Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
vu092833
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Endocrinologia e Metabologia
Homem de 68 anos, portador de cardiopatia hipertensiva e arritmia, é encaminhado para avaliação de disfunção tireoidiana. Usa diariamente losartana 100 mg, hidroclorotiazida 25 mg, anlodipino 10 mg e amiodarona 200 mg há dois anos. Nega antecedentes de tireopatia. Ao exame físico, não apresenta bócio. Apresenta T4L igual a 1,7 ng/dL (VR: 0,4 a 1,5); TSH igual a 0,01 mUI/L (VR: 0,3 a 4); anticorpo antiperoxidase e TRAb negativos; captação de iodo radioativa suprimida.Assinale a alternativa correta com relação a esse quadro clínico.
ATrata-se de um caso de tireotoxicose induzida por amiodarona (TIA) tipo II na qual se observa aumento da produção hormonal.
BTrata-se de um caso de TIA tipo II que cursa com fluxo vascular intratireoidiano diminuído na ultrassonografia com doppler diminuído.
CRecomenda-se a associação de metimazol para controle da tireotoxicose e manutenção do antiarrítmico.
DRecomenda-se ablação com iodo radioativo logo após uso de propiltiouracil para que o paciente continue usando amiodarona.
EO paciente deve ser encaminhado para tireoidectomia total nesse caso de TIA tipo I.
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GabaritoB — Trata-se de um caso de TIA tipo II que cursa com fluxo vascular intratireoidiano diminuído na ultrassonografia com doppler diminuído.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tireotoxicose induzida por amiodarona (TIA)
Gabarito: letra B. O caso é de tireotoxicose induzida por amiodarona (TIA) tipo II, que se caracteriza por tireoidite destrutiva com liberação de hormônios pré-formados, captação de iodo radioativo suprimida e fluxo vascular intratireoidiano diminuído ao Doppler — exatamente o que a alternativa B descreve. A distinção entre TIA tipo I e tipo II é o eixo central da questão, e a alternativa correta espelha a fisiopatologia da tipo II.
A amiodarona é um antiarrítmico rico em iodo (cada comprimido de 200 mg contém cerca de 75 mg de iodo, muito acima da necessidade diária de 150 mcg). Esse excesso de iodo pode desencadear disfunção tireoidiana por dois mecanismos distintos, que definem os dois tipos de TIA:
TIA tipo I: ocorre em pacientes com doença tireoidiana subjacente (bócio nodular, doença de Graves subclínica). O excesso de iodo atua como substrato para a produção hormonal aumentada (hipertireoidismo verdadeiro, com hiperfunção glandular). A captação de iodo radioativo (RAIU) é normal ou aumentada, e o fluxo vascular ao Doppler é aumentado.
TIA tipo II: é uma tireoidite destrutiva, na qual a amiodarona causa inflamação e destruição dos tireócitos, liberando hormônios pré-formados na circulação. A RAIU é suprimida (a glândula não está captando iodo para produzir hormônio novo), e o fluxo vascular ao Doppler é diminuído. Os anticorpos anti-TPO e TRAb são tipicamente negativos.
No caso apresentado, o paciente tem RAIU suprimida, anticorpos negativos e ausência de bócio — o que aponta fortemente para TIA tipo II. A alternativa B descreve exatamente o padrão ultrassonográfico com Doppler dessa condição: fluxo vascular intratireoidiano diminuído.
A distinção entre os dois tipos é crucial porque o tratamento difere radicalmente:
Característica
TIA tipo I
TIA tipo II
Mecanismo
Hiperfunção (produção aumentada)
Tireoidite destrutiva (liberação de hormônio pré-formado)
RAIU
Normal ou aumentada
Suprimida
Doppler
Fluxo aumentado
Fluxo diminuído
Anticorpos
Podem ser positivos (doença de base)
Geralmente negativos
Tratamento
Tionamidas (metimazol, PTU) + possível iodo radioativo ou cirurgia
Glicocorticoides (prednisona)
A pegadinha da banca está em inverter as características dos dois tipos: a alternativa A atribui à tipo II um aumento da produção hormonal (que é da tipo I), e a alternativa E classifica o caso como tipo I (quando é tipo II). A alternativa C sugere metimazol, que é o tratamento da tipo I, não da tipo II. A alternativa D propõe ablação com iodo radioativo, que é contraindicada na tipo II (a captação já está suprimida, e a tireoidite não responde a esse tratamento).
Guarde a fronteira entre os dois tipos: RAIU suprimida + Doppler diminuído = tipo II (tireoidite destrutiva), e RAIU normal/aumentada + Doppler aumentado = tipo I (hiperfunção). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
TIA (amiodarona)
1Tipo I (hiperfunção)
Doença tireoidiana prévia
RAIU normal/aumentada
Doppler aumentado
Tratamento: tionamidas
2Tipo II (tireoidite destrutiva)
RAIU suprimida
Doppler diminuído
Anticorpos negativos
Tratamento: glicocorticoide
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a TIA tipo II cursa com aumento da produção hormonal. Isso é o oposto: na tipo II há tireoidite destrutiva, com liberação de hormônios pré-formados e diminuição da produção hormonal. O aumento da produção é característico da tipo I, que ocorre em glândulas com doença subjacente estimulada pelo excesso de iodo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente a TIA tipo II: fluxo vascular intratireoidiano diminuído na ultrassonografia com Doppler. Isso reflete a tireoidite destrutiva, na qual há inflamação e destruição dos tireócitos, com redução do fluxo sanguíneo local. A RAIU suprimida e os anticorpos negativos corroboram o diagnóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Recomenda metimazol para controle da tireotoxicose. O metimazol é a base do tratamento da TIA tipo I (hiperfunção), mas na tipo II o tratamento de escolha são os glicocorticoides (prednisona), que reduzem a inflamação e a destruição tireoidiana. Além disso, a manutenção da amiodarona é controversa e geralmente se tenta a retirada, se possível.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe ablação com iodo radioativo após uso de propiltiouracil. Na TIA tipo II, a captação de iodo está suprimida, então o iodo radioativo não seria captado pela glândula e seria ineficaz. Além disso, a tireoidite destrutiva não responde a esse tratamento. A ablação com iodo radioativo é uma opção para a tipo I, quando há hiperfunção e captação preservada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Classifica o caso como TIA tipo I e recomenda tireoidectomia total. O caso é de tipo II (RAIU suprimida, anticorpos negativos, sem bócio). A tireoidectomia é reservada para casos refratários ou quando há contraindicação aos medicamentos, mas não é a conduta inicial para TIA tipo II, que responde bem a glicocorticoides.