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Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
vu092827
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Endocrinologia e Metabologia
Homem de 24 anos, portador de diabetes mellitus há seis anos, apresenta peptídeo C igual a 0,2 ng/mL e autoanticorpos negativos.Qual o tipo de diabetes desse paciente?
  1. AMODY.
  2. BTipo 1A.
  3. CTipo 1B.
  4. DTipo 2.
  5. ELADA.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Tipo 1B.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes mellitus: subtipos e diagnóstico etiológico

Gabarito: letra C. O paciente apresenta peptídeo C de 0,2 ng/mL (muito baixo, indicando deficiência acentuada de secreção de insulina) e autoanticorpos negativos — esse perfil é característico do diabetes tipo 1B (idiopático), subtipo do DM1 em que há destruição das células beta sem marcadores de autoimunidade. A classificação etiológica da ADA/OMS divide o DM1 em imunomediado (1A) e idiopático (1B), e é exatamente essa distinção que a questão cobra.

O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é definido pela destruição significativa das células beta produtoras de insulina, levando à deficiência absoluta do hormônio e à dependência de insulina exógena para sobrevida. Na maioria dos casos, essa destruição é mediada por mecanismos autoimunes — é o chamado tipo 1A, que cursa com autoanticorpos positivos (anti-GAD65, anti-IA-2, anti-insulina, anti-ZnT8). Porém, uma minoria de pacientes não apresenta esses marcadores: são classificados como tipo 1B (idiopático), também chamado de diabetes tipo 1 sem evidência de autoimunidade.

O peptídeo C é um fragmento da proinsulina, clivado durante a síntese de insulina, e é secretado em proporção à produção endógena do hormônio. Valores baixos (como 0,2 ng/mL) indicam insulinopenia grave, ou seja, o pâncreas praticamente não produz insulina. Esse dado, somado à negatividade dos autoanticorpos, aponta para o tipo 1B — pois no tipo 1A os anticorpos costumam estar presentes, e no LADA (diabetes autoimune latente do adulto) o anticorpo anti-GAD é tipicamente positivo.

Na prática clínica, a distinção entre os subtipos de DM1 é importante para o manejo: ambos exigem insulinoterapia plena, mas o tipo 1B, por não ter componente autoimune, não se beneficia de imunomodulação (embora essa não seja uma conduta padrão). Já o LADA, apesar de também ser autoimune, tem progressão mais lenta e pode, inicialmente, ser tratado com antidiabéticos orais, embora a necessidade de insulina seja inevitável em poucos anos.

A pegadinha desta questão está em associar "autoanticorpos negativos" a outras etiologias, como MODY (que é monogênico, com herança autossômica dominante e geralmente sem insulinopenia tão grave) ou DM2 (que cursa com resistência à insulina e peptídeo C geralmente normal ou elevado). O peptídeo C baixo é o dado que direciona para DM1, e a negatividade dos anticorpos exclui o subtipo 1A, restando o 1B.

Guarde a lógica: peptídeo C baixo + autoanticorpos negativos = DM1B; peptídeo C baixo + autoanticorpos positivos = DM1A; peptídeo C normal/alto + anticorpos negativos = DM2; início precoce + história familiar + ausência de insulinopenia = pensar em MODY.

Critério

Tipo 1A

Tipo 1B

LADA

MODY

Tipo 2

Autoanticorpos

Positivos

Negativos

Positivos (anti-GAD)

Negativos

Negativos

Peptídeo C

Baixo

Baixo (0,2 ng/mL)

Inicialmente preservado, cai com o tempo

Relativamente preservado

Normal ou elevado

Idade típica

Jovens

Jovens

Adultos

< 25 anos

Adultos, frequentemente obesos

Mecanismo

Autoimune (destruição das células beta)

Idiopático (sem autoimunidade)

Autoimune de progressão lenta

Monogênico (herança autossômica dominante)

Resistência à insulina + disfunção relativa das células beta

Necessidade de insulina

Plena

Plena

Inicialmente oral, inevitável em poucos anos

Variável (muitos não necessitam)

Progressiva, mas não imediata

1Autoanticorpos positivos
Tipo 1A (imunomediado)
LADA (adulto, progressão lenta)
2Autoanticorpos negativos
Tipo 1B (idiopático)
3Peptídeo C normal/alto
Tipo 2 (resistência à insulina)
MODY (monogênico, início precoce)
Diabetes tipo 1 (peptídeo C baixo)
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Diabetes tipo 1 (peptídeo C baixo): Autoanticorpos positivos (Tipo 1A (imunomediado), LADA (adulto, progressão lenta)); Autoanticorpos negativos (Tipo 1B (idiopático)); Peptídeo C normal/alto (Tipo 2 (resistência à insulina), MODY (monogênico, início precoce))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O MODY (maturity onset diabetes of the young) é uma forma monogênica de diabetes, com herança autossômica dominante, que geralmente se manifesta antes dos 25 anos, mas não cursa com peptídeo C tão baixo quanto 0,2 ng/mL — na verdade, há preservação relativa da função das células beta, e muitos pacientes não necessitam de insulina (especialmente o MODY2, por mutação da glicoquinase). Além disso, o MODY não tem relação com autoanticorpos, mas o peptídeo C baixo é o ponto que afasta essa hipótese.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O tipo 1A é o DM1 imunomediado, caracterizado pela presença de autoanticorpos contra antígenos das células beta (anti-GAD65, anti-IA-2, anti-insulina, anti-ZnT8). Como o enunciado afirma que os autoanticorpos são negativos, o subtipo 1A fica excluído. O peptídeo C baixo é compatível, mas a negatividade dos anticorpos é o diferencial que aponta para o 1B.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O tipo 1B (idiopático) é o subtipo de DM1 em que há destruição das células beta e deficiência de insulina, mas sem evidência de autoimunidade (autoanticorpos negativos). O peptídeo C de 0,2 ng/mL confirma a insulinopenia grave. É exatamente o perfil do paciente: DM1 com autoanticorpos negativos = tipo 1B.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tipo 2 é o subtipo mais comum, caracterizado por resistência à insulina e disfunção relativa das células beta. Em geral, o peptídeo C está normal ou elevado (refletindo hiperinsulinemia compensatória), não baixo como 0,2 ng/mL. Além disso, o DM2 costuma ter início mais tardio e associação com obesidade, o que não é o caso do paciente jovem com insulinopenia franca.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O LADA (latent autoimmune diabetes of adulthood) é uma forma de DM1 de progressão lenta, que se manifesta na idade adulta e cursa com autoanticorpos positivos, especialmente o anti-GAD. Como o paciente tem autoanticorpos negativos, o LADA é excluído. Além disso, o LADA costuma apresentar peptídeo C mais preservado no início, embora possa cair com o tempo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os subtipos de DM1 e outras formas de diabetes. O candidato pode pensar em LADA por ser adulto jovem, ou em MODY por ter início precoce, mas o peptídeo C baixo + anticorpos negativos é a chave para o tipo 1B. Fique atento: no LADA, o anti-GAD é positivo; no MODY, o peptídeo C não costuma ser tão baixo.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os tipos de diabetes na prova, monte um fluxo mental: 1) Peptídeo C baixo? → DM1 (ou formas com insulinopenia). 2) Autoanticorpos positivos? → DM1A ou LADA. 3) Autoanticorpos negativos? → DM1B. 4) Peptídeo C normal/alto? → DM2 ou outras causas. Essa sequência resolve a maioria das questões de classificação.

Gabarito: letra C — diabetes tipo 1B (idiopático).

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