Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
vu092950
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Infectologia
Em relação à toxoplasmose na gestação, é correto afirmar que
Anão está indicada a solicitação de exames de avidez após a 16a semana de gestação, pois, após esse período, a avidez alta não descarta a infecção adquirida durante a gestação.
Bno caso de gestantes imunocomprometidas com infecção crônica (IgG reagente prévia à gestação), não é possível ocorrer transmissão transplacentária por reativação da infecção.
Ctodas as gestantes suscetíveis devem realizar uma única sorologia no primeiro trimestre durante a gestação.
Dnão existe risco de reinfecção durante a gestação.
Ea IgA torna-se positiva após 5 a 14 dias da infecção.
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GabaritoA — não está indicada a solicitação de exames de avidez após a 16a semana de gestação, pois, após esse período, a avidez alta não descarta a infecção adquirida durante a gestação.
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Toxoplasmose na gestação: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra A. O teste de avidez da IgG é útil para estimar o momento da infecção materna, mas perde seu valor discriminatório após a 16ª semana de gestação, pois, nesse período, uma avidez alta não descarta infecção adquirida durante a gestação. Essa é a recomendação clássica dos protocolos de acompanhamento pré-natal, e é exatamente o que a alternativa A afirma.
A toxoplasmose é uma infecção causada pelo protozoário intracelular Toxoplasma gondii, cujo ciclo reprodutivo ocorre em felinos, que eliminam oocistos pelas fezes. A forma mais comum de infecção em humanos é a ingestão de carne de animais contaminados, mas também pode ocorrer pelo contato com solo ou ingestão de alimentos contaminados pelas fezes de felinos, pela transmissão vertical mãe-feto e pela transfusão de sangue. Na gestação, o grande temor é a transmissão transplacentária, que pode causar sequelas graves no feto, como calcificações intracranianas e hidrocefalia.
O diagnóstico é feito por sorologia, com a pesquisa de IgG e IgM. Quando ambos são não reagentes, praticamente se exclui a infecção. Quando apenas o IgG é reagente, indica-se imunidade prévia (infecção antiga). IgG e IgM reagentes indicam infecção, mas não necessariamente recente, pois o IgM pode permanecer reagente por vários meses ou até anos após a fase aguda. Por isso, diante de um IgM reagente, lança-se mão de outros testes, como IgA, IgE e o teste de avidez da IgG, para identificar o momento da ocorrência da fase aguda.
O teste de avidez da IgG avalia a força de interação entre antígeno e anticorpo. A avidez é proporcional ao tempo de ocorrência da infecção materna: se inferior a 15%, é baixa, indicando infecção nos últimos 3 meses; se superior a 30%, a infecção ocorreu há mais de 6 meses; valores entre 15% e 29% são inconclusivos. A baixa avidez de IgG pode persistir por anos em algumas mulheres, por isso o teste é mais valorizado quando há alta avidez. A lógica é: se a avidez é alta, a infecção é antiga (anterior à gestação); se é baixa, a infecção é recente (durante a gestação). No entanto, essa interpretação só é confiável se o teste for realizado precocemente, pois, com o passar do tempo, a avidez tende a aumentar, e uma avidez alta após a 16ª semana não consegue mais distinguir se a infecção ocorreu antes ou durante a gestação.
A conduta nas gestantes suscetíveis (soronegativas) é repetir a sorologia no 2º e 3º trimestres, com o objetivo de detectar primoinfecção. Não se trata de uma única sorologia no primeiro trimestre, mas de um acompanhamento seriado. Além disso, é importante destacar que, em gestantes imunocomprometidas com infecção crônica (IgG reagente prévia à gestação), pode ocorrer transmissão transplacentária por reativação da infecção, e também existe risco de reinfecção durante a gestação. A IgA, por sua vez, torna-se positiva após 5 a 14 dias da infecção, mas essa informação, embora correta, não é o que a alternativa A afirma — a alternativa A trata da limitação do teste de avidez após a 16ª semana.
Guarde a fronteira entre o que o teste de avidez pode e não pode fazer: ele é útil para datar a infecção quando realizado precocemente, mas perde essa capacidade após a 16ª semana. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque reflete a limitação do teste de avidez da IgG na gestação. O teste de avidez avalia a força de interação entre antígeno e anticorpo, sendo proporcional ao tempo de ocorrência da infecção materna. No entanto, após a 16ª semana de gestação, uma avidez alta não descarta a infecção adquirida durante a gestação, pois a avidez tende a aumentar com o tempo, e o teste perde sua capacidade de distinguir se a infecção ocorreu antes ou durante a gestação. Por isso, não está indicada a solicitação de exames de avidez após a 16ª semana.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que, em gestantes imunocomprometidas com infecção crônica (IgG reagente prévia à gestação), não é possível ocorrer transmissão transplacentária por reativação da infecção. Isso é falso. Em gestantes imunocomprometidas, a reativação da infecção crônica pode ocorrer e levar à transmissão transplacentária, especialmente em casos de imunossupressão grave, como na AIDS. A reativação é um risco real nesse grupo, e a alternativa nega essa possibilidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que todas as gestantes suscetíveis devem realizar uma única sorologia no primeiro trimestre durante a gestação. Isso é incorreto. As gestantes suscetíveis (soronegativas) devem realizar sorologia no primeiro trimestre e repeti-la no 2º e 3º trimestres, com o objetivo de detectar primoinfecção. Não se trata de uma única sorologia, mas de um acompanhamento seriado ao longo da gestação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que não existe risco de reinfecção durante a gestação. Isso é falso. Embora a reinfecção seja rara, ela pode ocorrer, especialmente em gestantes com exposição contínua a fontes de infecção, como contato com gatos ou ingestão de carne mal cozida. A reinfecção pode levar à transmissão transplacentária, mesmo em gestantes com imunidade prévia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a IgA torna-se positiva após 5 a 14 dias da infecção. Embora a IgA seja um marcador de infecção aguda e seja detectada por menos tempo após a doença aguda, a informação sobre o período exato de positividade (5 a 14 dias) não é o que a alternativa A afirma, e a alternativa E não é a correta. A alternativa E pode até conter uma informação plausível, mas não é o foco da questão, que trata da limitação do teste de avidez após a 16ª semana.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os marcadores sorológicos e suas limitações. O candidato pode se lembrar de que a IgA é um marcador de infecção aguda e marcar a alternativa E, mas a questão pede a afirmação correta sobre a toxoplasmose na gestação, e a alternativa A é a única que aborda corretamente a limitação do teste de avidez após a 16ª semana. Fique atento ao que a questão pede: não é sobre qual marcador é positivo, mas sobre a conduta diagnóstica na gestação.