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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu092942
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Hematologia e Hemoteria
A doença do enxerto contra o hospedeiro associada à trаոѕfսѕão (DECH-AT) é uma complicação rara e geralmente fatal da transfusão sanguínea.Assinale a alternativa correta.
  1. ASeu reconhecimento precoce e pronta instituição de plasmaférese é essencial para o seu tratamento.
  2. BOcorre ataque a todos os tecidos que expressam HLA classe II, como células progenitoras hematopoiéticas, epitélio intestinal e pele, causando aplasia medular, diarreia e descamação cutânea.
  3. CDrogas como glicocorticoides e rituximabe estão comumente associadas a DECH –AT.
  4. DAo contrário do DECH associado ao transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas, no DECH-AT, os linfócitos do receptor atacam sua medula óssea, levando à aplasia da medula óssea e раոcitореոiа, que normalmente é a causa da morte.
  5. EÉ comum em indivíduos com infecção pelo HIV ou SIDA por terem um comprometimento de células CD8 que são críticas na prevenção da DECH-AT.
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GabaritoB — Ocorre ataque a todos os tecidos que expressam HLA classe II, como células progenitoras hematopoiéticas, epitélio intestinal e pele, causando aplasia medular, diarreia e descamação cutânea.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença do enxerto contra o hospedeiro associada à transfusão (DECH-AT)

Gabarito: letra B. A DECH-AT é uma complicação rara e quase sempre fatal da transfusão de hemocomponentes contendo linfócitos T viáveis, na qual os linfócitos do DOADOR atacam os tecidos do RECEPTOR que expressam HLA classe II — como medula óssea (células progenitoras hematopoiéticas), epitélio intestinal e pele —, resultando em aplasia medular, diarreia e descamação cutânea. A alternativa B descreve exatamente esse mecanismo fisiopatológico, sendo a única correta.

A DECH-AT é uma reação imunológica grave que ocorre quando linfócitos T imunocompetentes presentes no sangue transfundido não são reconhecidos como estranhos pelo sistema imunológico do receptor, e passam a atacar os tecidos do hospedeiro. Isso acontece principalmente quando o receptor é imunocomprometido ou quando há similaridade HLA entre doador e receptor (como em transfusões de parentes de primeiro grau), permitindo que os linfócitos do doador proliferem e ataquem os tecidos do receptor. O alvo principal são as células que expressam HLA classe II, incluindo as células progenitoras hematopoiéticas da medula óssea, o epitélio intestinal e a pele — daí a tríade clássica de aplasia medular, diarreia aquosa profusa e eritrodermia com descamação cutânea.

A prevenção é a medida mais importante, pois o tratamento é extremamente limitado e a mortalidade é superior a 90%. A irradiação gama dos hemocomponentes (com dose de 25 Gy) é o método padrão para inativar os linfócitos T do doador, sendo indicada para pacientes imunocomprometidos, receptores de transplante de células-tronco hematopoiéticas, transfusões intrauterinas e transfusões de parentes consanguíneos. A leucorredução (filtração) reduz, mas não elimina completamente o risco, pois linfócitos residuais podem permanecer.

O diagnóstico é clínico e confirmado por biópsia de pele, medula óssea ou intestino, e por estudos de quimerismo que demonstram a presença de linfócitos do doador no sangue do receptor. O tratamento, quando instituído, envolve imunossupressão com altas doses de corticosteroides, globulina antitimocítica e outros agentes, mas os resultados são desanimadores — a maioria dos pacientes evolui para óbito por sepse ou sangramento decorrente da pancitopenia.

A distinção crucial que a banca explora é entre a DECH-AT e a DECH associada ao transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas (TCTH). Na DECH do TCTH, os linfócitos do DOADOR (enxerto) atacam os tecidos do RECEPTOR (hospedeiro) — exatamente o mesmo princípio da DECH-AT. A diferença fundamental está na fonte dos linfócitos: na DECH-AT, os linfócitos vêm do sangue transfundido; na DECH do TCTH, vêm do enxerto de medula óssea. Em ambos os casos, são os linfócitos do doador que atacam o hospedeiro — nunca o contrário. A alternativa D inverte esse conceito ao afirmar que "os linfócitos do receptor atacam sua medula óssea", o que é fisiologicamente impossível e configura o erro central da questão.

Outro ponto que merece destaque é o papel da imunodeficiência. A DECH-AT é mais comum em indivíduos com imunodeficiência grave, incluindo pacientes com HIV/AIDS, receptores de transplantes e pacientes oncológicos em quimioterapia. Isso ocorre porque o sistema imunológico do receptor não consegue rejeitar os linfócitos transfundidos. A alternativa E afirma que a DECH-AT é comum em pacientes com HIV/AIDS "por terem um comprometimento de células CD8 que são críticas na prevenção da DECH-AT" — o raciocínio está parcialmente correto (imunodeficiência aumenta o risco), mas a justificativa está errada: são as células T CD4+ (helper) que estão comprometidas no HIV/AIDS, não as CD8+ (citotóxicas). Além disso, a prevenção da DECH-AT depende principalmente da irradiação dos hemocomponentes, não de células CD8 do receptor.

