Concentrado de Plaquetas: Obtenção, Armazenamento e Refratariedade
Gabarito: letra E. Na anemia aplástica, a plaquetopenia tem caráter crônico e os pacientes devem ser observados sem transfusão de plaquetas até o limite de 5.000/mm³, desde que não apresentem manifestação hemorrágica. Essa conduta visa evitar a aloimunização e a refratariedade, preservando a eficácia de transfusões futuras. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a obtenção, armazenamento e manejo da refratariedade plaquetária.
O concentrado de plaquetas (CP) é um hemocomponente essencial no tratamento de trombocitopenias e disfunções plaquetárias. Sua obtenção pode ocorrer por dois métodos principais: a partir de unidades de sangue total (doadores aleatórios) ou por aférese (doador único). No primeiro caso, cada unidade contém aproximadamente 5,5 × 10¹⁰ plaquetas em 50-70 mL de plasma, enquanto as unidades de aférese contêm pelo menos 3,0 × 10¹¹ plaquetas em 200-300 mL de plasma. A alternativa A erra ao afirmar que a unidade de sangue total contém 10 × 10¹⁰ plaquetas, um valor superestimado, e que a aférese contém 30 × 10¹¹, também incorreto.
O armazenamento do CP é um ponto crítico. As plaquetas são extremamente sensíveis à refrigeração, sofrendo lesão de estocagem plaquetária quando expostas a baixas temperaturas. Estudos clássicos de Murphy e Gardner demonstraram que plaquetas refrigeradas apresentam meia-vida aproximadamente 66% inferior às mantidas em temperatura ambiente. Por isso, o CP deve ser mantido à temperatura ambiente (20-24°C), sob agitação constante, com validade de até 5 dias, dependendo da bolsa coletora. A alternativa B erra ao afirmar que o CP deve ser refrigerado a 4 ± 2°C, o que comprometeria sua viabilidade e função.
A refratariedade à transfusão de plaquetas é definida pela ausência de incremento adequado da contagem plaquetária após a transfusão. Pode ser causada por fatores imunes (aloanticorpos anti-HLA ou anti-HPA) ou não imunes (febre, sepse, esplenomegalia, CIVD). A alternativa C erra ao afirmar que a suspeita ocorre apenas com CP ABO incompatíveis, pois a refratariedade pode ocorrer mesmo com plaquetas ABO compatíveis. A alternativa D inverte a conduta: na refratariedade imune com anticorpo anti-HLA, devem-se usar plaquetas HLA compatíveis, HLA antígeno-negativo ou crossmatch-compatível; na refratariedade sem anti-HLA, avalia-se anti-HPA e usam-se plaquetas HPA antígeno-negativo.
Na anemia aplástica, a plaquetopenia é crônica e a transfusão profilática deve ser evitada para reduzir o risco de aloimunização. A conduta recomendada é observar o paciente sem transfusão até contagens < 5.000/mm³, na ausência de sangramento. Essa estratégia preserva a eficácia de transfusões futuras e minimiza complicações. A alternativa E está correta ao descrever essa abordagem.
A distinção crucial entre as alternativas está nos valores numéricos e nas condutas específicas. A banca explora erros de memorização de dados (quantidade de plaquetas, temperatura de armazenamento) e inversão de condutas (manejo da refratariedade imune vs. não imune).
Característica | Concentrado de Plaquetas (CP) – sangue total | Concentrado de Plaquetas (CP) – aférese |
|---|
Quantidade de plaquetas | ~5,5 × 10¹⁰ | ≥ 3,0 × 10¹¹ |
Volume de plasma | 50–70 mL | 200–300 mL |
Doador | Aleatório (unidade individual) | Único |
Aspecto | Conduta correta | |
:-- | :-- | |
Armazenamento do CP | Temperatura ambiente (20–24 °C), agitação constante, validade até 5 dias | |
Refratariedade imune (anti-HLA) | Plaquetas HLA compatíveis, HLA antígeno-negativo ou crossmatch-compatível | |
Refratariedade sem anti-HLA | Avaliar anti-HPA; usar plaquetas HPA antígeno-negativo | |
Anemia aplástica (plaquetopenia crônica) | Observar sem transfusão até < 5.000/mm³, se sem manifestação hemorrágica | |
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está nos valores numéricos. Uma unidade de CP obtida de sangue total contém aproximadamente 5,5 × 10¹⁰ plaquetas em 50-70 mL de plasma, e não 10 × 10¹⁰. Já a unidade de aférese contém pelo menos 3,0 × 10¹¹ plaquetas em 200-300 mL, e não 30 × 10¹¹. A banca superestima os valores, provavelmente para confundir o candidato que não domina os números exatos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O CP deve ser armazenado à temperatura ambiente (20-24°C), sob agitação constante, e não refrigerado a 4 ± 2°C. A refrigeração causa lesão de estocagem plaquetária, reduzindo a viabilidade e a função das plaquetas. A validade de até 5 dias está correta, mas a temperatura está errada, tornando a alternativa incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A suspeita de refratariedade não se limita a transfusões de CP ABO incompatíveis. A refratariedade pode ocorrer mesmo com plaquetas ABO compatíveis, devido a causas imunes (aloanticorpos) ou não imunes (febre, sepse, esplenomegalia, CIVD). A alternativa restringe indevidamente o conceito, tornando-a incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A conduta está invertida. Na refratariedade imune com anticorpo anti-HLA, devem-se usar plaquetas HLA compatíveis, HLA antígeno-negativo ou crossmatch-compatível. Na refratariedade sem anticorpo anti-HLA, avalia-se a presença de anti-HPA e utilizam-se plaquetas HPA antígeno-negativo. A alternativa troca as condutas, apresentando o manejo da refratariedade não imune como se fosse o da imune.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Na anemia aplástica, a plaquetopenia é crônica e a transfusão profilática deve ser evitada para reduzir o risco de aloimunização. A conduta recomendada é observar o paciente sem transfusão até contagens < 5.000/mm³, na ausência de manifestação hemorrágica. Essa estratégia preserva a eficácia de transfusões futuras e minimiza complicações. A alternativa está correta ao descrever essa abordagem.
Gabarito: letra E