Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
vu092843
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Endocrinologia e Metabologia
Que dosagem hormonal deve ser solicitada para uma monitorização adequada do tratamento do hipotireoidismo central?
AT4 livre (T4L), que deve ser mantido na metade superior dos valores de referência.
BT4L, que deve ser mantido na metade inferior dos valores de referência.
CT3 livre, que deve ser mantido na metade superior dos valores de referência.
DTSH, que deve ser mantido na metade superior dos valores de referência.
ETSH, que deve ser mantido na metade inferior dos valores de referência.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — T4 livre (T4L), que deve ser mantido na metade superior dos valores de referência.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipotireoidismo central: monitorização do tratamento
Gabarito: letra A. No hipotireoidismo central (secundário ou terciário), a dosagem de TSH não é um guia confiável para o ajuste da levotiroxina, pois a alça de retroalimentação hipotálamo-hipófise está comprometida. O parâmetro correto é o T4 livre (T4L), que deve ser mantido na metade superior dos valores de referência, conforme a literatura médica (Harrison, Medicina Interna).
O hipotireoidismo é classificado em primário, secundário e terciário. No primário, a disfunção está na própria glândula tireoide; no secundário, há doença hipofisária com diminuição da secreção de TSH; no terciário, a causa é hipotalâmica, com redução do TRH. No hipotireoidismo central, o TSH sérico costuma estar baixo ou inapropriadamente normal, mesmo diante de níveis reduzidos de T4 livre. Por isso, o TSH não reflete o estado metabólico do paciente e não pode ser usado para monitorar a reposição hormonal.
A levotiroxina (T4) é o tratamento de escolha. A resposta terapêutica deve ser avaliada clinicamente e por exames laboratoriais. No hipotireoidismo primário, o TSH é o melhor marcador, com meta entre 0,5 e 2 mU/L. Já no hipotireoidismo central, como o TSH é pouco informativo, a monitorização é feita com o T4 livre, que deve ser mantido na faixa média ou superior do normal. Isso garante que a concentração do hormônio ativo esteja adequada para os tecidos, evitando tanto o hipotireoidismo persistente quanto o excesso de reposição.
Na prática, o ajuste da dose de levotiroxina no hipotireoidismo central é feito com base no T4L, e não no TSH. O alvo é manter o T4L na metade superior do intervalo de referência, pois isso se associa a melhor controle clínico e menor risco de sintomas residuais. Essa conduta difere do hipotireoidismo primário, em que o TSH é o parâmetro central. A banca explora exatamente essa distinção: no hipotireoidismo central, o TSH é "cego" para a monitorização, e o T4L assume o papel principal.
A pegadinha da questão está em associar o TSH à monitorização do hipotireoidismo central, quando na verdade ele é o marcador do hipotireoidismo primário. O candidato que não domina essa diferença tende a marcar a alternativa que menciona o TSH, mas o raciocínio correto é que, no hipotireoidismo central, o TSH não é útil, e o T4L deve ser mantido na metade superior da faixa de referência.
Hipotireoidismo
1Primário (disfunção da tireoide)
Monitorização: TSH (meta 0,5–2 mU/L)
2Central (secundário/terciário)
Disfunção hipofisária (TSH baixo) ou hipotalâmica
TRH baixo
TSH não é guia confiável
Monitorização: T4 livre
Meta: metade superior da faixa de referência
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No hipotireoidismo central, o TSH não é um guia confiável, pois a alça de retroalimentação está comprometida. O T4 livre é o parâmetro de monitorização, e a meta é mantê-lo na metade superior dos valores de referência. Isso garante níveis adequados de hormônio tireoidiano ativo, evitando sintomas de hipotireoidismo residual. A literatura médica (Harrison) recomenda essa conduta, pois o TSH não reflete o estado metabólico nesses pacientes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o T4L deve ser mantido na metade inferior dos valores de referência. Isso está incorreto, pois a meta é a metade superior da faixa de normalidade. Manter o T4L na metade inferior pode resultar em hipotireoidismo persistente, com sintomas residuais e pior qualidade de vida. O alvo terapêutico é a metade superior, para assegurar concentrações adequadas do hormônio ativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Menciona o T3 livre como parâmetro de monitorização. O T3 livre não é o exame de escolha para acompanhar o tratamento do hipotireoidismo central. O T4 livre é o marcador preferencial, pois reflete diretamente a reposição com levotiroxina. O T3 pode ser útil em situações específicas, mas não é o padrão para monitorização de rotina nesse contexto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o TSH deve ser mantido na metade superior dos valores de referência. No hipotireoidismo central, o TSH é pouco informativo, pois a secreção hipofisária está comprometida. Usar o TSH como guia pode levar a ajustes inadequados da dose de levotiroxina. O parâmetro correto é o T4 livre, não o TSH.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o TSH deve ser mantido na metade inferior dos valores de referência. Além de o TSH não ser o parâmetro adequado no hipotireoidismo central, a meta de manter o TSH na metade inferior não tem fundamento nesse contexto. O TSH é o marcador do hipotireoidismo primário, não do central. A monitorização correta é com o T4 livre na metade superior da faixa de referência.