Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu092863
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Gastroenterologia Pediátrica
Durante uma endoscopia de urgência, de um paciente de 7 anos que procurou atendimento devido a dor torácica aguda intensa após ingerir carne em uma churrascaria, não se identifica impactação alimentar, mas observa-se uma estenose no terço inferior do esôfago que não é transponível pelo endoscópio de 6 mm. Diante dessa situação, qual é a melhor conduta?
ARealizar dilatação esofágica.
BIniciar com corticosteróide sistêmico por 4 semanas.
CIniciar com budesonida deglutida.
DIniciar com inibidor de bomba de próton.
EModificar para o endoscópio de 4 mm.
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GabaritoA — Realizar dilatação esofágica.
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Estenose esofágica em criança: conduta endoscópica
Gabarito: letra A. Em uma criança com estenose esofágica não transponível pelo endoscópio de 6 mm, a melhor conduta é a dilatação esofágica, pois a estenose é a causa subjacente da dor torácica e da impactação alimentar, e a dilatação é o tratamento endoscópico padrão para estenoses esofágicas benignas. As demais alternativas (corticosteroide sistêmico, budesonida deglutida, IBP e troca de endoscópio) não tratam a estenose de forma imediata e definitiva, sendo a dilatação a abordagem mais adequada.
A estenose esofágica é um estreitamento do esôfago que pode ser congênito ou adquirido, sendo as causas mais comuns em crianças a estenose péptica (decorrente de refluxo gastroesofágico), a estenose cáustica, a estenose anastomótica e a estenose por eosinofílica esofagite (EEo). A apresentação clínica típica inclui disfagia, impactação alimentar e, em casos agudos, dor torácica intensa, como no caso descrito. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame de escolha para diagnóstico e, frequentemente, para tratamento, pois permite visualizar a estenose, avaliar sua extensão e realizar a dilatação.
A dilatação esofágica pode ser realizada com balões (dilatação pneumática) ou com velas de Savary-Gilliard (dilatação por bougie). A dilatação por balão é preferida em estenoses mais curtas e pode ser feita sob visão direta durante a endoscopia, permitindo avaliar o resultado imediato e as complicações, como pequenas fissuras na mucosa. A dilatação por bougie é mais adequada para estenoses longas ou tortuosas. Em crianças, a dilatação é geralmente bem tolerada e eficaz, mas pode ser necessário repetir o procedimento em casos de estenoses recorrentes.
A escolha da conduta depende da causa da estenose. Na estenose péptica, o tratamento de base é o inibidor de bomba de prótons (IBP), mas a dilatação é necessária para aliviar a obstrução mecânica. Na EEo, o tratamento de base é a budesonida deglutida ou o corticosteroide sistêmico, mas a dilatação pode ser necessária para estenoses que não respondem ao tratamento clínico. No caso apresentado, a estenose é a causa da dor torácica e da impactação, e a dilatação é a conduta imediata mais adequada para aliviar os sintomas e permitir a passagem do endoscópio para avaliação completa.
A troca para um endoscópio de 4 mm (alternativa E) poderia permitir a passagem pela estenose, mas não trata a causa subjacente e não é a conduta terapêutica ideal. O IBP (alternativa D) é o tratamento de base para estenose péptica, mas não alivia a obstrução mecânica imediatamente. O corticosteroide sistêmico (alternativa B) e a budesonida deglutida (alternativa C) são tratamentos para EEo, mas não são a primeira escolha para estenose não transponível, especialmente em um contexto de urgência.
A dilatação esofágica é um procedimento seguro e eficaz, mas apresenta riscos, como perfuração (2-5% dos casos) e hemorragia. A perfuração é a complicação mais grave e deve ser suspeitada em caso de dor persistente, febre, enfisema subcutâneo ou pneumomediastino. Em caso de perfuração, o tratamento é cirúrgico na maioria dos casos. A hemorragia é mais rara e geralmente autolimitada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato oferecendo tratamentos clínicos (IBP, corticosteroide, budesonida) que são específicos para causas de estenose (péptica, EEo), mas que não resolvem a obstrução mecânica aguda. A dilatação é a conduta imediata para aliviar a estenose, independentemente da causa, e deve ser a primeira escolha em um caso de urgência com estenose não transponível.
1EDA identifica estenose
2Dilatação esofágica (balão/bougie)
3Alívio da obstrução
4Tratamento da causa de base
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dilatação esofágica é o tratamento endoscópico padrão para estenoses esofágicas benignas, incluindo estenose péptica, cáustica, anastomótica e por EEo. No caso de uma estenose não transponível pelo endoscópio de 6 mm, a dilatação é a conduta mais adequada para aliviar a obstrução, permitir a passagem do endoscópio e tratar a causa subjacente. A dilatação pode ser realizada com balão ou bougie, sob visão endoscópica, e é eficaz na maioria dos casos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O corticosteroide sistêmico é utilizado no tratamento da esofagite eosinofílica (EEo), mas não é a conduta imediata para uma estenose não transponível. Em um contexto de urgência, a dilatação é necessária para aliviar a obstrução, e o corticosteroide pode ser considerado como tratamento de base após a dilatação, se a causa for EEo. Iniciar corticosteroide sistêmico sem dilatar a estenose não resolve a obstrução mecânica e pode atrasar o tratamento adequado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A budesonida deglutida é um tratamento tópico para esofagite eosinofílica (EEo), mas não é a conduta imediata para uma estenose não transponível. Assim como o corticosteroide sistêmico, a budesonida trata a inflamação, mas não alivia a obstrução mecânica. A dilatação é necessária para permitir a passagem do endoscópio e aliviar os sintomas, e a budesonida pode ser considerada como tratamento de base após a dilatação, se a causa for EEo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O inibidor de bomba de prótons (IBP) é o tratamento de base para estenose péptica, mas não é a conduta imediata para uma estenose não transponível. O IBP reduz a acidez gástrica e promove a cicatrização da mucosa esofágica, mas não alivia a obstrução mecânica causada pela estenose. Em um caso de urgência, a dilatação é necessária para aliviar a obstrução, e o IBP pode ser mantido como tratamento de manutenção após a dilatação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Modificar para o endoscópio de 4 mm poderia permitir a passagem pela estenose, mas não trata a causa subjacente. A troca do endoscópio é uma medida diagnóstica, não terapêutica, e não alivia a obstrução mecânica. A dilatação é a conduta terapêutica adequada para estenose não transponível, pois trata a estenose em si, permitindo a passagem do endoscópio e aliviando os sintomas.