Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu092875
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Gastroenterologia Pediátrica
Uma criança de 10 anos de vida, com diagnóstico de cirrose hepática por deficiência de alfa-1 antitripsina, passa em consulta de rotina, no exame físico nota-se o abdome mais globoso que o habitual, aumento da circunferência abdominal, sinal do piparote e círculo de Skoda presentes. Nesse caso, qual medicação é a primeira escolha para tratar essa complicação da cirrose hepática?
AEspironolactona.
BFurosemida.
CHidroclorotiazida.
DPropranolol.
ECarvedilol.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Espironolactona.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Ascite na cirrose hepática: tratamento de primeira linha
Gabarito: letra A. A complicação descrita é a ascite (abdome globoso, aumento da circunferência abdominal, sinal do piparote e círculo de Skoda), e a medicação de primeira escolha é a espironolactona, um diurético poupador de potássio antagonista da aldosterona, conforme a fisiopatologia da retenção de sódio na cirrose. O tratamento da ascite em cirróticos inicia-se com dieta hipossódica e diuréticos, sendo a espironolactona a droga de escolha inicial, podendo ser associada à furosemida em casos de resposta inadequada.
A ascite é a complicação mais frequente da cirrose hepática, ocorrendo em até 60% dos pacientes após 10 anos de doença. Ela se desenvolve a partir da hipertensão portal e da retenção de sódio pelos rins, que leva à expansão do volume extracelular e ao acúmulo de líquido na cavidade abdominal. O diagnóstico é clínico, com sinais como o piparote (onda de líquido) e o círculo de Skoda (macicez que se desloca com a mudança de decúbito), e pode ser confirmado por ultrassonografia.
A fisiopatologia da ascite na cirrose envolve a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) como resposta à hipovolemia efetiva. A aldosterona promove a reabsorção de sódio nos túbulos renais, contribuindo para a retenção hidrossalina. Por isso, o bloqueio do hiperaldosteronismo com espironolactona é a base do tratamento, atuando diretamente no mecanismo fisiopatológico. A dose inicial é de 100 mg/dia, podendo ser aumentada até 400 mg/dia. A furosemida, um diurético de alça, é adicionada quando não há resposta adequada à monoterapia, na proporção de 40 mg de furosemida para 100 mg de espironolactona.
A escolha da espironolactona como primeira linha se deve à sua ação específica no hiperaldosteronismo secundário da cirrose, que é o principal mecanismo de retenção de sódio. Os diuréticos de alça, como a furosemida, são menos eficazes isoladamente e podem causar maior desequilíbrio eletrolítico. A hidroclorotiazida, um diurético tiazídico, não é utilizada no tratamento da ascite cirrótica. O propranolol e o carvedilol são betabloqueadores não seletivos, usados na profilaxia de hemorragia por varizes esofágicas, não no tratamento da ascite.
A banca explora a confusão entre as complicações da cirrose e seus respectivos tratamentos. A ascite é tratada com diuréticos, enquanto as varizes esofágicas são tratadas com betabloqueadores. É fundamental reconhecer os sinais clínicos de cada complicação para escolher a medicação correta.
Ascite na cirrose
1Fisiopatologia
Hipertensão portal
Retenção de sódio (SRAA)
Hiperaldosteronismo secundário
2Diagnóstico clínico
Abdome globoso
Piparote
Círculo de Skoda
3Tratamento
Dieta hipossódica
Espironolactona (1ª escolha)
antagonista da aldosterona
dose inicial 100 mg/dia
Furosemida (2ª opção)
associação se resposta inadequada
Betabloqueadores (varizes, não ascite)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A espironolactona é o diurético de primeira escolha para o tratamento da ascite na cirrose hepática. Sua ação como antagonista da aldosterona bloqueia o hiperaldosteronismo secundário, que é o principal mecanismo de retenção de sódio e formação de ascite. A dose inicial é de 100 mg/dia, podendo ser aumentada até 400 mg/dia, e a resposta deve ser monitorada pela perda de peso e pela diurese.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A furosemida é um diurético de alça, utilizado como segunda opção no tratamento da ascite, associada à espironolactona quando não há resposta adequada à monoterapia. Não é a primeira escolha, pois atua em um mecanismo diferente do hiperaldosteronismo, que é o principal alvo terapêutico na ascite cirrótica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hidroclorotiazida é um diurético tiazídico, que não é utilizado no tratamento da ascite na cirrose hepática. Seu mecanismo de ação não é direcionado ao hiperaldosteronismo secundário, e seu uso pode levar a distúrbios eletrolíticos significativos, como hiponatremia e hipocalemia, que são mal tolerados em pacientes cirróticos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O propranolol é um betabloqueador não seletivo, utilizado na profilaxia primária e secundária de hemorragia por varizes esofágicas na hipertensão portal. Não tem papel no tratamento da ascite, que é uma complicação distinta da cirrose, tratada com diuréticos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O carvedilol é um betabloqueador com ação alfa-bloqueadora, também utilizado na profilaxia de hemorragia varicosa. Assim como o propranolol, não é indicado para o tratamento da ascite, sendo sua ação voltada para a redução da pressão portal, não para a mobilização do líquido ascítico.