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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu092943
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Hematologia e Hemoteria
A leucemia mieloide aguda (LMA) compreende um grupo heterogêneo de neoplasias que surgem da expansão clonal de células precursoras malignas na medula óssea. As células leucêmicas interferem na produção de células sanguíneas normais, causando aոemia, infecção, sangramentos e outros sintomas e complicações.Em relação à leucemia mieloide aguda, é correto afirmar:
  1. Aa organização mundial de saúde reconhece o sarcoma mieloide como suficiente para o diagnóstico de LMA.
  2. Ba adição de gemtuzumabe ozogamicina, um anticorpo monoclonal anti-CD33 ligado a caliqueamicina, aos esquemas de indução, agrega benefício apenas para pacientes com cariótipos de risco adverso.
  3. Ca terapia de iոdução à base de mitοхаոtrοոе é mais eficaz e menos tóxica do que com uma antraciclina.
  4. Duma contagem de leucócitos >30 × 109 /L (30.000/microL) está associada ao aumento da mortalidade durante o tratamento por leucostase clínica, hemorragia, disfunção neurológica e outras complicações.
  5. Emesmo com quimioterapia de indução sistêmica, os portadores de sarcoma mieloide irão quase sempre evoluir para doença sistêmica em 3 a 6 meses.
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GabaritoA — a organização mundial de saúde reconhece o sarcoma mieloide como suficiente para o diagnóstico de LMA.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leucemia Mieloide Aguda (LMA): diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra A. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o sarcoma mieloide (também chamado de cloroma ou sarcoma granulocítico) como uma apresentação extramedular da LMA, sendo suficiente para o diagnóstico mesmo na ausência de infiltração medular evidente. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre o tratamento, a classificação de risco e as complicações da doença.

A LMA é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal de células precursoras mieloides na medula óssea, resultando em falência medular com anemia, infecções e sangramentos. O diagnóstico é estabelecido pela presença de ≥20% de blastos na medula óssea ou no sangue periférico, mas a OMS reconhece exceções importantes: certas anormalidades genéticas (como t(8;21), inv(16) e t(15;17)) e o sarcoma mieloide, que podem estabelecer o diagnóstico independentemente da contagem de blastos. O sarcoma mieloide é um tumor extramedular composto por células mieloides imaturas, que pode ocorrer em qualquer local do corpo, e sua presença isolada já é suficiente para o diagnóstico de LMA, conforme a classificação da OMS.

O tratamento da LMA é baseado em quimioterapia intensiva, sendo o esquema clássico de indução o "7+3": 7 dias de citarabina e 3 dias de uma antraciclina (daunorrubicina ou idarrubicina). A adição de gemtuzumabe ozogamicina (GO), um anticorpo monoclonal anti-CD33 conjugado à caliqueamicina, demonstrou benefício em pacientes com LMA CD33-positiva, especialmente naqueles com risco citogenético favorável ou intermediário, e não apenas no risco adverso. A mitoxantrona é uma antraciclina sintética que pode ser usada em esquemas de resgate, mas não é mais eficaz nem menos tóxica que as antraciclinas tradicionais na indução de primeira linha. A leucostase é uma complicação grave associada a contagens de leucócitos muito elevadas, geralmente acima de 100.000/µL, e não a partir de 30.000/µL.

A classificação prognóstica da LMA, proposta pela European LeukemiaNet (ELN), divide os pacientes em três categorias de risco (favorável, intermediário e adverso) com base em alterações citogenéticas e moleculares. Essa classificação é fundamental para orientar a escolha do tratamento, incluindo a decisão sobre transplante de células-tronco hematopoéticas. O sarcoma mieloide, quando isolado, tem alto risco de evoluir para doença sistêmica, mas a quimioterapia de indução sistêmica pode prevenir ou retardar essa progressão, e a afirmação de que a evolução é "quase sempre" em 3 a 6 meses é uma generalização incorreta.

A pegadinha central desta questão está na alternativa D, que subestima o limiar de leucócitos associado à leucostase, e na alternativa B, que restringe o benefício do GO ao risco adverso, quando na verdade o benefício é maior nos riscos favorável e intermediário. A alternativa A é a única que reflete corretamente um critério diagnóstico estabelecido pela OMS.

Critério

Sarcoma Mieloide (OMS)

Alternativa D (leucostase)

Papel no diagnóstico

Suficiente para diagnóstico de LMA, mesmo sem infiltração medular

Não se aplica (limiar de leucócitos)

Limiar de leucócitos associado

Não se aplica

> 100.000/µL (não 30.000/µL)

Base conceitual

Exceção ao critério de ≥20% de blastos

Complicação por hiperleucocitose extrema

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A OMS, em sua classificação de tumores hematopoiéticos e linfoides, reconhece o sarcoma mieloide como uma manifestação extramedular da LMA. A presença de sarcoma mieloide, mesmo sem infiltração medular significativa, é suficiente para o diagnóstico de LMA. Isso se baseia no princípio de que o sarcoma mieloide representa a proliferação clonal de células mieloides imaturas em tecidos extramedulares, sendo biologicamente equivalente à LMA. Essa é uma exceção importante ao critério de ≥20% de blastos na medula óssea.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação de que a adição de gemtuzumabe ozogamicina (GO) agrega benefício apenas para pacientes com cariótipos de risco adverso está incorreta. Estudos clínicos demonstraram que o GO, quando adicionado à quimioterapia de indução, melhora a sobrevida global e a sobrevida livre de doença em pacientes com LMA CD33-positiva, especialmente naqueles com risco citogenético favorável ou intermediário. No risco adverso, o benefício é menos evidente. Portanto, a alternativa erra ao restringir o benefício ao risco adverso, quando na verdade o benefício é maior nos outros grupos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A mitoxantrona é uma antraciclina sintética utilizada em esquemas de resgate para LMA refratária ou recidivada, mas não é mais eficaz nem menos tóxica que as antraciclinas tradicionais (daunorrubicina ou idarrubicina) na indução de primeira linha. O esquema padrão de indução é o "7+3" com citarabina e uma antraciclina, e a mitoxantrona não demonstrou superioridade em eficácia ou perfil de toxicidade mais favorável nesse contexto. A alternativa está incorreta ao afirmar que a mitoxantrona é mais eficaz e menos tóxica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A leucostase é uma complicação grave da LMA associada a contagens de leucócitos muito elevadas, geralmente acima de 100.000/µL (100 × 10⁹/L). O limiar de 30.000/µL (30 × 10⁹/L) citado na alternativa é muito baixo para estar associado a um aumento significativo da mortalidade por leucostase clínica. Embora contagens elevadas de leucócitos sejam um fator prognóstico adverso, o risco de leucostase e suas complicações (hemorragia, disfunção neurológica) é mais pronunciado em contagens acima de 100.000/µL. A alternativa erra ao estabelecer um limiar incorreto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Embora o sarcoma mieloide isolado tenha um alto risco de evoluir para doença sistêmica, a afirmação de que isso ocorrerá "quase sempre" em 3 a 6 meses, mesmo com quimioterapia de indução sistêmica, é uma generalização incorreta. A quimioterapia de indução sistêmica é justamente o tratamento que visa erradicar a doença e prevenir a progressão para LMA sistêmica. O risco de progressão é significativo, mas não é uma certeza absoluta, e o tempo de progressão pode variar. A alternativa superestima a inevitabilidade e o prazo da progressão.

Gabarito: letra A

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