Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
vu092926
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Hematologia e Hemoteria
Paciente do sexo masculino, 43 anos, apresentou faringite, tosse seca, falta de ar, sem febre há uma semana. Foi internado evoluindo com tosse prolongada e persistente, chiado no peito, cianose. Os episódios de tosse duravam de 5 a 10 minutos e, após a tosse, apresentava pouco escarro branco e depois parou de tossir.O paciente testou positivo por PCR para Bordetella Pertussis.O leucograma nesse contexto mais, habitualmente, exibe
Aleucocitose com linfocitose.
Bleucocitose com monocitose.
Cleucopenia e linfopenia.
Dleucocitose e eosinofilia.
Eleucocitose com desvio à esquerda.
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GabaritoA — leucocitose com linfocitose.
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Coqueluche: leucograma e diagnóstico laboratorial
Gabarito: letra A. Na coqueluche, o hemograma habitualmente exibe leucocitose com linfocitose absoluta, reflexo da linfocitose induzida pela toxina pertussis (PT), que impede a migração dos linfócitos para os tecidos, acumulando-os no sangue periférico. Essa é a alteração hematológica clássica e mais característica da infecção por Bordetella pertussis, sendo um dado que reforça o diagnóstico em contexto clínico compatível.
A coqueluche é uma infecção respiratória aguda de alta transmissibilidade, causada pela bactéria Bordetella pertussis, que acomete principalmente crianças, mas também adolescentes e adultos, especialmente aqueles com imunidade vacinal diminuída. O quadro clínico evolui em três fases: catarral, paroxística e de convalescença. A fase catarral, com duração de 1 a 2 semanas, apresenta sintomas inespecíficos como coriza, tosse seca e mal-estar, sendo o período de maior transmissibilidade. A fase paroxística, que dura de 2 a 6 semanas, é marcada pelos acessos de tosse súbita e incontrolável, frequentemente seguidos de guincho inspiratório, cianose e vômitos — exatamente o quadro descrito no enunciado. Por fim, a fase de convalescença, com duração de 2 a 6 semanas, caracteriza-se pela redução gradual dos paroxismos.
O diagnóstico laboratorial pode ser feito por cultura (padrão-ouro, porém com sensibilidade limitada), por PCR em tempo real (método sensível e rápido, utilizado no caso) e, em fases mais tardias, por sorologia. O hemograma, embora não seja o exame confirmatório, é um importante aliado: a leucocitose com linfocitose absoluta é um achado clássico e frequentemente marcante, podendo atingir contagens muito elevadas, especialmente em lactentes e crianças pequenas. Essa linfocitose ocorre porque a toxina pertussis bloqueia a saída dos linfócitos dos órgãos linfoides para o sangue, além de inibir sua migração para os tecidos, resultando em acúmulo dessas células na circulação.
É importante distinguir a coqueluche de outras causas de tosse prolongada, como as infecções por micoplasma e clamídia, que também podem cursar com tosse arrastada, mas não apresentam o mesmo padrão leucocitário. Enquanto a coqueluche cursa com linfocitose, as pneumonias bacterianas típicas cursam com neutrofilia e desvio à esquerda, e as parasitoses podem cursar com eosinofilia. A compreensão dessas diferenças é essencial para a interpretação correta do leucograma e para a formulação de hipóteses diagnósticas adequadas.
A banca explora justamente a associação entre o quadro clínico clássico de coqueluche (tosse paroxística, guincho, cianose) e o achado laboratorial mais característico. O candidato que conhece a fisiopatologia da doença e o padrão hematológico típico identifica rapidamente a alternativa correta, enquanto aqueles que confundem o leucograma da coqueluche com o de outras infecções respiratórias podem ser induzidos ao erro por alternativas que descrevem padrões de outras doenças.
A leucocitose com linfocitose é o achado hematológico clássico da coqueluche. A toxina pertussis (PT) é uma proteína que interfere na sinalização dos linfócitos, impedindo sua migração para os tecidos linfoides e resultando em linfocitose absoluta no sangue periférico. Essa alteração é tão característica que, em lactentes com quadro grave, contagens leucocitárias muito elevadas (>30.000/mm³) com predomínio de linfócitos são consideradas um marcador de mau prognóstico. O enunciado descreve um quadro clínico típico de coqueluche com PCR positivo, e o leucograma esperado é exatamente o descrito nesta alternativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A monocitose não é um achado característico da coqueluche. A monocitose pode estar presente em outras condições, como infecções virais, doenças hematológicas ou na fase de recuperação de algumas infecções, mas não é o padrão hematológico associado à infecção por Bordetella pertussis. A banca troca a linfocitose pela monocitose, um distrator que explora a confusão entre os tipos de leucócitos que podem estar elevados em diferentes infecções.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A leucopenia com linfopenia é o oposto do que se observa na coqueluche. A leucopenia pode ocorrer em infecções virais graves, como na fase inicial de algumas viroses, ou em imunodeficiências, mas não na coqueluche, que cursa com leucocitose e linfocitose. A linfopenia, por sua vez, pode ser observada em infecções bacterianas agudas graves, no uso de corticosteroides ou em imunossupressão, mas não é o padrão da coqueluche. Esta alternativa inverte completamente o achado esperado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A eosinofilia não é um achado característico da coqueluche. A eosinofilia está associada a doenças alérgicas, parasitoses intestinais, algumas doenças hematológicas e reações a medicamentos. Embora a eosinofilia possa ocorrer em algumas infecções, não é o padrão hematológico da coqueluche. A banca explora a confusão com outras causas de tosse, como as parasitoses, que podem cursar com eosinofilia, mas o quadro clínico e o PCR positivo apontam claramente para coqueluche.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O desvio à esquerda, caracterizado pelo aumento de neutrófilos imaturos (bastões e metamielócitos), é um achado típico de infecções bacterianas agudas, como pneumonia bacteriana, apendicite ou sepse. Na coqueluche, embora seja uma infecção bacteriana, o padrão hematológico é diferente: há linfocitose, não neutrofilia com desvio à esquerda. A banca explora a confusão entre o padrão leucocitário de infecções bacterianas típicas e o da coqueluche, que é uma infecção bacteriana atípica com resposta imune predominantemente linfocitária.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o padrão leucocitário de infecções bacterianas típicas (neutrofilia com desvio à esquerda) e o da coqueluche, que é uma infecção bacteriana atípica com resposta imune predominantemente linfocitária. O candidato que associa "infecção bacteriana" a "desvio à esquerda" pode ser induzido ao erro pela alternativa E, mas a coqueluche foge a essa regra: a toxina pertussis causa linfocitose, não neutrofilia. Lembre-se: coqueluche = linfocitose; pneumonia bacteriana típica = neutrofilia com desvio.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe o padrão hematológico à fisiopatologia: a toxina pertussis bloqueia a migração linfocitária, causando linfocitose. Sempre que a questão trouxer tosse paroxística com guincho e PCR positivo para Bordetella pertussis, o leucograma esperado é leucocitose com linfocitose. Compare com outros padrões: infecções bacterianas típicas (neutrofilia com desvio), parasitoses (eosinofilia), infecções virais (linfocitose ou leucopenia).