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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu092855
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Gastroenterologia Pediátrica
Um menino de 4 anos é levado ao pronto-socorro com episódios recorrentes de sangramento retal indolor no último mês. A mãe relata que o sangue é vermelho vivo, sem associação com dor abdominal, diarreia ou febre. O exame físico está normal e os exames laboratoriais mostram hemoglobina de 9,5 g/dL, sem leucocitose ou elevação de marcadores inflamatórios. A colonoscopia não revelou lesões. Com base nos dados apresentados, assinale a alternativa que indica, corretamente, o exame mais adequado para confirmar a principal hipótese diagnóstica.
  1. ACintilografia com tecnécio-99m.
  2. BCintilografia com macroalbumina.
  3. CUltrassonografia abdominal com Doppler.
  4. DAngiotomografia abdominal.
  5. ECintilografia com hemácia marcada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Cintilografia com tecnécio-99m.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia digestiva baixa na criança: divertículo de Meckel

Gabarito: letra A. Em criança com sangramento retal indolor, vermelho-vivo, recorrente, com colonoscopia normal e anemia, a principal hipótese é o divertículo de Meckel, e o exame de escolha para confirmá-lo é a cintilografia com tecnécio-99m (cintilografia de Meckel), que detecta a mucosa gástrica ectópica presente no divertículo. As demais alternativas não são o método adequado para essa hipótese diagnóstica.

O divertículo de Meckel é a malformação congênita mais comum do trato gastrointestinal, resultante da persistência do ducto onfalomesentérico. Está presente em cerca de 2% da população, sendo mais frequente no sexo masculino. A maioria dos casos é assintomática, mas quando sintomático, o sangramento digestivo baixo é a apresentação mais comum em crianças, especialmente antes dos 2 anos de idade. O sangramento ocorre porque o divertículo contém mucosa gástrica ectópica, que secreta ácido e provoca ulceração na mucosa intestinal adjacente, levando a sangramento indolor, recorrente e de cor vermelho-viva.

O diagnóstico é feito pela cintilografia com tecnécio-99m pertecnetato, que se acumula nas células da mucosa gástrica ectópica, permitindo a visualização do divertículo. O exame tem alta sensibilidade e especificidade em crianças com sangramento significativo. A colonoscopia, como no caso do enunciado, é normal porque a lesão está no intestino delgado, fora do alcance do aparelho. A angiografia e a cintilografia com hemácias marcadas são úteis para sangramentos ativos, mas não são o método de escolha para o divertículo de Meckel. A ultrassonografia e a angiotomografia não são os exames indicados para essa condição.

A principal distinção a ser feita é entre a cintilografia de Meckel (com tecnécio-99m pertecnetato) e a cintilografia com hemácias marcadas (também com tecnécio-99m, mas com marcação das hemácias do próprio paciente). A primeira é específica para detectar mucosa gástrica ectópica, enquanto a segunda é utilizada para localizar sangramento ativo, sem especificidade para o divertículo de Meckel. A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo a cintilografia com hemácia marcada como distrator.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, em criança com sangramento retal indolor e colonoscopia normal, o divertículo de Meckel é a principal hipótese, e o exame para confirmá-lo é a cintilografia com tecnécio-99m (pertecnetato), não a cintilografia com hemácias marcadas, que é usada para sangramento ativo de qualquer origem.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A cintilografia com tecnécio-99m (pertecnetato) é o exame de escolha para confirmar o divertículo de Meckel, pois o tecnécio é captado pela mucosa gástrica ectópica presente no divertículo, permitindo sua visualização. No caso descrito, com sangramento retal indolor, recorrente, em criança, e colonoscopia normal, essa é a principal hipótese diagnóstica e o exame mais adequado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cintilografia com macroalbumina é utilizada para avaliação de perfusão pulmonar (cintilografia de ventilação/perfusão), não para diagnóstico de sangramento digestivo. Não há indicação para essa hipótese.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ultrassonografia abdominal com Doppler pode auxiliar na avaliação de outras causas de dor abdominal ou massas, mas não é o exame de escolha para o diagnóstico de divertículo de Meckel, que é uma lesão do intestino delgado, geralmente não visível à ultrassonografia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A angiotomografia abdominal é útil para avaliar sangramentos ativos, mas não é o método de escolha para o divertículo de Meckel, especialmente em criança com sangramento intermitente e colonoscopia normal. A cintilografia com tecnécio-99m é superior para essa finalidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cintilografia com hemácia marcada é utilizada para localizar sangramento ativo, mas não é específica para o divertículo de Meckel. Ela pode ser útil quando há sangramento ativo e a origem não é identificada, mas não é o exame de escolha para confirmar a principal hipótese diagnóstica neste caso.

Gabarito: letra A

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