Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu092879
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Gastroenterologia Pediátrica
Qual exame complementar a seguir é necessário para fazer o diagnóstico de insuficiência hepática aguda?
ATempo de protrombina.
BTempo de tromboplastina parcial ativado.
CAmônia.
DDosagem sérica de vitamina K.
EAlbumina sérica.
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GabaritoA — Tempo de protrombina.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Insuficiência hepática aguda: diagnóstico e exames complementares
Gabarito: letra A. O diagnóstico de insuficiência hepática aguda (IHA) exige a demonstração de coagulopatia, que é definida pela razão normalizada internacional (RNI) superior a 1,5 — e o exame que avalia essa alteração é o tempo de protrombina (TP), que reflete a função de síntese hepática dos fatores de coagulação. As demais alternativas avaliam aspectos que, embora possam estar alterados na IHA, não são critérios diagnósticos obrigatórios.
A insuficiência hepática aguda é uma síndrome rara e grave, caracterizada pela rápida deterioração da função do fígado em um indivíduo sem doença hepática prévia. A definição funcional amplamente aceita inclui dois elementos centrais: RNI > 1,5 (coagulopatia) e encefalopatia hepática de qualquer grau, em doença com menos de 26 semanas de duração. A coagulopatia ocorre porque o fígado é o principal sítio de síntese dos fatores de coagulação (I, II, V, VII e X); quando há necrose maciça dos hepatócitos, essa produção cai drasticamente, prolongando o tempo de protrombina. Por isso, o TP/INR é o exame que confirma o critério diagnóstico de coagulopatia — é ele que permite fechar o diagnóstico de IHA, não apenas sugerir disfunção hepática.
O tempo de protrombina é o exame da prática clínica mais utilizado para estimar a gravidade da disfunção hepática, tanto em casos agudos quanto crônicos. Na vigência de hepatopatia aguda, a alteração do TP indica a necessidade de avaliação especializada pelo potencial de evolução para formas graves ou fulminantes. Em contrapartida, elevações acentuadas de transaminases com TP normal sugerem função hepática preservada. O TP também compõe escores prognósticos importantes, como o Child-Pugh e o MELD, e é um dos exames recomendados pela American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD) na avaliação de hepatites fulminantes.
É importante distinguir o TP de outros exames de coagulação. O tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa) avalia a via intrínseca da coagulação e é mais sensível a deficiências de fatores VIII, IX, XI e XII — não é o marcador de escolha para função hepática. A amônia é útil no acompanhamento da encefalopatia hepática, mas não faz parte dos critérios diagnósticos de IHA. A dosagem de vitamina K e a albumina sérica, embora possam estar alteradas, não são específicas nem definidoras do diagnóstico.
A pegadinha desta questão está em confundir exames que avaliam a função hepática com o exame que define o diagnóstico. A banca explora a diferença entre marcadores de gravidade/prognóstico (albumina, amônia) e o critério diagnóstico objetivo (coagulopatia pelo TP/INR). Guarde a fronteira: para diagnosticar IHA, o exame obrigatório é o que demonstra a coagulopatia — o tempo de protrombina.
1RNI > 1,5 (TP)
2Encefalopatia hepática
3Doença < 26 semanas
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tempo de protrombina (TP) é o exame necessário para o diagnóstico de insuficiência hepática aguda, pois avalia a função de síntese hepática dos fatores de coagulação. A definição funcional de IHA exige RNI > 1,5, que é derivada do TP. O TP é o exame da prática clínica mais utilizado para estimar a gravidade da disfunção hepática e é um dos principais exames recomendados na avaliação de hepatites fulminantes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa) avalia a via intrínseca da coagulação, sendo mais sensível a deficiências dos fatores VIII, IX, XI e XII. Embora possa estar alterado em hepatopatias graves, não é o exame que define o diagnóstico de IHA — o critério diagnóstico é a coagulopatia demonstrada pelo TP/INR.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A amônia é um exame útil no acompanhamento da encefalopatia hepática, mas não faz parte dos critérios diagnósticos de IHA. A definição funcional da síndrome exige RNI > 1,5 e encefalopatia, mas a amônia não é o marcador que confirma o diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dosagem sérica de vitamina K não é um exame diagnóstico de IHA. A vitamina K é cofator para a carboxilação de fatores de coagulação, mas a coagulopatia da IHA ocorre por falência da síntese hepática desses fatores, não por deficiência de vitamina K. O fator V, por exemplo, é produzido no fígado e não depende de vitamina K, sendo um marcador mais específico de função hepática.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A albumina sérica é um marcador de função de síntese hepática e importante fator prognóstico na cirrose, mas seus níveis podem ser influenciados por diversas outras condições, como desnutrição, síndrome nefrótica e estados hipercatabólicos. Na IHA, a albumina não é o exame que define o diagnóstico — o critério é a coagulopatia pelo TP/INR.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre insuficiência hepática aguda, memorize o tripé diagnóstico: RNI > 1,5 + encefalopatia + doença < 26 semanas. O exame que confirma a coagulopatia é o TP/INR. Na hora da prova, desconfie de alternativas que tragam exames de acompanhamento (amônia, albumina) como se fossem critérios diagnósticos — a banca adora essa troca.