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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu092866
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Gastroenterologia Pediátrica
Lactente de 2 meses cuja mãe está preocupada com diarreia crônica. A criança evacua seis vezes ao dia, com fezes líquidas e explosivas. Com três semanas de vida, teve um episódio de assadura de fralda que melhorou com uso frequente de pomada de barreira. A família segue preocupada, pois a diarreia persiste. No exame, o bebê está bem, sem sinais de desidratação ou desnutrição, e apresenta ganho ponderal adequado de 26 g/dia. A mãe, no entanto, acredita que o ganho de peso está insuficiente, pois a criança mama em livre demanda, praticamente a cada hora durante o dia. Segundo as informações apresentadas, assinale a alternativa correta quanto a conduta a ser adotada.
  1. ATranquilizar a mãe, explicando que o bebê está bem e saudável.
  2. BIniciar probiótico (Lactobacillus reuteri).
  3. CIniciar dieta materna sem lactose.
  4. DIniciar dieta materna sem proteína do leite de vaca.
  5. ESolicitar exames fecais, incluindo pesquisa de gordura fecal, pesquisa de substâncias redutoras, parasitológico de fezes e cultura aeróbica de fezes.
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GabaritoA — Tranquilizar a mãe, explicando que o bebê está bem e saudável.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diarreia crônica no lactente: abordagem e conduta

Gabarito: letra A. O quadro descrito é compatível com o padrão normal de evacuações do lactente em aleitamento materno exclusivo — fezes líquidas, explosivas e frequentes — associado a ganho ponderal adequado (26 g/dia) e ausência de sinais de desidratação ou desnutrição. A conduta correta é tranquilizar a mãe, explicando que o bebê está bem e saudável, sem necessidade de intervenção dietética ou exames complementares.

A diarreia crônica é definida como a persistência de evacuações amolecidas ou líquidas por período superior a 4 a 8 semanas. No entanto, é fundamental distinguir a diarreia patológica do padrão fisiológico do lactente amamentado. Crianças em aleitamento materno exclusivo frequentemente evacuam de 10 ou mais vezes ao dia, com fezes amarelo-ouro, não homogêneas, espumosas e explosivas — exatamente o quadro descrito no enunciado. Essa característica decorre do alto teor de lactose do leite humano e da imaturidade relativa da digestão de carboidratos no intestino delgado do lactente jovem, que resulta em fermentação colônica e produção de fezes líquidas e gasosas.

O ganho ponderal é o parâmetro mais importante para diferenciar o padrão fisiológico da diarreia patológica. O lactente do caso ganha 26 g/dia, valor adequado para a idade (a média esperada entre 0 e 3 meses é de aproximadamente 25 a 30 g/dia). A ausência de desidratação, desnutrição e sinais de alarme (febre, sangue nas fezes, vômitos, distensão abdominal, anorexia, abatimento) reforça o diagnóstico de normalidade. A assadura de fralda, embora tenha preocupado a mãe, é comum nessa faixa etária devido à acidez e frequência das fezes, e não indica doença.

A conduta correta é a orientação e o acolhimento da mãe, explicando que o padrão evacuatório é normal para um lactente em aleitamento materno exclusivo e que o ganho de peso adequado é o melhor indicador de saúde. Não há indicação de probióticos, restrição dietética materna (lactose ou proteína do leite de vaca) ou exames fecais, pois não há evidência de doença. A introdução de intervenções desnecessárias pode causar ansiedade materna, interferir no aleitamento e expor o lactente a riscos desnecessários.

A distinção central que separa as alternativas é o reconhecimento do padrão fisiológico do lactente amamentado versus a diarreia patológica. Enquanto a diarreia patológica cursa com repercussões clínicas (anorexia, abatimento, distensão abdominal, febre, vômitos, perda de peso, desidratação) e fezes fétidas com sangue ou muco, o padrão fisiológico é caracterizado por fezes líquidas e explosivas, mas com ganho ponderal adequado e ausência de sinais de alarme. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Diarreia crônica no lactente
  • 1Padrão fisiológico (AME)
    • Fezes líquidas, explosivas
    • 10+ evacuações/dia
    • Ganho ponderal adequado
    • Sem sinais de alarme
  • 2Diarreia patológica
    • Sinais de alarme
      • Sangue/muco nas fezes
      • Vômitos, febre
      • Desidratação/desnutrição
      • Falha de crescimento
    • Causas
      • APLV
      • Infecção/parasitose
      • Má absorção
  • 3Conduta
    • Tranquilizar a mãe
    • Sem probióticos
    • Sem restrição dietética materna
    • Sem exames fecais
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta é tranquilizar a mãe, explicando que o bebê está bem e saudável. O quadro é compatível com o padrão fisiológico de evacuações do lactente em aleitamento materno exclusivo: fezes líquidas, espumosas e explosivas, com frequência de 10 ou mais evacuações diárias. O ganho ponderal de 26 g/dia é adequado para a idade, e a ausência de sinais de desidratação, desnutrição ou alarme confirma a normalidade. A conduta é orientar a mãe sobre o padrão esperado e tranquilizá-la, sem necessidade de intervenções.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Iniciar probiótico (Lactobacillus reuteri) não é indicado. O lactente não apresenta diarreia patológica, mas sim o padrão fisiológico do aleitamento materno. Não há evidência de disbiose ou doença que justifique o uso de probióticos. A prescrição desnecessária de probióticos pode causar custos e ansiedade, sem benefício clínico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Iniciar dieta materna sem lactose não é indicado. A lactose é o principal carboidrato do leite humano e sua restrição materna não é recomendada em nenhuma situação, exceto em casos raros de deficiência congênita de lactase no lactente (extremamente rara). A diarreia do lactente amamentado é fisiológica e não decorre de intolerância à lactose. A restrição dietética materna sem indicação pode prejudicar a nutrição da mãe e do bebê.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Iniciar dieta materna sem proteína do leite de vaca não é indicado. A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma causa de diarreia crônica no lactente, mas o quadro descrito não apresenta sinais sugestivos, como sangue nas fezes, vômitos, eczema, falha de crescimento ou anemia. O lactente está com ganho ponderal adequado e sem sinais de alarme. A restrição dietética materna sem indicação pode causar deficiências nutricionais e ansiedade, sem benefício.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Solicitar exames fecais, incluindo pesquisa de gordura fecal, pesquisa de substâncias redutoras, parasitológico de fezes e cultura aeróbica de fezes, não é indicado. Não há evidência de má absorção, infecção ou parasitose. O quadro é fisiológico e não apresenta sinais de alarme. A solicitação de exames desnecessários pode causar ansiedade materna, custos e procedimentos invasivos, sem benefício clínico.

Gabarito: letra A

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