Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025
- Código
- vu092822
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I - Especialidade: Clínica Médica
- Aamebiana.
- Bbacteriana.
- Cisquêmica.
- Dmicroscópica.
- Eulcerativa.
GabaritoE — ulcerativa.
Gabarito: letra E. Em um homem jovem, previamente saudável, com febre e diarreia sanguinolenta moderada com muco há quatro semanas, o diagnóstico mais provável é de colite ulcerativa — a forma mais comum de doença inflamatória intestinal (DII) —, pois o quadro subagudo/crônico com síndrome disentérica (sangue + muco + tenesmo) em paciente sem fatores de risco infeccioso aponta para doença inflamatória intestinal, e não para colite infecciosa aguda, isquêmica ou microscópica. A distinção central está na duração do quadro (4 semanas = crônico) e na presença de sangue e muco, que caracterizam a síndrome disentérica típica da retocolite ulcerativa.
A colite ulcerativa (retocolite ulcerativa, RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que acomete exclusivamente o cólon, com envolvimento quase sempre contínuo a partir do reto. O sintoma principal é a diarreia com sangue — cerca de 90% dos pacientes apresentam hematoquezia —, frequentemente acompanhada de dor abdominal em cólica, tenesmo, urgência evacuatória e exsudato mucopurulento nas fezes. Em casos mais graves, há sintomas sistêmicos como febre, anemia e emagrecimento. O quadro descrito no enunciado — febre, diarreia sanguinolenta moderada com muco há quatro semanas — encaixa-se perfeitamente nesse perfil.
O ponto-chave para diferenciar das colites infecciosas é a cronicidade: diarreia inflamatória com mais de 4 semanas de evolução, em paciente sem história de viagem, uso de antibióticos ou contato com alimentos contaminados, favorece fortemente DII. As colites bacterianas agudas (Shigella, Salmonella, Campylobacter, E. coli enteroinvasora) costumam ter início abrupto e resolução em dias. A colite amebiana aguda também tem início súbito, com febre, dor abdominal em cólica e diarreia mucossanguinolenta, mas é uma parasitose que geralmente se apresenta de forma aguda ou com história epidemiológica compatível. A colite isquêmica é mais comum em idosos com doença vascular, e a colite microscópica (colagenosa/linfocítica) cursa com diarreia aquosa crônica, sem sangue.
A tabela abaixo resume as principais diferenças entre as colites que aparecem nas alternativas:
Critério | Colite ulcerativa | Colite amebiana | Colite bacteriana | Colite isquêmica | Colite microscópica |
|---|---|---|---|---|---|
Início | Insidioso/subagudo | Agudo | Agudo | Agudo | Insidioso |
Duração | Crônica (>4 semanas) | Aguda ou crônica | Aguda (dias) | Aguda | Crônica |
Sangue/muco | Muito frequente | Frequente | Frequente | Variável | Ausente (diarreia aquosa) |
Febre | Em surtos/graves | Frequente | Frequente | Rara | Ausente |
Epidemiologia | Adulto jovem | Áreas endêmicas | Alimentos/água | Idoso, vasculopatia | Mulher >50 anos |
Reto | Sempre acometido | Pode poupar | Variável | Preservado | Normal à endoscopia |
A pegadinha da questão está em não considerar a duração do quadro como o dado decisivo. O candidato que lê "diarreia sanguinolenta com muco" e "febre" imediatamente pensa em colite infecciosa (amebiana ou bacteriana), mas o tempo de evolução de quatro semanas é o que direciona o raciocínio para doença inflamatória intestinal crônica. A colite ulcerativa é a DII mais comum e a que mais frequentemente se apresenta com esse padrão disentérico.
Guarde o critério que separa as alternativas: duração do quadro (agudo × crônico) + presença de sangue/muco (disenteria × diarreia aquosa). É exatamente nesses dois eixos que as opções se dividem.
A colite amebiana aguda, causada pela Entamoeba histolytica, tem início súbito, com febre, dor abdominal em cólica e diarreia mucossanguinolenta — o que poderia confundir. Porém, o quadro descrito tem quatro semanas de evolução, o que é mais compatível com cronicidade. A amebíase intestinal sintomática pode ser aguda ou crônica, mas a forma aguda disentérica é de instalação abrupta, e a forma crônica costuma cursar com diarreia alternando com constipação, sem o padrão disentérico típico. Além disso, não há dados epidemiológicos (viagem, área endêmica) que sustentem essa hipótese como a mais provável.
A colite bacteriana aguda (Shigella, Salmonella, Campylobacter, E. coli enteroinvasora) apresenta-se com diarreia sanguinolenta, febre e dor abdominal, mas com início abrupto e evolução em dias, não semanas. O quadro de quatro semanas de duração em paciente previamente saudável, sem história de uso de antibióticos, viagem ou surto alimentar, torna a etiologia bacteriana aguda improvável como diagnóstico mais provável. A colite pseudomembranosa por Clostridioides difficile também é uma possibilidade, mas está associada ao uso prévio de antibióticos, não mencionado no enunciado.
A colite isquêmica ocorre tipicamente em idosos com doença vascular aterosclerótica, após episódio de hipotensão ou baixo débito cardíaco. O paciente do enunciado é um homem de 35 anos, previamente saudável, sem fatores de risco vascular. Além disso, a colite isquêmica costuma ter início agudo, com dor abdominal intensa e sangramento, mas a febre não é um componente proeminente. A preservação do reto e o envolvimento segmentar na flexura esplênica são achados característicos, mas o perfil epidemiológico do paciente afasta essa hipótese.
A colite microscópica (colagenosa ou linfocítica) manifesta-se como diarreia aquosa crônica, sem sangue ou muco, em geral em mulheres de meia-idade ou idosas. A endoscopia é macroscopicamente normal, e o diagnóstico é feito por biópsia. O quadro do enunciado apresenta diarreia sanguinolenta com muco, o que é incompatível com essa entidade. A presença de sangue e o padrão disentérico excluem a colite microscópica como diagnóstico mais provável.
A colite ulcerativa é a doença inflamatória intestinal mais comum e a que melhor se encaixa no quadro: homem jovem, previamente saudável, com diarreia sanguinolenta moderada com muco há quatro semanas e febre. O sintoma principal da RCU é a diarreia com sangue (hematoquezia em ~90% dos casos), acompanhada de muco, tenesmo e urgência evacuatória. A febre pode estar presente em casos moderados a graves. A evolução subaguda/crônica (4 semanas) e o padrão disentérico são as pistas que direcionam o diagnóstico para DII, sendo a colite ulcerativa a forma mais prevalente e a que classicamente se apresenta com esse quadro.
Na prova, quando o enunciado trouxer "diarreia sanguinolenta com muco", pergunte-se: há quanto tempo? Se for >4 semanas, pense em doença inflamatória intestinal (colite ulcerativa ou Crohn); se for agudo (dias), pense em colite infecciosa. Esse é o raciocínio que a banca espera que você faça — a duração é o divisor de águas entre as alternativas.
Gabarito: letra E — colite ulcerativa.
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