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Questão de Medicina — Genética Médica — VUNESP 2025

MedicinaGenética Médica
Código
vu092876
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Gastroenterologia Pediátrica
Bebê dá entrada no hospital, de madrugada, sendo avaliado com convulsão por hipoglicemia. No exame físico foi notado uma hepatomegalia importante e os exames iniciais demonstram acidose metabólica com lactato aumentado, hiperuricemia e hipertrigliceridemia. No hemograma há neutropenia grave (< 500). Exames hepáticos normais, incluindo transaminases, GGT, fosfatase alcalina, albumina, coagulograma e bilirrubinas. Com base nessas informações, qual a principal hipótese diagnóstica e o tratamento de uso contínuo que deve ser iniciado?
  1. ADeficiência de síntese de sal biliar, iniciar com amido de milho várias vezes ao dia.
  2. BGlicogenose do tipo 1a, iniciar com maltodextrina várias vezes ao dia.
  3. CDoença do xarope de bordo, dieta restritiva em leucina, isoleucina e valina.
  4. DDefeito da glicosilação tipo 1b, iniciar com suplementação de manose.
  5. EGlicogenose do tipo 1b, iniciar com amido de milho várias vezes ao dia.
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GabaritoE — Glicogenose do tipo 1b, iniciar com amido de milho várias vezes ao dia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Glicogenose tipo 1b: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra E. O quadro clínico — hipoglicemia com convulsão, hepatomegalia, acidose láctica, hiperuricemia, hipertrigliceridemia e neutropenia grave — é clássico da glicogenose tipo 1b, e o tratamento de manutenção é o amido de milho (ou maltodextrina) em administrações frequentes. A neutropenia é o achado que diferencia o tipo 1b do tipo 1a, pois no 1a ela não ocorre.

A glicogenose tipo 1 (doença de von Gierke) é um erro inato do metabolismo do glicogênio causado pela deficiência da glicose-6-fosfatase (tipo 1a) ou do transportador de glicose-6-fosfato (tipo 1b). Essa enzima é essencial tanto para a gliconeogênese quanto para a glicogenólise, pois é o passo final que libera glicose livre no sangue. Sem ela, o fígado acumula glicogênio (causando hepatomegalia) e não consegue manter a glicemia em jejum, levando a hipoglicemia grave. O desvio do metabolismo intermediário resulta em acidose láctica (pelo acúmulo de lactato), hiperuricemia (pelo aumento da degradação de purinas) e hipertrigliceridemia (pelo aumento da síntese de lipídios).

A diferença crucial entre os subtipos 1a e 1b está na neutropenia: no tipo 1b, o defeito no transportador de glicose-6-fosfato também afeta a função dos neutrófilos, causando neutropenia crônica e disfunção neutrofílica, com predisposição a infecções. No tipo 1a, isso não ocorre. Por isso, a presença de neutropenia grave (< 500) no hemograma é o dado que fecha o diagnóstico de glicogenose tipo 1b.

O tratamento de manutenção visa evitar a hipoglicemia e suprimir os distúrbios metabólicos secundários. A estratégia é fornecer glicose de liberação lenta e contínua, geralmente com amido de milho cru (ou maltodextrina) administrado várias vezes ao dia, inclusive à noite, para manter a glicemia estável. Além disso, no tipo 1b, pode-se usar G-CSF (fator estimulador de colônias de granulócitos) para tratar a neutropenia, mas a base do tratamento metabólico é a dieta com amido de milho.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que a neutropenia é o diferencial entre os subtipos 1a e 1b, e que o tratamento de base é o mesmo (amido de milho), mas a alternativa correta precisa nomear o subtipo certo. As demais alternativas trazem diagnósticos que não se encaixam no quadro clínico completo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A deficiência de síntese de sal biliar não cursa com hipoglicemia, acidose láctica, hiperuricemia e neutropenia. O quadro é de colestase neonatal, com icterícia, acolia fecal e má absorção de gorduras, não se confundindo com o quadro metabólico descrito. O amido de milho não é o tratamento para essa condição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A glicogenose tipo 1a apresenta o mesmo quadro metabólico (hipoglicemia, acidose láctica, hiperuricemia, hipertrigliceridemia, hepatomegalia), mas não cursa com neutropenia. A presença de neutropenia grave no enunciado exclui o tipo 1a e aponta para o tipo 1b. O tratamento com maltodextrina seria correto, mas o diagnóstico está errado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A doença do xarope de bordo (leucinose) é um erro inato do metabolismo de aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, isoleucina e valina). O quadro clínico inclui encefalopatia, odor de xarope de bordo na urina e acidose, mas não cursa com hepatomegalia, hiperuricemia, hipertrigliceridemia e neutropenia. O tratamento é dieta restritiva nesses aminoácidos, não amido de milho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O defeito da glicosilação tipo 1b (CDG-1b) é uma doença congênita da glicosilação que pode cursar com hipoglicemia, hepatomegalia e alterações hepáticas, mas não é o quadro clássico com neutropenia grave, hiperuricemia e hipertrigliceridemia. O tratamento com suplementação de manose é específico para CDG-1b, mas o diagnóstico não se aplica ao caso.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A glicogenose tipo 1b é a hipótese diagnóstica que explica todos os achados: hipoglicemia, hepatomegalia, acidose láctica, hiperuricemia, hipertrigliceridemia e, principalmente, a neutropenia grave, que é a marca distintiva do subtipo 1b. O tratamento de manutenção é o amido de milho (ou maltodextrina) administrado várias vezes ao dia para manter a glicemia estável e controlar os distúrbios metabólicos.

Gabarito: letra E

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