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Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
vu092829
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Endocrinologia e Metabologia
Assinale a alternativa correta com relação à dislipidemia (DL) em pacientes infectados pelo HIV.
  1. AA DL é altamente prevalente em usuários de terapia retroviral, exclusivamente. Os pacientes sem essa terapia não apresentam DL.
  2. BA DL relacionada ao HIV mais prevalente é a redução de HDL-colesterol.
  3. CAs estatinas mais recomendadas são a sinvastatina e a rosuvastatina.
  4. DA genfibrozila é a melhor opção para o tratamento da hipertrigliceridemia nesses pacientes.
  5. EA ezetimiba não interage com outros medicamentos antirretrovirais e se torna uma boa opção quando as metas de LDL não são alcançadas especialmente em pacientes intolerantes às estatinas.
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GabaritoE — A ezetimiba não interage com outros medicamentos antirretrovirais e se torna uma boa opção quando as metas de LDL não são alcançadas especialmente em pacientes intolerantes às estatinas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dislipidemia em pacientes com HIV: manejo e interações medicamentosas

Gabarito: letra E. A ezetimiba é uma boa opção para pacientes com HIV em uso de terapia antirretroviral (TARV) que não atingem as metas de LDL-c, especialmente os intolerantes às estatinas, pois não apresenta interações medicamentosas significativas com os antirretrovirais. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de conduta, como a contraindicação da sinvastatina com inibidores de protease e a preferência por fibratos apenas em casos específicos de hipertrigliceridemia grave.

A dislipidemia em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) é uma condição multifatorial, resultante da interação entre a própria infecção, a terapia antirretroviral (TARV) e fatores de risco tradicionais. A infecção pelo HIV, mesmo sem tratamento, pode causar alterações no metabolismo lipídico, como redução do HDL-c e aumento de triglicerídeos. A TARV, especialmente com inibidores de protease (IP) e alguns inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleosídeos (ITRNN), pode exacerbar essas alterações, levando a um perfil lipídico mais aterogênico. Portanto, a dislipidemia não é exclusiva de usuários de TARV, como afirma a alternativa A, mas sim uma condição que pode ocorrer em qualquer fase da infecção.

O manejo da dislipidemia em PVHIV segue os mesmos princípios da população geral, com foco na redução do risco cardiovascular. As estatinas são a primeira escolha para redução do LDL-c, mas a seleção do fármaco deve considerar as interações medicamentosas com a TARV. A sinvastatina e a lovastatina são contraindicadas com inibidores de protease (IP) e com o cobicistate, pois aumentam significativamente seus níveis séricos, elevando o risco de toxicidade, como miopatia e rabdomiólise. Por outro lado, a pitavastatina e a pravastatina apresentam baixo potencial de interação e são consideradas opções mais seguras. A rosuvastatina e a atorvastatina podem ser usadas com cautela, com ajuste de dose, especialmente com IPs.

A hipertrigliceridemia é comum em PVHIV, mas o tratamento com fibratos, como a genfibrozila, deve ser reservado para casos com triglicerídeos acima de 500 mg/dL, com o objetivo de prevenir pancreatite. Em casos de triglicerídeos entre 150 e 499 mg/dL, a estatina é a terapia de escolha para redução de risco cardiovascular, e o uso de fibratos não é rotineiro. Além disso, a associação de fibrato com estatina aumenta o risco de rabdomiólise e deve ser rigorosamente monitorada.

A ezetimiba, por sua vez, é um fármaco que inibe a absorção intestinal de colesterol e não é metabolizada pelo citocromo P450, o que minimiza as interações com os antirretrovirais. Ela é uma excelente opção para pacientes que não atingem as metas de LDL-c com estatina em dose máxima tolerada, ou para aqueles intolerantes às estatinas. A alternativa E está correta ao afirmar que a ezetimiba não interage com outros medicamentos antirretrovirais e se torna uma boa opção quando as metas de LDL não são alcançadas, especialmente em pacientes intolerantes às estatinas.

A pegadinha desta questão está na alternativa C, que sugere a sinvastatina como uma das estatinas mais recomendadas. A banca explora a confusão entre as estatinas de uso comum na população geral e as particularidades do paciente com HIV, onde a sinvastatina é contraindicada com IPs. O candidato que não conhece essa interação específica pode marcar a alternativa C, mas o correto é reconhecer que a pitavastatina, a pravastatina e, com cautela, a atorvastatina e a rosuvastatina são as opções mais adequadas.

Estatina

Interação com TARV (IP/cobicistate)

Recomendação em PVHIV

Sinvastatina

Contraindicada (↑↑ níveis séricos)

Não recomendada

Lovastatina

Contraindicada (↑↑ níveis séricos)

Não recomendada

Pitavastatina

Baixo potencial de interação

Preferida

Pravastatina

Baixo potencial de interação

Preferida

Atorvastatina

Interação moderada (usar com cautela)

Permitida com ajuste de dose

Rosuvastatina

Interação moderada (usar com cautela)

Permitida com ajuste de dose

Alternativa A — ❌ Incorreta

A dislipidemia não é exclusiva de usuários de TARV. A infecção pelo HIV, por si só, pode causar alterações no metabolismo lipídico, como redução do HDL-c e aumento de triglicerídeos. A TARV pode exacerbar essas alterações, mas não é a única causa. A alternativa erra ao afirmar que pacientes sem terapia antirretroviral não apresentam dislipidemia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A dislipidemia relacionada ao HIV mais prevalente é a hipertrigliceridemia, e não a redução de HDL-c. Embora a redução do HDL-c possa ocorrer, o aumento dos triglicerídeos é a alteração mais característica e frequente nesses pacientes, especialmente em uso de TARV.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sinvastatina é contraindicada em pacientes com HIV em uso de inibidores de protease (IP) e cobicistate, pois aumenta significativamente seus níveis séricos, elevando o risco de toxicidade. As estatinas mais recomendadas são a pitavastatina e a pravastatina, por apresentarem baixo potencial de interação com a TARV. A rosuvastatina pode ser usada com cautela, com ajuste de dose.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A genfibrozila não é a melhor opção para o tratamento da hipertrigliceridemia em pacientes com HIV. Os fibratos, incluindo a genfibrozila, são indicados apenas quando os triglicerídeos estão acima de 500 mg/dL, com o objetivo de prevenir pancreatite. Em casos de triglicerídeos entre 150 e 499 mg/dL, a estatina é a terapia de escolha. Além disso, a associação de fibrato com estatina aumenta o risco de rabdomiólise e deve ser monitorada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ezetimiba é um fármaco que inibe a absorção intestinal de colesterol e não é metabolizada pelo citocromo P450, o que minimiza as interações com os antirretrovirais. Ela é uma excelente opção para pacientes que não atingem as metas de LDL-c com estatina em dose máxima tolerada, ou para aqueles intolerantes às estatinas. A alternativa está correta ao afirmar que a ezetimiba não interage com outros medicamentos antirretrovirais e se torna uma boa opção quando as metas de LDL não são alcançadas, especialmente em pacientes intolerantes às estatinas.

Gabarito: letra E

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