato (por exemplo, 2 semanas após a vacinação) é uma abordagem considerada em algumas diretrizes para melhorar a resposta vacinal, mas deve ser individualizada.
A pegadinha desta questão está em identificar que, entre as opções, o metotrexato é a droga que a paciente JÁ está usando e que tem o maior potencial de interferir na resposta à vacina. As outras opções são medicações que poderiam ser adicionadas ao tratamento, mas a pergunta é sobre qual droga tem maior probabilidade de prejudicar a resposta vacinal, e o metotrexato, na dose de 25 mg/semana, é o principal candidato. A prednisona em dose baixa (7,5 mg/dia) tem impacto menor, e os inibidores de TNF, embora imunossupressores, têm evidência de menor interferência com a PPSV23.
Guarde o critério decisivo: a resposta à vacina polissacarídica (PPSV23) é mais comprometida por drogas que inibem a proliferação de linfócitos B e T, como o metotrexato em dose ≥ 15 mg/semana, do que por glicocorticoides em dose baixa ou inibidores de TNF. É exatamente essa hierarquia que separa as alternativas.
Interferência na resposta à PPSV23
1Metotrexato (≥ 15 mg/semana)
Inibe proliferação de linfócitos T e B
Maior comprometimento da resposta
2Inibidores de TNF (adalimumabe, etanercepte)
Impacto menor na resposta
3Glicocorticoide em dose baixa (≤ 10 mg/dia)
Impacto mínimo
4Azatioprina
Evidência menos robusta
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O adalimumabe é um inibidor de TNF, e embora possa reduzir a resposta vacinal, o impacto na resposta à PPSV23 é menor do que o do metotrexato. Estudos mostram que a resposta a vacinas polissacarídicas é relativamente preservada em pacientes em uso de inibidores de TNF, especialmente quando comparados ao metotrexato. A alternativa erra ao sugerir que o adalimumabe teria maior interferência do que o metotrexato.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A azatioprina é um imunossupressor que pode reduzir a resposta vacinal, mas a evidência de interferência específica com a PPSV23 é menos robusta do que a do metotrexato. Além disso, a dose de 25 mg/dia é relativamente baixa. A alternativa erra ao não considerar que o metotrexato, na dose de 25 mg/semana, tem maior potencial de prejudicar a resposta à vacina.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O etanercepte, assim como o adalimumabe, é um inibidor de TNF. Embora possa reduzir a resposta vacinal, o impacto na resposta à PPSV23 é menor do que o do metotrexato. A alternativa erra ao sugerir que o etanercepte teria maior interferência do que o metotrexato.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O metotrexato, na dose de 25 mg/semana, é a droga com maior probabilidade de interferir e prejudicar a resposta à vacina pneumocócica 23-valente. O metotrexato inibe a proliferação de linfócitos T e B, comprometendo a resposta imune a vacinas, especialmente as polissacarídicas como a PPSV23. A dose de 25 mg/semana está bem acima do limiar de 15 mg/semana, a partir do qual a interferência é mais pronunciada. A paciente já está em uso dessa medicação, e é a que tem maior potencial de reduzir a eficácia da vacina.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A prednisona em dose baixa (7,5 mg/dia) tem impacto mínimo na resposta vacinal. Glicocorticoides em doses baixas (≤ 10 mg/dia) não comprometem significativamente a resposta a vacinas inativadas, como a PPSV23. A alternativa erra ao sugerir que a prednisona teria maior interferência do que o metotrexato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao listar medicações que poderiam ser adicionadas ao tratamento, mas a pergunta é sobre qual droga tem maior probabilidade de prejudicar a resposta vacinal. O metotrexato, que a paciente JÁ está usando, é o principal responsável pela possível redução da resposta à vacina. Cuidado para não escolher uma das outras opções pensando que são "novas" medicações — a questão quer saber qual droga, entre as listadas, interfere mais na resposta à vacina, e o metotrexato é a resposta.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de vacinação em pacientes imunossuprimidos, lembre-se da hierarquia de interferência: metotrexato em dose ≥ 15 mg/semana > inibidores de TNF > glicocorticoides em dose baixa. Vacinas inativadas podem ser administradas durante imunossupressão, mas a resposta pode ser subótima. Se a questão perguntar sobre a droga que mais interfere, procure o metotrexato em dose alta.