Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025
- Código
- vu092827
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I - Especialidade: Endocrinologia e Metabologia
- AMODY.
- BTipo 1A.
- CTipo 1B.
- DTipo 2.
- ELADA.
GabaritoC — Tipo 1B.
Gabarito: letra C. O paciente apresenta peptídeo C de 0,2 ng/mL (muito baixo, indicando deficiência acentuada de secreção de insulina) e autoanticorpos negativos — esse perfil é característico do diabetes tipo 1B (idiopático), subtipo do DM1 em que há destruição das células beta sem marcadores de autoimunidade. A classificação etiológica da ADA/OMS divide o DM1 em imunomediado (1A) e idiopático (1B), e é exatamente essa distinção que a questão cobra.
O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é definido pela destruição significativa das células beta produtoras de insulina, levando à deficiência absoluta do hormônio e à dependência de insulina exógena para sobrevida. Na maioria dos casos, essa destruição é mediada por mecanismos autoimunes — é o chamado tipo 1A, que cursa com autoanticorpos positivos (anti-GAD65, anti-IA-2, anti-insulina, anti-ZnT8). Porém, uma minoria de pacientes não apresenta esses marcadores: são classificados como tipo 1B (idiopático), também chamado de diabetes tipo 1 sem evidência de autoimunidade.
O peptídeo C é um fragmento da proinsulina, clivado durante a síntese de insulina, e é secretado em proporção à produção endógena do hormônio. Valores baixos (como 0,2 ng/mL) indicam insulinopenia grave, ou seja, o pâncreas praticamente não produz insulina. Esse dado, somado à negatividade dos autoanticorpos, aponta para o tipo 1B — pois no tipo 1A os anticorpos costumam estar presentes, e no LADA (diabetes autoimune latente do adulto) o anticorpo anti-GAD é tipicamente positivo.
Na prática clínica, a distinção entre os subtipos de DM1 é importante para o manejo: ambos exigem insulinoterapia plena, mas o tipo 1B, por não ter componente autoimune, não se beneficia de imunomodulação (embora essa não seja uma conduta padrão). Já o LADA, apesar de também ser autoimune, tem progressão mais lenta e pode, inicialmente, ser tratado com antidiabéticos orais, embora a necessidade de insulina seja inevitável em poucos anos.
A pegadinha desta questão está em associar "autoanticorpos negativos" a outras etiologias, como MODY (que é monogênico, com herança autossômica dominante e geralmente sem insulinopenia tão grave) ou DM2 (que cursa com resistência à insulina e peptídeo C geralmente normal ou elevado). O peptídeo C baixo é o dado que direciona para DM1, e a negatividade dos anticorpos exclui o subtipo 1A, restando o 1B.
Guarde a lógica: peptídeo C baixo + autoanticorpos negativos = DM1B; peptídeo C baixo + autoanticorpos positivos = DM1A; peptídeo C normal/alto + anticorpos negativos = DM2; início precoce + história familiar + ausência de insulinopenia = pensar em MODY.
Critério | Tipo 1A | Tipo 1B | LADA | MODY | Tipo 2 |
|---|---|---|---|---|---|
Autoanticorpos | Positivos | Negativos | Positivos (anti-GAD) | Negativos | Negativos |
Peptídeo C | Baixo | Baixo (0,2 ng/mL) | Inicialmente preservado, cai com o tempo | Relativamente preservado | Normal ou elevado |
Idade típica | Jovens | Jovens | Adultos | < 25 anos | Adultos, frequentemente obesos |
Mecanismo | Autoimune (destruição das células beta) | Idiopático (sem autoimunidade) | Autoimune de progressão lenta | Monogênico (herança autossômica dominante) | Resistência à insulina + disfunção relativa das células beta |
Necessidade de insulina | Plena | Plena | Inicialmente oral, inevitável em poucos anos | Variável (muitos não necessitam) | Progressiva, mas não imediata |
O MODY (maturity onset diabetes of the young) é uma forma monogênica de diabetes, com herança autossômica dominante, que geralmente se manifesta antes dos 25 anos, mas não cursa com peptídeo C tão baixo quanto 0,2 ng/mL — na verdade, há preservação relativa da função das células beta, e muitos pacientes não necessitam de insulina (especialmente o MODY2, por mutação da glicoquinase). Além disso, o MODY não tem relação com autoanticorpos, mas o peptídeo C baixo é o ponto que afasta essa hipótese.
O tipo 1A é o DM1 imunomediado, caracterizado pela presença de autoanticorpos contra antígenos das células beta (anti-GAD65, anti-IA-2, anti-insulina, anti-ZnT8). Como o enunciado afirma que os autoanticorpos são negativos, o subtipo 1A fica excluído. O peptídeo C baixo é compatível, mas a negatividade dos anticorpos é o diferencial que aponta para o 1B.
O tipo 1B (idiopático) é o subtipo de DM1 em que há destruição das células beta e deficiência de insulina, mas sem evidência de autoimunidade (autoanticorpos negativos). O peptídeo C de 0,2 ng/mL confirma a insulinopenia grave. É exatamente o perfil do paciente: DM1 com autoanticorpos negativos = tipo 1B.
O tipo 2 é o subtipo mais comum, caracterizado por resistência à insulina e disfunção relativa das células beta. Em geral, o peptídeo C está normal ou elevado (refletindo hiperinsulinemia compensatória), não baixo como 0,2 ng/mL. Além disso, o DM2 costuma ter início mais tardio e associação com obesidade, o que não é o caso do paciente jovem com insulinopenia franca.
O LADA (latent autoimmune diabetes of adulthood) é uma forma de DM1 de progressão lenta, que se manifesta na idade adulta e cursa com autoanticorpos positivos, especialmente o anti-GAD. Como o paciente tem autoanticorpos negativos, o LADA é excluído. Além disso, o LADA costuma apresentar peptídeo C mais preservado no início, embora possa cair com o tempo.
A banca explora a confusão entre os subtipos de DM1 e outras formas de diabetes. O candidato pode pensar em LADA por ser adulto jovem, ou em MODY por ter início precoce, mas o peptídeo C baixo + anticorpos negativos é a chave para o tipo 1B. Fique atento: no LADA, o anti-GAD é positivo; no MODY, o peptídeo C não costuma ser tão baixo.
Para diferenciar os tipos de diabetes na prova, monte um fluxo mental: 1) Peptídeo C baixo? → DM1 (ou formas com insulinopenia). 2) Autoanticorpos positivos? → DM1A ou LADA. 3) Autoanticorpos negativos? → DM1B. 4) Peptídeo C normal/alto? → DM2 ou outras causas. Essa sequência resolve a maioria das questões de classificação.
Gabarito: letra C — diabetes tipo 1B (idiopático).
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