Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
vu092828
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Endocrinologia e Metabologia
Com relação às alterações endócrinas associadas à AIDS, é correto afirmar que
Aa lipodistrofia associada ao HIV é uma síndrome que envolve lipoatrofia central (abdome, mamas e região dorso-cervical) e lipo-hipertrofia periférica.
Bbaixos níveis de CD4 e a carga viral diminuída são fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus.
Csexo masculino com baixos níveis de testosterona e maior tempo de infecção ao HIV são fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus.
Dmenopausa tardia é mais comum em mulheres infectadas pelo HIV do que na população geral.
Ea síndrome do eutireoideo doente pode estar presente em pacientes graves infectados pelo HIV e se caracteriza por níveis reduzidos de T3 e T3 reverso.
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GabaritoC — sexo masculino com baixos níveis de testosterona e maior tempo de infecção ao HIV são fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus.
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Alterações endócrinas associadas ao HIV/AIDS
Gabarito: letra C. O sexo masculino com baixos níveis de testosterona e maior tempo de infecção pelo HIV são fatores de risco reconhecidos para o desenvolvimento de diabetes mellitus, conforme a literatura médica especializada. As demais alternativas apresentam inversões conceituais ou dados incorretos sobre as alterações endócrinas e metabólicas em pessoas vivendo com HIV (PVHIV).
A infecção pelo HIV e o uso da terapia antirretroviral (TARV) estão associados a um espectro de alterações endócrinas e metabólicas que incluem lipodistrofia, resistência à insulina, diabetes mellitus, dislipidemia, hipogonadismo e alterações da função tireoidiana. A compreensão dessas alterações é essencial para o manejo clínico adequado das PVHIV, pois impactam diretamente na morbimortalidade e na qualidade de vida.
A lipodistrofia associada ao HIV é uma síndrome caracterizada por alterações na distribuição de gordura corporal, podendo se manifestar como lipoatrofia (perda de gordura periférica, como face, braços, pernas e nádegas), lipo-hipertrofia (acúmulo de gordura central, como abdome, região dorso-cervical e mamas) ou forma mista. Os análogos timidínicos, especialmente estavudina (d4T) e zidovudina (AZT), estão associados à lipoatrofia, enquanto os inibidores de protease (IP) estão associados à lipo-hipertrofia. É importante destacar que a lipoatrofia é periférica e a lipo-hipertrofia é central, e não o contrário como afirma a alternativa A.
O diabetes mellitus é uma complicação metabólica frequente em PVHIV, com prevalência maior do que na população geral. Os fatores de risco incluem idade avançada, obesidade, história familiar, uso de TARV (especialmente inibidores de protease e análogos timidínicos), resistência à insulina, e também fatores específicos da infecção pelo HIV, como baixos níveis de CD4, carga viral elevada, maior tempo de infecção e hipogonadismo. O hipogonadismo masculino, caracterizado por baixos níveis de testosterona, é comum em PVHIV e está associado a maior risco de diabetes, obesidade e síndrome metabólica.
A menopausa em mulheres infectadas pelo HIV tende a ocorrer mais precocemente do que na população geral, possivelmente devido a fatores como imunossupressão, uso de drogas e comorbidades. A síndrome do eutireoideo doente (ou síndrome do T3 baixo) é uma alteração tireoidiana observada em pacientes graves, caracterizada por níveis reduzidos de T3 e T3 reverso elevado, e não reduzido como afirma a alternativa E.
A banca explora a inversão de conceitos e a troca de fatores de risco. É fundamental conhecer as manifestações clínicas da lipodistrofia e os fatores de risco para diabetes em PVHIV, distinguindo o que é central do que é periférico, e o que é fator de risco do que não é.
A alternativa inverte a localização da lipoatrofia e da lipo-hipertrofia. A lipoatrofia é a perda de gordura periférica (braços, pernas, face, nádegas), enquanto a lipo-hipertrofia é o acúmulo de gordura central (abdome, mamas, região dorso-cervical). O texto oficial do Ministério da Saúde descreve:
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos (Ministério da Saúde):
"Lipoatrofia: redução da gordura em regiões periféricas, como braços, pernas, face e nádegas" e "Lipo-hipertrofia ou lipoacumulação: acúmulo de gordura na região abdominal, presença de gibosidade dorsal, 'ginecomastia' nos homens e aumento de mamas em mulheres".
Portanto, a alternativa A está incorreta ao afirmar que a lipoatrofia é central e a lipo-hipertrofia é periférica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que baixos níveis de CD4 e carga viral diminuída são fatores de risco para diabetes. Na verdade, a carga viral elevada (e não diminuída) está associada a maior risco de diabetes, assim como baixos níveis de CD4. A carga viral suprimida (diminuída) é um marcador de bom controle da infecção e não um fator de risco. Portanto, a alternativa B está incorreta ao inverter o sentido da carga viral.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa C está correta. O sexo masculino com baixos níveis de testosterona (hipogonadismo) e maior tempo de infecção pelo HIV são fatores de risco reconhecidos para o desenvolvimento de diabetes mellitus. O hipogonadismo é comum em PVHIV e está associado a resistência à insulina, obesidade e síndrome metabólica, aumentando o risco de diabetes. O maior tempo de infecção também está associado a maior risco, devido à inflamação crônica e aos efeitos cumulativos da TARV.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a menopausa tardia é mais comum em mulheres infectadas pelo HIV. Na verdade, a menopausa tende a ocorrer mais precocemente em PVHIV, possivelmente devido a fatores como imunossupressão, uso de drogas e comorbidades. Portanto, a alternativa D está incorreta ao afirmar que a menopausa é tardia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a síndrome do eutireoideo doente se caracteriza por níveis reduzidos de T3 e T3 reverso. Na verdade, na síndrome do eutireoideo doente, há redução do T3, mas o T3 reverso está elevado (devido à diminuição da conversão de T4 em T3 e aumento da conversão em T3 reverso). Portanto, a alternativa E está incorreta ao afirmar que o T3 reverso está reduzido.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter conceitos e trocar fatores de risco. Nesta questão, ela inverte a localização da lipoatrofia/lipo-hipertrofia (A), inverte o sentido da carga viral (B), troca menopausa precoce por tardia (D) e inverte o comportamento do T3 reverso (E). Fique atento a essas inversões clássicas.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a lipodistrofia, lembre: lipoatrofia = perda periférica (face, braços, pernas) e lipo-hipertrofia = acúmulo central (abdome, giba, mamas). E na síndrome do eutireoideo doente, o T3 baixo, mas o T3 reverso alto.