Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu092867
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Gastroenterologia Pediátrica
Lactente de 9 meses apresenta diarreia, há três dias, a mãe relata que as fezes estão líquidas, sem sangue ou muco, e que a criança teve febre baixa e vômitos ocasionais. Hoje, o lactente está mais prostrado, recusando líquidos e com redução do volume urinário. No exame físico, a criança está irritada, com tempo de enchimento capilar de três segundos, olhos fundos e mucosas secas. Com base no exposto, qual é a conduta mais adequada?
AIniciar antibiótico empírico para cobertura de patógenos bacterianos, como Escherichia coli e Shigella.
BRealizar reidratação venosa com solução salina isotônica (soro fisiológico 0,9%) 30 mL/kg em 1 hora, reavaliando a criança após o término da infusão.
CAdministrar solução de reidratação oral (SRO) em pequenos volumes e manter hidratação oral rigorosa em domicílio.
DPrescrever probióticos e manter dieta leve, sem necessidade de outras intervenções.
EAdministrar solução de reidratação oral (SRO) em pequenos volumes e reavaliar em 4 horas.
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GabaritoB — Realizar reidratação venosa com solução salina isotônica (soro fisiológico 0,9%) 30 mL/kg em 1 hora, reavaliando a criança após o término da infusão.
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Doença Diarreica Aguda na Infância: Classificação e Conduta
Gabarito: letra B. O lactente apresenta sinais de desidratação (olhos fundos, mucosas secas, enchimento capilar de 3 segundos, irritabilidade, recusa de líquidos e oligúria), o que caracteriza desidratação moderada, indicando o Plano B da estratégia AIDPI do Ministério da Saúde: reidratação venosa com solução salina isotônica (soro fisiológico 0,9%) na dose de 30 mL/kg em 1 hora, com reavaliação após a infusão. A conduta correta é a reidratação venosa, pois a criança não consegue ingerir líquidos por via oral de forma adequada.
A doença diarreica aguda (DDA) é definida como a diminuição da consistência das fezes, com evacuações amolecidas ou líquidas e/ou aumento da frequência para 3 ou mais evacuações em 24 horas, podendo ser acompanhada de febre ou vômitos. A principal complicação é a desidratação, que pode levar à morte se não tratada adequadamente. O tratamento se baseia na prevenção e na rápida correção da desidratação, por meio da ingestão de líquidos e solução de sais de reidratação oral (SRO) ou fluidos intravenosos (IV), dependendo do estado de hidratação e da gravidade do caso.
A avaliação clínica do estado de hidratação é fundamental para a escolha do tratamento. Os sinais de desidratação incluem: alteração do estado mental (irritabilidade ou letargia), olhos fundos, mucosa oral seca, redução da lágrima, diminuição da perfusão periférica (aumento do tempo de enchimento capilar), respiração profunda e diminuição do turgor cutâneo. A presença de dois ou mais desses sinais indica desidratação moderada, enquanto a presença de sinais graves, como choque, indica desidratação grave.
A estratégia AIDPI (Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância) do Ministério da Saúde classifica o tratamento em três planos:
Plano A: para crianças com diarreia e sem sinais de desidratação – tratamento domiciliar com SRO e orientações.
Plano B: para crianças com diarreia e sinais de desidratação – tratamento da desidratação com SRO na unidade de saúde, ou reidratação venosa se houver recusa de líquidos ou vômitos persistentes.
Plano C: para crianças com diarreia e desidratação grave – tratamento IV imediato, com solução salina isotônica.
No caso apresentado, o lactente tem 9 meses, apresenta diarreia há 3 dias, febre baixa, vômitos ocasionais, e hoje está prostrado, recusando líquidos e com redução do volume urinário. No exame físico, está irritado, com tempo de enchimento capilar de 3 segundos, olhos fundos e mucosas secas. Esses sinais indicam desidratação moderada, pois há dois ou mais sinais de desidratação (olhos fundos, mucosas secas, enchimento capilar aumentado, irritabilidade). A recusa de líquidos e a prostação indicam que a reidratação oral não será eficaz, sendo necessária a reidratação venosa.
