A plasmaférese terapêutica (PT) é uma terapia extracorpórea que permite a remoção de patógenos do plasma. O papel da PT, em doenças imunomediadas e condições tóxicas, tem sido de interesse há décadas.Em relação ao exposto, qual das alternativas a seguir se enquadra em recomendação categoria I pela ASFA – Sociedade Americana de Aférese?
ALinfo-histiocitose hemofagocítica.
BPemphigus vulgaris severo.
CSíndrome HELLP.
DInsuficiência hepática aguda.
EEnvenenamento por cogumelos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Insuficiência hepática aguda.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Plasmaférese terapêutica e as categorias da ASFA
Gabarito: letra D. A insuficiência hepática aguda é uma das indicações de plasmaférese terapêutica (PT) classificadas como categoria I pela Sociedade Americana de Aférese (ASFA), ou seja, a PT é considerada terapia de primeira linha, como tratamento primário ou adjuvante, baseada em evidências robustas. As demais alternativas — linfo-histiocitose hemofagocítica, pênfigo vulgar severo, síndrome HELLP e envenenamento por cogumelos — são indicações de categoria II ou III, nas quais a PT é alternativa de segunda linha ou seu benefício é incerto.
A ASFA publica periodicamente diretrizes baseadas em evidências que classificam as indicações de aférese terapêutica em quatro categorias, de acordo com a força da recomendação e a qualidade da evidência científica. A categoria I representa as doenças em que a PT é aceita como tratamento de primeira linha, seja como terapia primária ou adjuvante, com base em ensaios clínicos controlados ou evidências definitivas. A categoria II inclui condições em que a PT é aceita como terapia de segunda linha, seja como tratamento adjuvante ou de suporte, com base em evidências menos robustas. A categoria III abrange doenças em que o papel da PT não está bem estabelecido, sendo utilizada de forma individualizada, e a categoria IV engloba condições em que a PT é considerada ineficaz ou até prejudicial.
A insuficiência hepática aguda (IHA) é uma síndrome caracterizada por necrose hepatocelular maciça, com desenvolvimento de encefalopatia hepática e coagulopatia em pacientes sem doença hepática prévia. A PT atua na IHA removendo toxinas ligadas à albumina, citocinas pró-inflamatórias e fatores de coagulação anormais, funcionando como uma ponte para o transplante hepático ou para a recuperação espontânea. Por isso, a ASFA classifica a IHA como indicação de categoria I, com grau de recomendação 1A, sendo a plasmaférese de alto volume uma modalidade particularmente estudada nesse contexto.
As demais alternativas merecem análise cuidadosa. A linfo-histiocitose hemofagocítica (HLH) é uma síndrome hiperinflamatória grave, na qual a PT pode ser útil para remover citocinas, mas a ASFA a classifica como categoria II (segunda linha), pois o tratamento de base é a imunossupressão com etoposídeo e dexametasona. O pênfigo vulgar severo é uma doença autoimune bolhosa mediada por autoanticorpos contra desmogleínas; a PT é indicada como categoria II, como terapia adjuvante em casos refratários ou graves, mas não como primeira linha. A síndrome HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetopenia) é uma complicação grave da pré-eclâmpsia; a PT é classificada como categoria III, pois seu benefício não está claramente estabelecido, sendo o tratamento definitivo a interrupção da gestação. O envenenamento por cogumelos, especialmente por espécies do gênero Amanita (como A. phalloides), é uma intoxicação grave com hepatotoxicidade; a PT é indicada como categoria III, com evidências limitadas, sendo a N-acetilcisteína e o transplante hepático as principais medidas terapêuticas.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora todas as alternativas sejam condições graves que podem se beneficiar de alguma forma da PT, apenas a insuficiência hepática aguda tem evidência suficiente para ser classificada como categoria I pela ASFA. O candidato que memoriza apenas as indicações mais "clássicas" de plasmaférese — como PTT, síndrome de Guillain-Barré ou miastenia gravis — pode não associar a IHA a essa categoria, mas é exatamente essa a resposta correta.
Categorias ASFA (plasmaférese)
1Categoria I — 1ª linha
PTT
Guillain-Barré
Miastenia gravis
Goodpasture
Hiperviscosidade
Insuficiência hepática aguda
2Categoria II — 2ª linha
Linfo-histiocitose hemofagocítica
Pênfigo vulgar severo
3Categoria III — benefício incerto
Síndrome HELLP
Envenenamento por cogumelos
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A linfo-histiocitose hemofagocítica (HLH) é uma síndrome de hiperinflamação com ativação descontrolada de macrófagos e linfócitos, cursando com febre, citopenias, hepatoesplenomegalia e ferritina elevada. A plasmaférese pode ser utilizada para remover citocinas circulantes, mas a ASFA classifica a HLH como categoria II, ou seja, terapia de segunda linha, sendo o tratamento de base a imunossupressão (etoposídeo, dexametasona) ou o transplante de medula óssea em casos refratários. A PT não é primeira linha nessa condição.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O pênfigo vulgar severo é uma doença autoimune bolhosa causada por autoanticorpos IgG contra desmogleínas 1 e 3, levando à acantólise e formação de bolhas. A plasmaférese remove esses autoanticorpos, mas a ASFA a classifica como categoria II, sendo indicada como terapia adjuvante em casos graves ou refratários aos corticosteroides e imunossupressores. O tratamento de primeira linha é a corticoterapia sistêmica associada a imunossupressores, como azatioprina ou micofenolato.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetopenia) é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, com microangiopatia trombótica e disfunção hepática. A plasmaférese pode ser considerada em casos graves, especialmente quando há microangiopatia trombótica associada, mas a ASFA a classifica como categoria III, pois o benefício não está bem estabelecido e o tratamento definitivo é a interrupção da gestação. A PT não é primeira linha nessa condição.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A insuficiência hepática aguda (IHA) é uma síndrome de necrose hepatocelular maciça com encefalopatia e coagulopatia, sem doença hepática prévia. A plasmaférese terapêutica é classificada pela ASFA como categoria I, com grau de recomendação 1A, sendo indicada como terapia de primeira linha, principalmente a plasmaférese de alto volume, que remove toxinas ligadas à albumina e citocinas, funcionando como ponte para transplante hepático ou recuperação espontânea. É a única alternativa que se enquadra em recomendação categoria I.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O envenenamento por cogumelos, especialmente por Amanita phalloides (que contém amatoxinas), causa hepatotoxicidade grave e pode evoluir para insuficiência hepática fulminante. A plasmaférese pode ser utilizada para remover toxinas, mas a ASFA a classifica como categoria III, com evidências limitadas de benefício. O tratamento de base inclui carvão ativado, N-acetilcisteína, penicilina G ou silibinina, e o transplante hepático em casos graves.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre indicações de plasmaférese pela ASFA, memorize as principais indicações de categoria I: púrpura trombocitopênica trombótica (PTT), síndrome de Guillain-Barré, miastenia gravis, síndrome de Goodpasture, hiperviscosidade (macroglobulinemia de Waldenström) e insuficiência hepática aguda. As categorias II e III incluem doenças autoimunes (pênfigo, LES), microangiopatias (síndrome HELLP) e intoxicações (cogumelos). Essa distinção é o ponto central que a banca explora.
Gabarito: letra D — insuficiência hepática aguda é a única indicação de categoria I pela ASFA entre as alternativas.