A ροlicitemia vera (PV) é uma neoplasia mieloproliferativa (ΜPN) caracterizada pela superprodução autônoma de glóbulos vermelhos que se manifesta clinicamente por hemoglobina /hematócrito elevados, com ou sem leucocitose e/ou plaquetose. É correto afirmar:
Apacientes com ΡV geralmente apresentam altas concentrações séricas de еritropoietina (ΕРО). Níveis abaixo do normal são incomuns e sugerem policitemias secundárias.
Bbiópsia da medula óssea mostrando hipercelularidade com panmielose e megacariócitos pleomórficos maduros é considerado um critério menor para o diagnóstico.
Co cromossomo 9p24 abriga o gene JAK2, que carrega uma mutação pontual somática em praticamente todos os pacientes com РV.
Dem alguns pacientes com РV e contagem plaquetária > 450.000/microL, a doença de von Willebrand adquirida pode estar presente, provavelmente devido ao aumento da ligação de grandes multímeros do fator de von Willebrand às plaquetas.
Eeritrοmelalgiа e sintomas associados de parestesias acrais são considerados complicações trombóticas microvasculares que ocorrem na ΡV e policitemias secundárias.
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GabaritoC — o cromossomo 9p24 abriga o gene JAK2, que carrega uma mutação pontual somática em praticamente todos os pacientes com РV.
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Policitemia Vera: Diagnóstico e Fisiopatologia
Gabarito: letra C. A policitemia vera (PV) é uma neoplasia mieloproliferativa (MPN) caracterizada pela proliferação autônoma de eritrócitos, e a mutação pontual somática no gene JAK2 (V617F) está presente em praticamente todos os pacientes, sendo um dos critérios maiores da OMS para o diagnóstico. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre os critérios diagnósticos, níveis de eritropoetina (EPO), complicações e manifestações clínicas.
A policitemia vera é uma doença clonal das células-tronco hematopoéticas, resultando na superprodução de glóbulos vermelhos, frequentemente acompanhada de leucocitose e trombocitose. O diagnóstico é baseado nos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), que incluem critérios maiores e menores. A compreensão desses critérios é essencial para diferenciar a PV de outras causas de eritrocitose, como as policitemias secundárias.
A mutação JAK2 V617F é uma alteração somática adquirida, que leva à ativação constitutiva da via de sinalização JAK-STAT, resultando em proliferação celular independente de estímulos externos, como a eritropoetina. Essa mutação é encontrada em mais de 95% dos casos de PV, sendo um marcador diagnóstico crucial. A dosagem de eritropoetina sérica é um critério menor, pois na PV os níveis são tipicamente baixos, ao contrário das policitemias secundárias, onde a EPO está elevada.
As complicações da PV incluem eventos trombóticos, tanto macrovasculares quanto microvasculares, e hemorrágicos. A eritromelalgia é uma manifestação clássica de trombose microvascular, caracterizada por dor, vermelhidão e calor nas extremidades, e é específica da PV, não ocorrendo em policitemias secundárias. A doença de von Willebrand adquirida pode ocorrer em pacientes com trombocitose extrema, devido ao aumento da ligação de grandes multímeros do fator de von Willebrand às plaquetas, levando à sua depuração da circulação.
A biópsia de medula óssea, mostrando hipercelularidade com panmielose e megacariócitos pleomórficos maduros, é um critério maior, não menor, para o diagnóstico de PV. A presença de eritrocitose absoluta, com hemoglobina ou hematócrito elevados, juntamente com a mutação JAK2 e a biópsia de medula óssea característica, confirma o diagnóstico.
A distinção entre PV e policitemias secundárias é fundamental. Nas secundárias, há um estímulo apropriado ou inapropriado para a produção de eritropoetina, resultando em níveis elevados de EPO. Na PV, a produção de eritrócitos é autônoma, e os níveis de EPO são baixos. Essa diferença é um dos pilares do diagnóstico diferencial.
A banca explora a confusão entre os critérios maiores e menores, os níveis de eritropoetina e as complicações específicas da PV. É crucial memorizar os critérios diagnósticos da OMS e as características clínicas que diferenciam a PV de outras condições.
Policitemia vera (PV)
1Critérios maiores
Hb/Ht elevados
Mutação JAK2 V617F (9p24)
Biópsia: panmielose
2Critérios menores
EPO sérica baixa
3Fisiopatologia
Mutação somática JAK2
Ativação constitutiva JAK-STAT
Eritropoiese autônoma
4Complicações
Trombose microvascular
Eritromelalgia (específica da PV)
Doença de von Willebrand adquirida
Depuração de multímeros grandes
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que pacientes com PV geralmente apresentam altas concentrações séricas de eritropoetina (EPO), e que níveis abaixo do normal são incomuns e sugerem policitemias secundárias. Isso está incorreto. Na PV, a eritropoiese é autônoma, e os níveis de EPO são tipicamente baixos ou subnormais, sendo um critério menor para o diagnóstico. Nas policitemias secundárias, a EPO está elevada, pois há um estímulo para a produção de eritrócitos. A alternativa inverte a relação entre os níveis de EPO e o tipo de policitemia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a biópsia de medula óssea mostrando hipercelularidade com panmielose e megacariócitos pleomórficos maduros é um critério menor para o diagnóstico. Isso está incorreto. A biópsia de medula óssea com essas características é um critério maior para o diagnóstico de PV, conforme os critérios da OMS. Os critérios menores incluem o nível sérico subnormal de eritropoetina. A alternativa rebaixa um critério maior para menor.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o cromossomo 9p24 abriga o gene JAK2, que carrega uma mutação pontual somática em praticamente todos os pacientes com PV. Isso está correto. O gene JAK2 está localizado no cromossomo 9p24, e a mutação V617F, uma substituição de guanina por timina no éxon 14, é encontrada em mais de 95% dos casos de PV. Essa mutação é somática e adquirida, levando à ativação constitutiva da via JAK-STAT. A alternativa descreve corretamente a localização e a natureza da mutação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que em pacientes com PV e contagem plaquetária > 450.000/microL, a doença de von Willebrand adquirida pode estar presente, provavelmente devido ao aumento da ligação de grandes multímeros do fator de von Willebrand às plaquetas. Isso está incorreto. A doença de von Willebrand adquirida na PV ocorre devido à diminuição da ligação de grandes multímeros do fator de von Willebrand às plaquetas, resultando em sua depuração da circulação. A alternativa inverte o mecanismo fisiopatológico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que eritromelalgia e sintomas associados de parestesias acrais são complicações trombóticas microvasculares que ocorrem na PV e policitemias secundárias. Isso está incorreto. A eritromelalgia é uma manifestação clássica e específica da PV, não ocorrendo em policitemias secundárias. A alternativa generaliza uma complicação da PV para outras condições.