Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
vu092850
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Endocrinologia e Metabologia
Assinale a alternativa correta com relação à lipoproteína (a) – Lp(a).
AÉ uma partícula semelhante ao VLDL-colesterol.
BAs concentrações plasmáticas de Lp(a) são predominantemente determinadas por variabilidade genética.
CAs intervenções no estilo de vida exercem grande impacto na redução de Lp(a).
DEstatinas reduzem significativamente (em torno de 80%) os níveis de Lp(a).
EFibratos reduzem significativamente (em torno de 80%) os níveis de Lp(a).
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GabaritoB — As concentrações plasmáticas de Lp(a) são predominantemente determinadas por variabilidade genética.
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Lipoproteína(a) — Lp(a): genética, estrutura e terapêutica
Gabarito: letra B. As concentrações plasmáticas de Lp(a) são predominantemente determinadas por variabilidade genética, sendo o locus LPA o principal regulador — é o que a alternativa correta afirma. As demais alternativas erram ao descrever a Lp(a) como semelhante ao VLDL, ao atribuir grande impacto das intervenções de estilo de vida, ou ao afirmar que estatinas e fibratos reduzem significativamente seus níveis.
A Lp(a) é uma partícula semelhante à LDL, na qual a apolipoproteína B (ApoB) está covalentemente ligada a uma molécula denominada apolipoproteína(a). Essa estrutura confere à Lp(a) propriedades únicas: além dos efeitos pró-aterogênicos, ela tem efeitos pró-inflamatórios (relacionados à carga de fosfolipídios oxidados) e a apolipoproteína(a) se assemelha ao plasminogênio, o que sugere efeitos pró-trombóticos. Essa semelhança estrutural com a LDL é o ponto de partida para entender por que a alternativa A está errada: a Lp(a) não é semelhante ao VLDL, mas sim à LDL.
A determinação genética dos níveis de Lp(a) é um dos aspectos mais importantes e bem estabelecidos. Estudos de randomização mendeliana mostraram claramente que variantes genéticas no locus LPA, que regulam exclusivamente os níveis de Lp(a), estão fortemente associadas ao risco de doença coronária, sugerindo uma associação causal entre Lp(a) e doença cardiovascular aterosclerótica. Na prática, isso significa que os níveis de Lp(a) são predominantemente determinados por variabilidade genética, com pouca influência de fatores ambientais como dieta e exercício. Essa é a base da alternativa B, que está correta.
Quando se trata de tratamento, a situação é desafiadora. Os medicamentos hipolipemiantes comumente usados, isto é, estatinas e ezetimiba, não reduzem os níveis da Lp(a). As terapias medicamentosas disponíveis que levam à redução leve a moderada (20 a 30%) da Lp(a) incluem as terapias anti-PCSK9. Agentes em investigação mais recentes, como oligonucleotídeos antisenso e pequenos RNAs interferentes, reduzem os níveis séricos em até 90%, mas ainda estão sendo avaliados em ensaios clínicos. Portanto, as alternativas D e E estão incorretas ao afirmar que estatinas e fibratos reduzem significativamente (em torno de 80%) os níveis de Lp(a).
Quanto ao estilo de vida, embora seja recomendado para o manejo global do risco cardiovascular, o impacto sobre a Lp(a) é mínimo. A diretriz recomenda, para pacientes com Lp(a) ≥ 50 mg/dL (ou ≥ 125 nmol/L), aconselhamento mais precoce e intensivo sobre modificação do estilo de vida e gerenciamento de outros fatores de risco, mas isso não significa que tais intervenções reduzam significativamente a Lp(a). A alternativa C está incorreta ao afirmar que as intervenções no estilo de vida exercem grande impacto na redução de Lp(a).
A pegadinha central desta questão é a confusão entre a Lp(a) e outras lipoproteínas, especialmente a LDL e o VLDL, e a crença de que as terapias convencionais para dislipidemia (estatinas e fibratos) são eficazes na redução da Lp(a). A banca explora exatamente esses pontos: a estrutura da Lp(a) (semelhante à LDL, não ao VLDL) e a falta de tratamento específico disponível.
Lp(a)
1Estrutura
Semelhante à LDL (não VLDL)
ApoB ligada à apolipoproteína(a)
Efeitos pró-aterogênicos, inflamatórios e trombóticos
2Níveis
Predominantemente genéticos (locus LPA)
Pouca influência do estilo de vida
3Tratamento
Estatinas não reduzem
Fibratos não reduzem
Anti-PCSK9 (redução 20–30%)
Antisenso/siRNA (até 90%, em estudo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A Lp(a) não é semelhante ao VLDL-colesterol. A Lp(a) é uma partícula semelhante à LDL, na qual a ApoB é covalentemente ligada à apolipoproteína(a). O VLDL é uma lipoproteína rica em triglicerídeos, produzida pelo fígado, com densidade muito baixa. A confusão aqui é entre as classes de lipoproteínas: a Lp(a) compartilha a estrutura da LDL, não do VLDL.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As concentrações plasmáticas de Lp(a) são predominantemente determinadas por variabilidade genética. Estudos de randomização mendeliana mostraram que variantes genéticas no locus LPA, que regulam exclusivamente os níveis de Lp(a), estão fortemente associadas ao risco de doença coronária. Isso confirma que a genética é o principal determinante dos níveis de Lp(a), com pouca influência de fatores ambientais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As intervenções no estilo de vida não exercem grande impacto na redução de Lp(a). Embora sejam recomendadas para o manejo global do risco cardiovascular, especialmente em pacientes com Lp(a) elevada, o efeito sobre os níveis de Lp(a) é mínimo. A determinação genética é o fator predominante.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As estatinas não reduzem significativamente os níveis de Lp(a). Pelo contrário, os medicamentos hipolipemiantes comumente usados, incluindo estatinas e ezetimiba, não reduzem os níveis da Lp(a). As terapias que levam à redução leve a moderada (20 a 30%) da Lp(a) incluem as terapias anti-PCSK9, não as estatinas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os fibratos não reduzem significativamente os níveis de Lp(a). Os fibratos são eficazes na redução de triglicerídeos, mas não têm efeito significativo sobre a Lp(a). Não há tratamento específico disponível para reduzir os níveis de Lp(a) atualmente.