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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu092931
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Hematologia e Hemoteria
Homem, 47 anos, apresentou-se com quadro de fraqueza, fadiga e dor no hipocôndrio esquerdo. Referia perda de peso significativa e febre nos últimos dois meses. O exame físico revelou esplenomegalia. O hemograma revelou anemia e plaquetopenia e leucocitose às custas de linfócitos, com projeções citoplasmaticas. O aspirado de medula foi hemodiluído mostrando 85% de linfócitos com citoplasma abundante, cromatina nuclear condensada e projeções citoplasmáticas circunferenciais. Citometria de fluxo de sangue periférico revelou que a população linfoide foi de 76%. Os linfócitos eram CD45+, CD19+, CD20+, CD22+, CD25+, C11c+ e CD 103+. E negativos para CD5, CD 10,CD23, CD38 e CD56.Qual das mutações a seguir está associada a patologia ?
  1. ABRAF V600E
  2. BMYD88 L265P
  3. CT315I
  4. DJAK2 V617F
  5. ENPM1
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GabaritoA — BRAF V600E

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leucemia de Células Cabeludas (Tricoleucemia) e a mutação BRAF V600E

Gabarito: letra A. O quadro clínico-laboratorial descrito — esplenomegalia, pancitopenia, linfócitos com projeções citoplasmáticas ("cabelos") e imunofenótipo CD5 negativo, CD103 positivo — é clássico da leucemia de células cabeludas (tricoleucemia), e a mutação BRAF V600E está presente na grande maioria dos casos, sendo o marcador molecular característico dessa doença. As demais mutações pertencem a outras neoplasias hematológicas: MYD88 L265P (macroglobulinemia de Waldenström), T315I (resistência na LMC), JAK2 V617F (neoplasias mieloproliferativas) e NPM1 (leucemia mieloide aguda).

A leucemia de células cabeludas (LCC) é uma neoplasia de células B maduras, de curso indolente, que acomete preferencialmente homens de meia-idade. A apresentação típica inclui esplenomegalia (frequentemente maciça), pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia) e sintomas constitucionais como febre, perda de peso e fadiga. O diagnóstico é feito pela combinação de achados morfológicos no sangue periférico e na medula óssea, imunofenotipagem por citometria de fluxo e, cada vez mais, pela pesquisa de mutações moleculares.

A morfologia é marcante: os linfócitos neoplásicos apresentam projeções citoplasmáticas finas e irregulares ("cabelos"), núcleo oval ou reniforme e cromatina condensada. Na medula óssea, o aspirado frequentemente é hemodiluído ("dry tap") devido à fibrose reticulínica, sendo a biópsia essencial para o diagnóstico. A imunofenotipagem é característica: as células são positivas para marcadores pan-B (CD19, CD20, CD22), além de CD25, CD11c e CD103, e negativas para CD5, CD10 e CD23 — um padrão que a distingue de outras neoplasias de células B maduras, como a leucemia linfocítica crônica (LLC), que é CD5+ e CD23+.

A base molecular da LCC foi elucidada com a descoberta da mutação BRAF V600E, presente em cerca de 80-100% dos casos. Essa mutação ativa constitutivamente a via MAPK, promovendo proliferação e sobrevivência celular. A presença dessa mutação é tão característica que se tornou um marcador diagnóstico importante, especialmente em casos atípicos, e também um alvo terapêutico (inibidores de BRAF, como vemurafenibe). É importante notar que a mutação BRAF V600E não é exclusiva da LCC — também ocorre em melanoma, histiocitose de células de Langerhans e doença de Erdheim-Chester — mas, no contexto hematológico, é o marcador canônico da tricoleucemia.