Guarde a fronteira entre o mecanismo da DECH-AT (linfócitos do doador atacam o hospedeiro) e as alternativas que invertem esse conceito — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Característica

DECH-AT (transfusão)

DECH do TCTH (transplante)

Fonte dos linfócitos agressores

Sangue transfundido (hemocomponente)

Enxerto de células-tronco hematopoiéticas

Mecanismo

Linfócitos T do doador atacam tecidos do receptor

Linfócitos T do doador atacam tecidos do receptor

Alvo principal

Tecidos que expressam HLA classe II (medula óssea, intestino, pele)

Tecidos que expressam HLA classe II (medula óssea, intestino, pele)

Prevenção

Irradiação gama (25 Gy) do hemocomponente

Imunossupressão e profilaxia pós-transplante

1Mecanismo
Linfócitos T do doador
Atacam tecidos do receptor
Alvo: HLA classe II
2Órgãos-alvo
Medula óssea (aplasia)
Intestino (diarreia)
Pele (descamação)
3Fatores de risco
Imunodeficiência (HIV, quimio)
Doador consanguíneo
Sangue não irradiado
4Prevenção
Irradiação gama (25 Gy)
Leucorredução (não elimina)
DECH-AT
LEVELsoulevel.com.br
DECH-AT: Mecanismo (Linfócitos T do doador, Atacam tecidos do receptor, Alvo: HLA classe II); Órgãos-alvo (Medula óssea (aplasia), Intestino (diarreia), Pele (descamação)); Fatores de risco (Imunodeficiência (HIV, quimio), Doador consanguíneo, Sangue não irradiado); Prevenção (Irradiação gama (25 Gy), Leucorredução (não elimina))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A plasmaférese não é o tratamento da DECH-AT. A plasmaférese é utilizada em condições mediadas por anticorpos ou fatores plasmáticos (como púrpura trombocitopênica trombótica, síndrome de Guillain-Barré ou miastenia gravis), mas a DECH-AT é mediada por LINFÓCITOS T citotóxicos do doador, não por anticorpos circulantes. O tratamento, quando possível, envolve imunossupressão sistêmica (corticosteroides em altas doses, globulina antitimocítica, agentes biológicos), mas com resultados muito limitados. A alternativa erra ao indicar plasmaférese como terapia essencial, confundindo o mecanismo humoral (anticorpos) com o celular (linfócitos T).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão a fisiopatologia da DECH-AT: os linfócitos T do doador (presentes no sangue transfundido) atacam os tecidos do receptor que expressam HLA classe II. As células progenitoras hematopoiéticas da medula óssea expressam HLA classe II, e seu ataque leva à aplasia medular; o epitélio intestinal, quando atacado, causa diarreia secretora profusa; e a pele, com descamação cutânea característica (eritrodermia). Essa tríade — aplasia medular, diarreia e descamação cutânea — é a apresentação clássica da DECH-AT, tornando a alternativa B a única correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "drogas como glicocorticoides e rituximabe estão comumente associadas a DECH-AT", o que é um erro conceitual. Glicocorticoides e rituximabe são usados no TRATAMENTO de algumas condições imunomediadas, mas não são fatores de risco para o desenvolvimento de DECH-AT. Os fatores de risco reais incluem: imunodeficiência do receptor (HIV/AIDS, quimioterapia, transplantes), transfusão de sangue de parentes de primeiro grau (devido à similaridade HLA), transfusão de sangue fresco não irradiado e transfusões intrauterinas. A alternativa confunde fatores de risco com opções terapêuticas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa inverte completamente o mecanismo da DECH-AT. Afirma que "os linfócitos do receptor atacam sua medula óssea", o que é fisiologicamente impossível — o sistema imunológico do receptor não ataca seus próprios tecidos de forma espontânea nesse contexto. Na DECH-AT, são os LINFÓCITOS DO DOADOR (presentes no sangue transfundido) que atacam os tecidos do RECEPTOR (hospedeiro), incluindo a medula óssea, levando à aplasia e pancitopenia. A alternativa também erra ao comparar com a DECH do TCTH, pois em ambos os casos o mecanismo é o mesmo: linfócitos do doador atacam o hospedeiro. A diferença está apenas na fonte dos linfócitos (sangue transfundido vs. enxerto de medula).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa contém um erro imunológico específico: afirma que a DECH-AT é comum em pacientes com HIV/AIDS "por terem um comprometimento de células CD8". Na infecção pelo HIV, as células T CD4+ (helper) são as principais alvos do vírus e sofrem depleção progressiva — não as células CD8+ (citotóxicas). Embora seja verdade que a imunodeficiência (incluindo a causada pelo HIV/AIDS) aumenta o risco de DECH-AT, a justificativa apresentada está errada ao atribuir o comprometimento às células CD8. Além disso, a prevenção da DECH-AT em pacientes imunocomprometidos é feita principalmente pela irradiação dos hemocomponentes, não pela função de células CD8 do receptor.

Gabarito: letra B — a única alternativa que descreve corretamente a fisiopatologia da DECH-AT, com o ataque dos linfócitos do doador aos tecidos que expressam HLA classe II (medula óssea, intestino e pele).

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