Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025
- Código
- vu092929
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I - Especialidade: Hematologia e Hemoteria
- ABivalirudina.
- BApixabana.
- CVarfarina.
- DPrasugrel.
- EIdarucizumabe.
GabaritoB — Apixabana.
Gabarito: letra B. Na TIH confirmada, toda heparina (incluindo HBPM) deve ser suspensa e o paciente deve receber anticoagulação alternativa com inibidor direto da trombina (como bivalirudina, argatroban) ou inibidor do fator Xa (fondaparinux), sendo a apixabana, um inibidor direto do fator Xa, uma opção válida e apropriada neste cenário, especialmente considerando a necessidade de anticoagulação oral. A varfarina está contraindicada na fase aguda da TIH, e o prasugrel é um antiagregante plaquetário, não um anticoagulante.
A trombocitopenia induzida por heparina (TIH) é uma reação imune grave, mediada por anticorpos contra o complexo heparina-fator plaquetário 4 (PF4). Esses anticorpos ativam as plaquetas, gerando um estado de hipercoagulabilidade que paradoxalmente aumenta o risco de trombose, em vez de sangramento. O diagnóstico é clínico, frequentemente auxiliado pelo escore 4Ts (trombocitopenia, timing, trombose, outras causas), e confirmado por testes laboratoriais, como o ELISA para anticorpos anti-PF4/heparina (sensível, mas pouco específico) e o ensaio de liberação de serotonina (teste funcional, mais específico). No caso, o paciente apresenta queda plaquetária >50% (de 300 para 51 × 10⁹/L) após 8 dias de enoxaparina, com AIT e teste funcional positivo, configurando TIH confirmada.
O manejo imediato da TIH exige a suspensão de TODAS as fontes de heparina, incluindo a HBPM (enoxaparina), pois há reação cruzada dos anticorpos em mais de 80% dos casos. A anticoagulação alternativa deve ser iniciada para prevenir e tratar complicações trombóticas, que podem ocorrer em cerca de 30% dos pacientes. As opções incluem inibidores diretos da trombina (bivalirudina, argatroban, lepirudina) e inibidores do fator Xa (fondaparinux). A varfarina, um antagonista da vitamina K, é contraindicada na fase aguda da TIH, pois pode causar necrose de pele e gangrena venosa, devido à depleção rápida de proteína C e S antes da redução dos fatores dependentes de vitamina K. A transição para varfarina só deve ser feita após a recuperação plaquetária (geralmente >150 × 10⁹/L), com sobreposição de um anticoagulante alternativo por pelo menos 5 dias.
A escolha do agente alternativo depende do contexto clínico. Em pacientes com disfunção renal (clearance de creatinina <30 mL/min), o fondaparinux é contraindicado, e a bivalirudina requer ajuste de dose. No caso, o paciente tem clearance de creatinina de 32 mL/min, o que permite o uso de fondaparinux, mas a bivalirudina também é uma opção, com ajuste de dose. No entanto, a questão pergunta sobre o agente "mais apropriado" entre as alternativas, e a apixabana, um inibidor direto do fator Xa oral, é uma alternativa razoável e cada vez mais utilizada na TIH, especialmente em pacientes estáveis, após a suspensão da heparina. Estudos e diretrizes recentes (como as da ACCP) têm considerado os DOACs, incluindo a apixabana, como opções para o tratamento da TIH, embora a evidência seja limitada. A bivalirudina, por ser um inibidor direto da trombina, é uma alternativa clássica e bem estabelecida, mas é de uso intravenoso e mais comumente utilizada em contextos de intervenção coronariana percutânea (ICP) ou em pacientes críticos. A apixabana, por ser oral e de fácil manejo, pode ser considerada a opção mais apropriada entre as listadas, especialmente porque o paciente está estável (apresentou AIT, mas não está em estado crítico) e tem função renal razoável (clearance 32 mL/min, que permite o uso de apixabana em dose padrão, embora com cautela).
A pegadinha da questão está em reconhecer que a TIH é um estado pró-trombótico, e não hemorrágico, e que a varfarina, apesar de ser um anticoagulante oral comum, é contraindicada na fase aguda. Além disso, o prasugrel é um antiagregante plaquetário (inibidor do receptor P2Y12), não um anticoagulante, e o idarucizumabe é o antídoto específico da dabigatrana, um inibidor direto da trombina oral, não sendo utilizado no tratamento da TIH. A bivalirudina é uma alternativa válida, mas a apixabana, por ser um DOAC, é uma opção mais prática e igualmente eficaz, sendo a resposta mais apropriada no contexto apresentado.
A bivalirudina é um inibidor direto da trombina e é uma alternativa válida na TIH, especialmente em contextos de ICP ou pacientes críticos. No entanto, é de uso intravenoso, requer monitorização (TTPA) e ajuste de dose em disfunção renal. Embora seja uma opção correta, a apixabana é mais apropriada por ser oral, de fácil manejo e com evidência crescente na TIH, além de não exigir monitorização laboratorial. A banca pode considerar a bivalirudina como uma alternativa, mas não a "mais apropriada" entre as opções, dado o contexto de paciente estável com AIT.
A apixabana é um inibidor direto do fator Xa, administrado por via oral, e é uma alternativa apropriada na TIH após a suspensão da heparina. Estudos e diretrizes recentes (como as da ACCP) têm considerado os DOACs, incluindo a apixabana, como opções para o tratamento da TIH, especialmente em pacientes estáveis. No caso, o paciente tem clearance de creatinina de 32 mL/min, que permite o uso de apixabana (embora com cautela, pois a bula recomenda evitar em clearance <15 mL/min e usar com cuidado em <30 mL/min). A apixabana não interage com os anticorpos anti-PF4/heparina e não induz TIH, sendo uma opção segura e eficaz. A facilidade de administração oral e a ausência de necessidade de monitorização tornam a apixabana a opção mais apropriada entre as listadas.
A varfarina é um antagonista da vitamina K e está contraindicada na fase aguda da TIH. Seu uso pode levar à necrose de pele e gangrena venosa, devido à depleção rápida das proteínas C e S anticoagulantes antes da redução dos fatores pró-coagulantes dependentes de vitamina K. A varfarina só deve ser iniciada após a recuperação plaquetária (geralmente >150 × 10⁹/L), com sobreposição de um anticoagulante alternativo (como bivalirudina ou fondaparinux) por pelo menos 5 dias. Portanto, a varfarina não é apropriada no momento agudo da TIH.
O prasugrel é um antiagregante plaquetário, inibidor irreversível do receptor P2Y12 do ADP, utilizado na síndrome coronariana aguda e na ICP. Não possui ação anticoagulante e não é utilizado no tratamento da TIH. A TIH requer anticoagulação, não antiagregação plaquetária. O prasugrel não tem papel no manejo da TIH e, portanto, é uma alternativa incorreta.
O idarucizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que reverte especificamente o efeito anticoagulante da dabigatrana, um inibidor direto da trombina oral. Não é utilizado no tratamento da TIH, pois não possui ação anticoagulante própria e não é um agente alternativo à heparina. O idarucizumabe é o antídoto da dabigatrana, utilizado em casos de sangramento ou cirurgia de emergência, e não se aplica ao manejo da TIH.
Gabarito: letra B
Link permanente: /questoes/vu092929