A distinção entre as neoplasias de células B maduras é um ponto central na hematologia, e a banca explora exatamente as associações entre doença e mutação. A tabela abaixo resume as principais correlações:

Mutação

Neoplasia associada

Contexto clínico

BRAF V600E

Leucemia de células cabeludas

Esplenomegalia, pancitopenia, linfócitos com projeções, CD103+

MYD88 L265P

Macroglobulinemia de Waldenström

Síndrome de hiperviscosidade, IgM monoclonal, infiltração linfoplasmocítica

T315I

LMC (resistência a inibidores de tirosina quinase)

Mutação no domínio quinase do BCR-ABL1, confere resistência a imatinibe e nilotinibe

JAK2 V617F

Policitemia vera, trombocitemia essencial, mielofibrose primária

Neoplasias mieloproliferativas, eritrocitose, trombocitose, esplenomegalia

NPM1

Leucemia mieloide aguda (LMA)

Mutação no gene NPM1, presente em ~30% das LMAs, melhor prognóstico

A pegadinha desta questão está em associar a mutação correta à doença descrita. O candidato que decora as mutações sem entender o contexto clínico pode confundir, por exemplo, a JAK2 V617F (que também causa esplenomegalia, mas em neoplasias mieloproliferativas, com leucocitose neutrofílica e não linfocítica) com a BRAF V600E. A chave é o imunofenótipo e a morfologia dos linfócitos: a presença de projeções citoplasmáticas e a positividade para CD103 são praticamente patognomônicas da LCC.

Guarde a associação doença → mutação como um mapa mental: cada neoplasia hematológica tem seu marcador molecular característico, e a banca adora cobrar essa correlação direta. A LCC é BRAF V600E; a Waldenström é MYD88 L265P; as mieloproliferativas são JAK2 V617F; a LMA é NPM1 (entre outras); e a T315I é uma mutação de resistência na LMC.

1Mutação BRAF V600E
2Imunofenótipo
CD19, CD20, CD22
CD25, CD11c, CD103
CD5, CD10, CD23
3Clínica
Esplenomegalia maciça
Pancitopenia
Sintomas constitucionais
4Morfologia
Projeções citoplasmáticas
Aspirado hemodiluído (dry tap)
Leucemia de células cabeludas
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Leucemia de células cabeludas: Mutação BRAF V600E; Imunofenótipo (CD19, CD20, CD22, CD25, CD11c, CD103, CD5, CD10, CD23); Clínica (Esplenomegalia maciça, Pancitopenia, Sintomas constitucionais); Morfologia (Projeções citoplasmáticas, Aspirado hemodiluído (dry tap))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A mutação BRAF V600E é o marcador molecular característico da leucemia de células cabeludas (tricoleucemia), presente na grande maioria dos casos. O quadro descrito — esplenomegalia, pancitopenia, linfócitos com projeções citoplasmáticas, imunofenótipo CD5−, CD103+ — é exatamente o da LCC. A mutação ativa a via MAPK e é alvo terapêutico (vemurafenibe).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A mutação MYD88 L265P está associada à macroglobulinemia de Waldenström, uma neoplasia de células B maduras com diferenciação linfoplasmocítica, caracterizada por produção monoclonal de IgM e síndrome de hiperviscosidade. Não se relaciona com a LCC, cujo imunofenótipo e morfologia são distintos (CD103+, projeções citoplasmáticas).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A mutação T315I é uma mutação de resistência no gene BCR-ABL1, observada na leucemia mieloide crônica (LMC) e na LLA Philadelphia-positiva, conferindo resistência a inibidores de tirosina quinase de primeira e segunda geração (imatinibe, nilotinibe, dasatinibe). Não é um marcador diagnóstico de LCC.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A mutação JAK2 V617F é característica das neoplasias mieloproliferativas (policitemia vera, trombocitemia essencial e mielofibrose primária). Embora essas doenças também cursem com esplenomegalia, o hemograma mostra leucocitose neutrofílica, eritrocitose ou trombocitose, e não linfocitose com projeções citoplasmáticas. O imunofenótipo e a morfologia descritos apontam claramente para uma neoplasia linfoide, não mieloide.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A mutação NPM1 (nucleofosmina) é encontrada em cerca de 30% das leucemias mieloides agudas (LMA), especialmente naquelas com cariótipo normal, e está associada a melhor prognóstico. Não é um marcador de LCC, que é uma neoplasia linfoide de células B maduras.

Gabarito: letra A

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