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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu092858
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Gastroenterologia Pediátrica
Criança de 10 anos com diagnóstico prévio de retocolite ulcerativa que evoluiu, nos últimos cinco dias, com diarreia sanguinolenta intensa (nove episódios/dia), dor abdominal contínua com despertar noturno, urgência fecal e tenesmo. No exame físico, apresenta hipotensão leve (PA: P5-10 para idade), taquicardia (FC: 120 bpm) e febre (38,2 ºC). O exame abdominal revela sensibilidade difusa, sem sinais de peritonite. Os exames laboratoriais mostram hemoglobina de 9,5 g/dL, PCR de 80 mg/L e albumina de 2,8 g/dL. Diante desse quadro clínico, qual a melhor conduta inicial?
  1. AManter antibioticoterapia empírica e iniciar nutrição parenteral exclusiva, sem necessidade de imunossupressores.
  2. BIniciar infliximabe intravenoso (5-10 mg/kg) ou ciclosporina como primeira linha de tratamento.
  3. CAjustar dose de mesalazina oral e enemas, associado à dieta rica em fibras e hidratação domiciliar.
  4. DPrescrever prednisona oral e alta hospitalar com reavaliação ambulatorial em 7 dias.
  5. EIniciar corticoide intravenoso e manter suporte clínico rigoroso, com reavaliação da resposta em três a cinco dias.
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GabaritoE — Iniciar corticoide intravenoso e manter suporte clínico rigoroso, com reavaliação da resposta em três a cinco dias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Retocolite ulcerativa grave: conduta inicial

Gabarito: letra E. A criança apresenta exacerbação grave de retocolite ulcerativa (RCU) — nove evacuações sanguinolentas/dia, febre, taquicardia, anemia e hipoalbuminemia —, o que impõe internação e início imediato de corticoide intravenoso, com reavaliação da resposta em três a cinco dias. A conduta está alinhada aos protocolos de manejo da RCU grave, que preconizam corticoterapia sistêmica como primeira linha nesse cenário.

A retocolite ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal crônica que acomete a mucosa do cólon, tipicamente de forma contínua a partir do reto. A apresentação clássica é diarreia com sangue, acompanhada de tenesmo, urgência evacuatória e dor abdominal. A gravidade da exacerbação é o principal determinante da conduta: quadros leves a moderados podem ser manejados ambulatorialmente com mesalazina e, às vezes, corticoide oral; já os quadros graves exigem internação hospitalar e corticoide intravenoso, pois há risco de complicações como megacólon tóxico, perfuração e necessidade de colectomia.

A classificação de gravidade da RCU, baseada nos critérios de Truelove e Witts, é essencial para a decisão terapêutica. O quadro descrito preenche claramente os critérios de gravidade: mais de seis evacuações sanguinolentas por dia, febre, taquicardia (>90 bpm), anemia (Hb ≤10,5 g/dL) e comprometimento sistêmico. A presença de hipotensão leve e hipoalbuminemia reforça a gravidade e a necessidade de suporte clínico rigoroso em ambiente hospitalar.

O tratamento da exacerbação grave de RCU consiste em: (1) internação hospitalar; (2) corticoide intravenoso (por exemplo, metilprednisolona ou hidrocortisona) como primeira linha; (3) suporte clínico com hidratação, correção de distúrbios eletrolíticos e transfusão se necessário; (4) avaliação da resposta em três a cinco dias. Caso não haja resposta adequada ao corticoide, considera-se terapia de resgate com infliximabe ou ciclosporina, ou ainda cirurgia (colectomia) em casos refratários ou complicados.

A alternativa E é a única que contempla a conduta inicial correta: corticoide intravenoso e suporte clínico rigoroso, com reavaliação em três a cinco dias. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas inadequadas para o cenário de gravidade descrito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Manter antibioticoterapia empírica e iniciar nutrição parenteral exclusiva, sem necessidade de imunossupressores, é conduta inadequada. A antibioticoterapia empírica não é rotina no tratamento da exacerbação grave de RCU, a menos que haja suspeita de infecção (como por Clostridium difficile). A nutrição parenteral exclusiva não é indicada como primeira linha; o suporte nutricional enteral é preferível quando possível. Além disso, a alternativa ignora a necessidade de imunossupressão (corticoide) para controlar a inflamação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Iniciar infliximabe intravenoso (5-10 mg/kg) ou ciclosporina como primeira linha de tratamento é incorreto. Esses agentes são considerados terapia de resgate para casos refratários ao corticoide intravenoso, não como primeira linha. A primeira linha para exacerbação grave é o corticoide intravenoso; infliximabe ou ciclosporina são opções quando não há resposta ao corticoide em três a cinco dias.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Ajustar dose de mesalazina oral e enemas, associado à dieta rica em fibras e hidratação domiciliar, é conduta inadequada para um quadro grave. Mesalazina é indicada para doença leve a moderada, não para exacerbação grave. Dieta rica em fibras não é recomendada na fase aguda grave, e hidratação domiciliar não é suficiente diante de sinais de gravidade e risco de complicações.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Prescrever prednisona oral e alta hospitalar com reavaliação ambulatorial em 7 dias é conduta inadequada. O quadro é grave e requer internação hospitalar com corticoide intravenoso, não tratamento oral ambulatorial. A alta hospitalar sem suporte adequado expõe a criança a risco de complicações graves.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Iniciar corticoide intravenoso e manter suporte clínico rigoroso, com reavaliação da resposta em três a cinco dias, é a conduta inicial correta para exacerbação grave de RCU. O corticoide intravenoso é a primeira linha de tratamento para doença grave, e a reavaliação em três a cinco dias permite decidir sobre terapia de resgate (infliximabe, ciclosporina) ou cirurgia, se necessário.

Gabarito: letra E

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