A reidratação venosa no Plano B, quando indicada, é feita com solução salina isotônica (soro fisiológico 0,9%) na dose de 30 mL/kg em 1 hora, seguida de reavaliação clínica. Essa é a conduta mais adequada para o caso, pois a criança não consegue ingerir líquidos por via oral de forma adequada e apresenta sinais de desidratação que precisam ser corrigidos rapidamente.
A alternativa B é a correta, pois descreve exatamente a conduta do Plano B para desidratação moderada com recusa de líquidos: reidratação venosa com soro fisiológico 0,9% na dose de 30 mL/kg em 1 hora, com reavaliação após a infusão. As demais alternativas apresentam condutas inadequadas para o caso, como veremos a seguir.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Iniciar antibiótico empírico para cobertura de patógenos bacterianos, como Escherichia coli e Shigella, não é a conduta inicial adequada. O uso de antibióticos na DDA é reservado para casos específicos, como disenteria (diarreia com sangue) com comprometimento do estado geral, cólera com desidratação grave, ou em crianças com menos de 3 meses com alta probabilidade de etiologia bacteriana. No caso, a diarreia é aquosa, sem sangue ou muco, e a principal conduta é a reidratação, não o antibiótico. O uso indiscriminado de antibióticos pode causar resistência bacteriana e não trata a causa viral, que é a mais comum na DDA.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é a reidratação venosa com solução salina isotônica (soro fisiológico 0,9%) na dose de 30 mL/kg em 1 hora, com reavaliação após a infusão. Essa é a conduta do Plano B da AIDPI para crianças com desidratação moderada que não conseguem ingerir líquidos por via oral. A criança apresenta sinais de desidratação (olhos fundos, mucosas secas, enchimento capilar de 3 segundos, irritabilidade) e recusa de líquidos, o que contraindica a reidratação oral como primeira escolha. A reidratação venosa é rápida e eficaz para corrigir a desidratação e prevenir complicações.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Administrar solução de reidratação oral (SRO) em pequenos volumes e manter hidratação oral rigorosa em domicílio é a conduta do Plano A, indicada para crianças com diarreia e sem sinais de desidratação. No caso, a criança apresenta sinais de desidratação moderada e recusa de líquidos, o que torna a reidratação oral em domicílio inadequada e perigosa, pois pode agravar o quadro. A criança precisa de reidratação venosa em ambiente de saúde.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Prescrever probióticos e manter dieta leve, sem necessidade de outras intervenções, é uma conduta inadequada. A criança apresenta sinais de desidratação moderada, que é uma emergência médica que requer reidratação imediata. Probióticos podem ser úteis como adjuvantes no tratamento da diarreia, mas não substituem a reidratação, que é a medida mais importante. A dieta leve pode ser mantida, mas não é a conduta principal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Administrar solução de reidratação oral (SRO) em pequenos volumes e reavaliar em 4 horas é a conduta do Plano B para crianças com desidratação moderada que conseguem ingerir líquidos por via oral. No caso, a criança está prostrada e recusando líquidos, o que contraindica a reidratação oral como primeira escolha. A reidratação venosa é necessária para corrigir a desidratação de forma rápida e eficaz.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao apresentar a reidratação oral (Plano B) como conduta adequada, mas a criança recusa líquidos e está prostrada, o que indica a necessidade de reidratação venosa. A chave é identificar os sinais de desidratação e a capacidade de ingestão oral da criança. A alternativa E parece correta, mas a recusa de líquidos é um critério para reidratação venosa.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões de DDA, siga o fluxo: 1) Avalie os sinais de desidratação (olhos fundos, mucosas secas, enchimento capilar, turgor, estado mental). 2) Classifique a desidratação (sem, moderada, grave). 3) Escolha o plano (A, B ou C). 4) Se houver recusa de líquidos ou vômitos persistentes, opte pela reidratação venosa. Memorize a dose: 30 mL/kg em 1 hora para desidratação moderada.