Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
vu092816
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Clínica Médica
Homem 72 anos apresenta quadro súbito de fraqueza no lado direito da face e na mão, disartria e uma hemianopsia homônima direita.Nessa circunstância, mais provavelmente, a artéria acometida é a
Acerebelar inferior posterior esquerda.
Bcerebral anterior esquerda.
Ccerebral média esquerda.
Dcerebral posterior esquerda.
Evertebrobasilar esquerda.
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GabaritoC — cerebral média esquerda.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra C. O quadro descrito — fraqueza faciobraquial à direita, disartria e hemianopsia homônima direita — é a apresentação clássica de um infarto no território da artéria cerebral média esquerda (ACM), o vaso mais frequentemente acometido nos AVCs isquêmicos. A combinação de déficit motor contralateral de predomínio facial e braquial com hemianopsia homônima contralateral aponta para a convexidade cerebral lateral, território de irrigação da ACM.
O acidente vascular encefálico isquêmico (AVEi) é a interrupção do fluxo sanguíneo para uma região do cérebro, causando morte neuronal. A apresentação clínica depende diretamente do território vascular acometido, e é essa correlação anatômica que a questão explora. O hemisfério esquerdo é dominante para a linguagem na grande maioria das pessoas, e a fraqueza ocorre no lado contralateral ao hemisfério lesado — por isso, um déficit à direita indica lesão no hemisfério esquerdo. A artéria cerebral média (ACM) é o maior ramo da carótida interna e irriga a face lateral do cérebro, incluindo as áreas motoras e sensitivas da face e do membro superior, além das radiações ópticas. A oclusão da ACM produz a síndrome clássica: hemiparesia contralateral de predomínio faciobraquial (face e braço mais comprometidos que a perna), hemianestesia contralateral, hemianopsia homônima contralateral e, se o hemisfério dominante for afetado, afasia. A disartria é comum, decorrente da fraqueza facial e da incoordenação da fala.
Para diferenciar os territórios, é essencial conhecer a irrigação de cada artéria. A artéria cerebral anterior (ACA) irriga a face medial do hemisfério, onde está a representação do membro inferior — sua oclusão causa fraqueza predominante no membro inferior contralateral. A artéria cerebral posterior (ACP) irriga o lobo occipital e a face inferior do lobo temporal — sua oclusão causa hemianopsia homônima contralateral, frequentemente sem déficit motor significativo. A artéria cerebelar inferior posterior (ACIP) irriga a parte lateral do bulbo e a superfície inferior do cerebelo — sua oclusão causa a síndrome de Wallenberg, com vertigem, disfagia, disartria, síndrome de Horner e perda sensitiva contralateral, mas sem hemiparesia. O sistema vertebrobasilar irriga o tronco encefálico e o cerebelo, produzindo síndromes com déficits de nervos cranianos, ataxia e comprometimento da consciência.
A pegadinha central desta questão é a lateralidade: o déficit é à direita, logo a lesão é no hemisfério esquerdo. O candidato que não domina essa relação pode marcar a artéria do lado direito. Além disso, a presença de hemianopsia homônima pode confundir com a ACP, mas a fraqueza faciobraquial e a disartria são a chave para a ACM. A hemianopsia na ACM ocorre pela lesão das radiações ópticas que passam pela substância branca do lobo parietal e temporal, território da ACM.
Guarde a correlação entre o território vascular e o déficit neurológico: é exatamente essa correspondência que separa as alternativas.
A artéria cerebelar inferior posterior esquerda (ACIP) irriga a parte lateral do bulbo e o cerebelo. Sua oclusão causa a síndrome de Wallenberg, com vertigem, disfagia, disartria, síndrome de Horner e perda sensitiva contralateral — mas não causa hemiparesia nem hemianopsia homônima. O quadro descrito, com fraqueza faciobraquial, é incompatível com esse território.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A artéria cerebral anterior esquerda (ACA) irriga a face medial do hemisfério, onde está a representação do membro inferior. Sua oclusão causa fraqueza predominante no membro inferior contralateral, incontinência urinária e abulia. O quadro do enunciado tem fraqueza na face e na mão, não no membro inferior — portanto, não é o território da ACA.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A artéria cerebral média esquerda (ACM) irriga a face lateral do hemisfério cerebral, incluindo as áreas motoras e sensitivas da face e do membro superior, além das radiações ópticas. Sua oclusão causa a síndrome clássica: hemiparesia contralateral de predomínio faciobraquial, hemianopsia homônima contralateral e, no hemisfério dominante, afasia. A disartria é comum. O quadro do enunciado — fraqueza na face e na mão direita, disartria e hemianopsia homônima direita — é a apresentação típica de um infarto no território da ACM esquerda.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A artéria cerebral posterior esquerda (ACP) irriga o lobo occipital e a face inferior do lobo temporal. Sua oclusão causa hemianopsia homônima contralateral, frequentemente sem déficit motor. O enunciado apresenta fraqueza faciobraquial, o que não é esperado na oclusão da ACP. A hemianopsia isolada, sem fraqueza, é a pista para a ACP.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O sistema vertebrobasilar irriga o tronco encefálico e o cerebelo. Sua oclusão causa síndromes com déficits de nervos cranianos, ataxia, vertigem, disfagia e comprometimento da consciência — mas não causa hemiparesia faciobraquial nem hemianopsia homônima isolada. O quadro do enunciado, com fraqueza na face e na mão, é de território carotídeo (ACM), não vertebrobasilar.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a lateralidade do déficit. O paciente tem fraqueza à direita, o que indica lesão no hemisfério esquerdo. O candidato que não domina essa relação pode marcar a artéria do lado direito (cerebelar inferior posterior esquerda, cerebral anterior esquerda, etc.). Além disso, a hemianopsia homônima pode confundir com a ACP, mas a fraqueza faciobraquial é a chave para a ACM. Lembre-se: a ACM é o vaso mais acometido nos AVCs isquêmicos e produz o padrão faciobraquial.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de AVC, monte um mapa mental dos territórios vasculares: ACM = face lateral (face e braço, afasia, hemianopsia); ACA = face medial (perna, incontinência); ACP = occipital (hemianopsia sem déficit motor); Vertebrobasilar = tronco (nervos cranianos, ataxia, vertigem). Associe cada artéria ao déficit clássico e à lateralidade (déficit contralateral à lesão).